Quarta-feira, 01.05.13

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Manuel Jorge Marmelo é um dos mais talentosos e menos mediáticos escritores da sua geração. Durante anos publicou no seu blogue “Teatro Anatómico”, as “Crónicas do Autocarro”, pequenas peças sobre o transporte público e seus utentes, a vida, nós portuenses e portugueses. É simultaneamente divertido e analítico. Ide e comprai. Cinco euros e um email para ilhanua@gmail.com bastam.

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Fernando Lopes às 12:23 | link do post | comentar | ver comentários (9)
Sexta-feira, 29.03.13

Ler.

Facto é que Trevisan nunca foi homem de modas. Para desespero dos editores, neste tempo de volumes de 700 páginas de muita parra, ele conta as suas histórias com extrema secura e economia, cada frase como que a explodir de tensão, significado e mau prenuncio. Não são histórias para divertir, antes convidam ao recolhimento, à introspecção, e por vezes a um saudável susto.

 

no prefácio escrito por J. Rentes de Carvalho

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Fernando Lopes às 19:35 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Sexta-feira, 22.03.13

O Crítico Literário

Um conto de Raymundo Silveira


De um modo ou de outro, todos os vícios capitais dão algum prazer ao pecador, exceto a inveja. O soberbo goza a sua vaidade ou o seu orgulho, quer possua ou não as qualidades que se auto-atribui. O avaro não chega a usufruir a sua fortuna, porém o simples prazer de a possuir não deixa de ser um ideal concretizado. O luxurioso é, sem dúvida, aquele que imediatamente melhor se beneficia do seu pecado, porque, dos prazeres materiais, é o carnal aquele que mais gratifica o pecador. O irado, conquanto sofra mais tarde as consequências da sua ira, não deixa de extravasar uma violenta emoção que o estava a consumir e, portanto, pelo menos a curto prazo, sentirá um certo alívio. O preguiçoso sobrevive, de uma maneira ou de outra, sem o menor esforço físico ou mental. Todavia, o invejoso sofre para sempre os gravames e as sequelas do seu pecado e, paradoxalmente, o personagem alvo da sua inveja é, na verdade, o verdadeiro beneficiário. Afinal, se há motivos para despertar inveja, obviamente há qualidades a serem invejadas.


Alberto Camurupim sentia uma vontade louca de escrever. Passava horas, manhãs, dias inteiros debruçado sobre a sua Remington, último modelo, tentando redigir uma página que fosse. Mas nunca passou do título. Quando tentava esboçar as primeiras frases, estas não se materializavam, não tinham nexo algum, eram sentenças, no mínimo, ridículas, cheias de solecismos, cacófatos, lugares comuns. “Quando o sol raiou…” E não saía mais nada. Retirava a folha; amarrotava-a, punha outra. “Quando os primeiras réstias do sol d’aurora penetraram no meu quarto, pensei na mulher querida e vi do quanto sou capaz por amar ela…” Somente depois de muito ler e reler esta sentença, despertou para o cacófato e para o erro gramatical na colocação do pronome. Retirou o papel, amarfanhou-o com raiva e pensou em tentar mais uma vez.


Depois achou que tivera uma excelente idéia: “Como não pensei nisto antes? Por que não citar um trecho no original do ‘Romeu e Julieta’ na epígrafe?” Além de achar que estaria a salvo de erros, teria a chancela de ninguém menos do que o maior poeta de todos os tempos. Mas não sabia os versos de cor. Procurou na estante, abriu gavetas, desarrumou livros durante mais duas horas e nada de encontrar o trecho do vate de Stratford-on-Avon. Decidiu, então, citá-lo de memória. Os versos que ele escutara alguém declamar num sarau onde esteve de penetra eram estes: “But soft! What light throug wonder window breaks! It’s the east, and Juliet is the sun!” Mas o que saiu foi isto: “Bala soft! What leite wonder o índio disse! Isto é a Julieta my son!” Achou que estava muito bom. Afinal de contas, pouquíssimas pessoas em sua cidade liam mesmo qualquer coisa em inglês. Até que enfim conseguira produzir algo digno de um escritor e já imaginava o seu texto, com o nome dele acima do de William Shakespeare, impresso no maior jornal da sua terra. Mas precisava de algo mais original para o texto em si. Estivera lendo Machado de Assis e o impressionou particularmente esta frase: “Não imagina como eu aborreço as cópias. Fazer o que muita gente faz, que mérito há nisso?” Matutou durante umas duas horas e então uma idéia luminosa apareceu. “Por que nasci homem? Que circunstância aleatória teria feito de mim um ser humano e não uma barata? Talvez sendo um inseto minha vida tivesse mais sentido…” Excelente! Cogitou. Com um pouco mais de imaginação estarei construindo uma imagem originalíssima de que somente Kafka seria capaz.


