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Martírio Sírio

por Fernando Lopes, 15 Fev 12

Tenho procurado acompanhar por diferentes meios a evolução da situação Síria. Homs está ocupada pelo exército, com a população em fuga a coberto do breu. Com a cumplicidade sino-russa, Bashar al-Assad comete crimes contra a humanidade. Dos países árabes que conheço tenho uma imagem pouco nítida, mas com uma componente cultural comum. Regra geral o povo revê-se numa "democracia musculada" que com assustadora facilidade resvala para o autoritarismo, e um ambiente fortemente religioso, onde as mulheres têm uma papel secundário. A abertura à democracia pode significar uma revolução nos costumes, um aumento da participação dos jovens e do sexo feminino nestas sociedades. Apenas uma esperança, pois certezas não as tenho, ao contrário dos ortodoxos comunistas portugueses que continuam a defender "ditaduras amigas" com unhas e dentes.

 


Para informação ler: Human Rights Watch, Avaaz e Sana.

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déjà-vu

por Fernando Lopes, 22 Out 11


Com o rabinho entre as pernas, os americanos retiram do Iraque, deixando uma guerra civil como herança. Ocupação, destruição e fuga. O nojo que isto me mete é indescritível.

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Mulheres sauditas votam ... em 2015

por Fernando Lopes, 26 Set 11

Numa sociedade medieval em que a classe média saudita se recusa a trabalhar e brinca aos "homens de negócios", em que os imigrantes desempenham tarefas consideradas menores e vivem em condições miseráveis, o facto de as mulheres poderem votar em 2015 parece-me pouco. Sentada sobre as suas imensas reservas de petróleo e gás natural e com o beneplácito do amigo americano, a família real saudita consegue perpetuar um regime medieval no Séc. XXI. Classificar uma insignificante alteração legislativa como reforma extraordinária, é certamente excesso de optimismo. É importante lembrar que a Arábia Saudita só aboliu a escravatura em 1962.

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Ninguém escreve ao coronel (*)

por Fernando Lopes, 22 Ago 11


Ocasionalmente não sei bem se sou de esquerda ou de direita. Embora seja demasiado cedo para se compreender integralmente ou conjecturar o que se irá passar na Líbia, é evidente que o regime de Khadafi caiu de podre. A esperada resistência em Tripoli não passou de pífia, com a nota caricatural de uma jornalista de pistola na mão. O day after é perigoso e o Conselho de Transição Líbio necessita de tratar a situação com pinças e desarmar a população o mais rapidamente possível. É certo que o índice de bem-estar era superior na Líbia relativamente a muitos outros países africanos. Dou isso de barato. Mas parece que essa relativa comodidade não foi suficiente para calar o desejo de liberdade de um povo. O silêncio comprometido de alguma esquerda portuguesa prova um certo lado acomodatício. O conforto sem liberdade é frágil e cai às mãos do povo que prefere tomar para si o futuro.

(*) de um conto homónimo de Gabriel García Márquez

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Cabrões, a Idade Média já terminou!!

por Fernando Lopes, 29 Jun 11


Já era conhecida a notícia que nesse eixo de modernidade e tolerância que é a Arábia Saudita as mulheres eram proibidas de conduzir. Nunca nenhuma até agora tinha sido presa por isso. E se elas quiseram conduzir, é bater-lhes. Já avisaram estes cabrões que a Idade Média terminou?


"RIYADH: A campaign has been launched on Facebook calling for men to beat Saudi women who drive their cars in a planned protest on June 17 against the ban on women taking the wheel. The call comes as activists are demanding the release of Manal Al Sharif, a Saudi woman who was jailed for defying the ban."

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Como ateu, procuro ter um posicionamento equidistante das religiões. Nenhuma é conhecida pelo seu sentido de humor. Os muçulmanos são, no entanto,  particularmente sensíveis às brincadeiras com os seus símbolos religiosos ou culturais. Em 2005 o jornal dinamarquês Jyllands-Posten publicou um série de cartoons sobre Maomé que causaram imensa polémica no mundo árabe. Agora com Mickey o caso tem outras implicações. Naguib Sawiris, um empresário copta do Egipto, publicou no seu Twitter, um cartoon com Mickey e Minnie com vestes tradicionais islâmicas. Sawiris é proprietário do jornal "al-Ahram" e de uma companhia de telefones móveis. Logo surgiram os incentivos ao boicote às suas empresas. Depois temos as implicações políticas. O empresário é um dos fundadores do Partido dos Egípcios Livres e o cartoon já havia circulado como piada relativamente à possível tomada de poder pela Irmandade Muçulmana com a frase "este é o futuro do Egipto". Sinceramente a última coisa com que os muçulmanos se deviam preocupar era com a imagem.

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Já passaram mais de cem dias sobre o início da revolução síria. Finalmente foi permitido o acesso de jornalistas ao país de Bashar al-Assad. Em ambiente controlado, as imagens que chegam via Skynews, são as que o governo permite. Dão-se vivas não muito convictos a al-Assad e afirma-se que a agitação (afinal, ela existe) é obra de estrangeiros e extremistas árabes. Curioso como qualquer ditador árabe merdoso de Khadafi a Mubarak agita o fantasma do extremismo islâmico para convencer os ocidentais e os próprios árabes a aceitarem as suas ditaduras. Num universo paralelo, surgem os vídeos sobre a repressão colocados no youtube. Para encenação juntar 10.000 pessoas numa praça parece desproporcionado. Nem o governo sírio é capaz de tanto. Parece que é nos subúrbios de Damasco que está a semente da revolta. É uma dinastia  corrupta num estertor e espero que o golpe de misericórdia seja breve.

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Ossama ou o súbito pudor americano

por Fernando Lopes, 2 Mai 11


Não consigo ficar convencido com esta história de Bin Laden. Demasiadas coisas estranhas, a cheirar a manobra de marketing político de Obama. Embora não perca um segundo de sono por Osama ou por qualquer outro bandalho capaz de proceder ao recrutamento de crianças pobres, levá-las para madrassas e lavar-lhes o cérebro, até que jovens imberbes achem que é uma honra fazer-se explodir e ceifar o máximo de vidas possíveis juntamente com a sua.
O mesmo país que exibiu o capturado Saddam Hussein como se um urso se tratasse, tem agora um atentado de pudor, e ninguém fotografa o corpo. É lançado ao mar, em vez de ser sepultado num local anónimo. Fazem testes de ADN em contra-relógio. Como já aqui disse, um filho da puta a menos não faz falta nenhuma. Mas preferiria vê-lo julgado num Tribunal Internacional. Certamente que muitos familiares das vítimas em Nova Iorque, Londres e Madrid estarão de acordo comigo.

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Um silêncio comprometedor

por Fernando Lopes, 25 Abr 11


Demasiado centrados no nosso pequeno mundo, e preocupados com as medidas que nos vão afectar, eu e a maioria dos portugueses não têm dado a relevância merecida aos acontecimentos no médio-oriente. Perante o impasse líbio, decidimos esperar para ver. Os massacres que estão neste momento a ocorrer na Síria são nota de rodapé nos telejornais. Este silêncio comprometedor não terá nada a ver com o facto de o regime sírio ser considerado amigo do ocidente? Acabo de ver imagens chocantes de militares a disparar contra o povo, causando dezenas de mortos. A "amizade ocidental" mata? Parece que sim, se formos sírios...

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