 

 

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Fernando Lopes às 19:00 | link do post | comentar
Quarta-feira, 23.01.13

Ler.

Não tenho paciência para este bando de troca tintas que nos governa. Em verdade vos digo que a oposição não é muito melhor, num país onde as elites políticas são uma não existência. Ver debates na TV é um eterno retorno, com argumentação ora esquecida de um dia para o outro, ora repetida ad nauseam. Vou-me ao livros. Depois de "Diário de Inverno" de Paul Auster, fragmentos da história de um homem, estou com J. Rentes de Carvalho e "Mazagran", admiráveis crónicas e epístolas. Aprendo com homens singulares e esqueço os estarolas que circulam nos corredores do poder.

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Fernando Lopes às 00:01 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Terça-feira, 08.01.13

Longos são os dias, intermináveis as noites.

Sou, desde sempre, um noctívago. Penso, leio, vivo melhor, à noite. Por um período, longo de décadas, fui actor de vida dupla. Quando o meu amor adormecia, levantava-me, pé ante pé, e tinha momentos de tranquila solidão, tão meus, tão ricos, tão cheios, que parece se passaram noutra vida. Os melhores livros, filmes, ideias, reflexões, aconteceram-me na madrugada, quando nada mais se ouve que o nosso silêncio. Agora, por força de uma doença que me esforço por olvidar, sou obrigado a tomar catrefadas de pastilhas que me induziam num sono profundo. Algo está a mudar. Depois de dias longos, as noites prolongam-se sem fim. Estou a ler "Diário de Inverno" de Paul Auster. Um homem que entrou no Outono da vida, lê sobre o Inverno de outro. Há angústias, memórias, estórias em que me revisito, não à moda de New Jersey, mas como cidadão portuense e português. Paradoxalmente, existem muitas vivências comuns em dois homens separados pelo Atlântico e mais de década e meia de vida. Talvez as experiências de infância, os amores de adolescência, as agruras que sofremos sejam mais similares do que julgamos. O que nos separa submerge num mar de semelhanças.

Fernando Lopes às 19:10 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Quarta-feira, 21.11.12

Sou um burro com sorte!

 

Há muito para reflectir, da política portuguesa à guerra na faixa de Gaza. Sinceramente, não me apetece. Há demasiada tragédia no ar e muito pouco tempo para passar a um registo mais sério. No purgatório conto pequenos episódio quotidianos, sem significado para ninguém, mas que, estranhamente, me apetece partilhar. Quem quiser ler coisas inteligentes e profundas tem inúmeros blogues de qualidade. Aqui, é o que é, sem truques, com a simplicidade e despretensiosismo que caracterizam o escriba.

 

Costumo ir almoçar todos os dias ao “Franganito”, um restaurante familiar que passou de pai para filho e actualmente já envolve os netos. Boa comida, ambiente descontraído e um preço acessível tornaram-me visita diária já há um bom par de anos.

 

Sem cozinheira (quem quiser candidate-se), é o proprietário, Sebastião, que gere o restaurante e dá uma perninha na cozinha. Como sabe que gosto de ler, partilhou o livro acima, entusiasmado. Almocei umas magníficas pataniscas de bacalhau, paguei pouco e trouxe um livro de presente. Agora já entendem o título do post.  

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Fernando Lopes às 00:31 | link do post | comentar
Domingo, 07.10.12

O lucro, ah o lucro!

1/3 dos best-sellers de ficção e não ficção vendidos na Grã-Bretanha por meio electrónico pela Amazon custam mais que os mesmos livros comercializados em papel pela distribuidora. Os resultados de um inquérito mostram dois exemplos: o novo romance de J.K. Rowling "The Casual Vacancy", custa 11,99 libras como e-book, enquanto em papel é vendido por 9 libras, graças a um desconto feito pela Amazon sobre o preço original (20 libras); o livro "The Cronicles of Downtown Abbey", que acompanha a série da ITV, fica por 12,99 libras se for descarregado para o Kindle, enquanto a versão de capa dura custa 10,99 libras, graças a um desconto de 10 libras sobre o preço inicial. O menor custo tem a ver com promoções, mas a verdade é que um terço das obras que estão nos top são mais baratas em papel.

 

in Expresso

 

Tive esta discussão bizantina com um grande amigo há uns anos atrás. Adivinhava eu que os e-books não defendem os leitores e autores, apenas as editoras. Sobre a capa do moderno e prático esconde-se uma voragem interminável. O tempo encarregou-se de provar o meu ponto de vista. Ah, e os Kindle não cheiram a tinta nem se folheiam.

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Fernando Lopes às 11:38 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Segunda-feira, 13.08.12

Escribo en una lengua extraña

Escribo en una lengua extraña. Sus verbos,
la estructura de sus oraciones de relativo,
las palabras con que designa las cosas antiguas
-los ríos, las plantas, los pájaros-
no tienen hermanas en ningún otro lugar de la Tierra.
Casa se dice etxe; abeja erle; muerte heriotz.
El sol de los largos inviernos, eguzki o eki:
el sol de las suaves y lluviosas primaveras,
también eguzki o eki, como es natural;
Es una lengua extraña, pero no tanto.

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Fernando Lopes às 21:37 | link do post | comentar | ver comentários (5)
Segunda-feira, 09.07.12

Cosmópolis

 

Ocasionalmente dou conta de livros e leituras que me impressionaram. Não entendo nada de literatura, no entanto, adoro histórias. Cosmópolis é um romance sobre o pós-capitalismo, numa Nova Iorque também ela pós-urbana e dantesca. A personagem central Eric, é um produto dessa era, que ascende da classe média a um fortuna incalculável, graças à capacidade para prever padrões matemáticos nos comportamentos dos mercados, uma total amoralidade e instinto de preservação à prova de bala. Um retrato de uma sociedade que nada produz, gerando enormes fluxos financeiros somente através da especulação. Eric vive num mundo obsessivo, onde trabalho e lazer são conceitos que se confundem e misturam, em que o outro é apenas um meio para atingir um fim. É uma obra plena de actualidade, que num cenário não necessariamente futurista, analisa de alguma forma os mercados e os homens que são seus criadores, carrascos e vítimas.

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Fernando Lopes às 00:45 | link do post | comentar
Segunda-feira, 11.06.12

A grande arte

 «Muitos anos antes de Cristo havia na Grécia um poeta, Arquíloco, que dizia "Tenho uma grande arte: eu firo duramente aqueles que me ferem."»

«Às vezes você parece maluco. Não sei do que você está falando.»
«Minha arte é maior ainda: eu amo aqueles que me amam.»

 

"A grande arte" de Rubem Fonseca

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Fernando Lopes às 23:21 | link do post | comentar
Segunda-feira, 09.04.12

Saltimbancos

"Saltimbanco é uma profissão em extinção", imaginava nos seus momentos mais despreocupados. "Todos os bons se passaram para a política."

 

Thomas Pynchon em "V."

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Fernando Lopes às 01:23 | link do post | comentar
Quarta-feira, 28.03.12

Grandes frases, grandes postas...

A propósito do fecho da livraria Poesia Incompleta.

 

Se calhar vamos ser todos muito felizes a coçar o cu aos iPads.

 

Eduardo Pitta, Da Literatura

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Fernando Lopes às 19:20 | link do post | comentar
Segunda-feira, 12.03.12

Alá não é obrigado

 

A propósito deste vídeo e dos meninos-soldados em África, lembrei-me deste livro, que li há já muito tempo.

"Alá não é Obrigado" é uma obra tão peculiar quanto o seu protagonista e narrador, Birahima, um menino soldado que assiste à morte da mãe e que para sobreviver, sai da sua aldeia em busca da sua sua tia, a única pessoa que pode cuidar dele. Da Costa do Marfim à Serra Leoa, passando pela Libéria, este órfão de "dez ou doze anos" irá passar por diversos exércitos de guerrilheiros, cujos líderes constituem uma riquíssima paleta de personagens inesquecíveis, pelas piores razões: há loucos e sádicos, psicopatas e figuras ridículas. A traição, a morte, a tortura e a mutilação são lugares-comuns por aquelas paragens. O próprio Birahima não é inocente nem culpado. É apenas uma criança que já viu demasiada violência e morte e de quem, à partida, se poderá pensar que já não possuir qualquer noção do Bem e do Mal..."

Para quem quiser ir além da espuma das campanhas, do folclore das pulseiras e cartazes, porque como se diz na primeira frase da obra, "Alá não é obrigado a ser justo em todas as coisas desta Terra."

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Fernando Lopes às 00:22 | link do post | comentar
Quarta-feira, 07.03.12

"O Seminarista" de Rubem Fonseca

O Seminarista Rubem Fonseca

Ocasionalmente dou conta de livros que me entusiasmaram. Sem pretensões, que de literatura nada entendo a não ser o prazer de ler.

Há muito que não lia um livro de um fôlego. O último foi "Ernestina" de J. Rentes de Carvalho. Mestre Rentes foi finalmente reconhecido como uma grande da literatura contemporânea portuguesa e a sua obra vai sendo lentamente publicada. Está a transformar-se, merecedidamente, numa “estrela” literária, facto para o qual olhará com o distanciamento crítico que o caracteriza. Foi preciso aguardar quarenta anos para uma reedição de "O Rebate", que chegará às livrarias durante este mês.

 

Mas o livro que me fez passar um par de horas sem olhar para o lado foi "O Seminarista"de Rubem Fonseca. Uma recomendação recente do meu compadre de leituras Ricardo. Confesso que desconhecia a obra de Rubem Fonseca, mas o que li deixou-me fascinado. É uma escrita simples, que à falta de melhor termo caracterizaria como "cinematográfica". É impossível não ter a sensação que "O Seminarista" é um argumento de filme, escrito com uma ironia e um humor notáveis, numa personagem completamente amoral. Tarantino transformaria este livro um filme bem a seu jeito. Estranhamente os autores que mais me têm impressionado nos últimos tempos são homens de idade. Some-se aos dois autores que escrevem em português Thomas Pynchon e interrogo-me se a literatura não será como o vinho do Porto, com  um tempo de maturação do autor para, com experiência de vida, se produzirem grandes obras. Mas, pensando bem, que sei eu ...

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Fernando Lopes às 18:15 | link do post | comentar
Sexta-feira, 02.12.11
Segunda-feira, 21.11.11

"Lúcio Feteira, a história desconhecida" por Miguel Carvalho


O autor do livro "Lúcio Feteira, a história desconhecida", o jornalista Miguel Carvalho, não tem dúvidas: o milionário português era um homem visionário que "não podia ver um rabo de saias" e um empresário repleto de "esquemas".

"Tanto lá (Brasil), como cá (Portugal), não encontrei nos grandes negócios nada que não tenha um esquema, nada que não seja duvidoso", salienta Miguel Carvalho, acrescentando que isso lhe valeu ameaças de morte e armas empunhadas numa Assembleia Geral de uma das empresas, a Covina, cujos sócios acabou por "trair".
Da investigação que durou um ano, o jornalista Miguel Carvalho conseguiu fazer o retrato de um homem simultaneamente capaz de aparecer como "banqueiro da resistência à ditadura" e "financiador de um golpe contra Salazar".

Algo que, segundo o autor do livro, disponível nas livrarias a partir de hoje, só prova a capacidade que Lúcio Feteira tinha "em jogar em diversos tabuleiros", notando a forma hábil como conseguiu, a partir do Brasil, construir "grandes cumplicidades com os poderes militares das ditaduras sul-americanas".

Era um homem visionário, capaz de se preocupar, nos anos 30, com as questões ambientais quando liderava a Junta de Freguesia de Vieira de Leiria, mas uma figura que a injustiça da História secundarizou perante industriais como Alfredo da Silva e António Champalimaud, "muito porque ficava na sombra", justifica Miguel Carvalho.
Lúcio Feteira era "um mulherengo assumido", realça. No livro, o jornalista aborda uma história que atesta a "vertigem" do milionário português pelas mulheres.

"Ele chegou ao aeroporto, viu passar uma beldade e seguiu a mulher. Deu-se ao luxo de trocar o bilhete para acompanhar a mulher, mas quando se vê a bordo do avião constata que ela vai em viagem de lua-de-mel", conta. "Era dado a estes fascínios e a estes luxos", explica Miguel Carvalho.

Rosalina Ribeiro foi uma companheira "útil", de "dedicação inexcedível, embora se possa pensar que teria o seu interesse muito próprio", mas "aquela que eu penso que foi a mulher da vida de Lúcio Feteira, a sua primeira grande amante, foi Celeste Pastorini", sustenta.

"Era muito bonita, ofereceu-lhe sociedades, deram a volta ao mundo. Um dia confidenciou a familiares: Ela gostou muito de mim e eu muito dela', algo que nunca disse de outra mulher ou de Rosalina, ilustra o jornalista.
O autor do livro, contudo, sublinha que nada do industrial multimilionário "era a preto e branco" e, apesar do sucesso nos negócios e com as mulheres, Miguel Carvalho gravou na mente uma frase de Lúcio Tomé Feteira: "Tudo neste País contra mim se tramou."

Texto roubado ao DN Online. O Miguel brilha diariamente no blogue A Devida Comédia.

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Fernando Lopes às 18:50 | link do post | comentar
Terça-feira, 11.10.11

gordo e careca, de valter hugo mãe

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Fernando Lopes às 00:38 | link do post | comentar
Terça-feira, 13.09.11

Esta vida de marinheiro


"O livro é da autoria do jornalista portuense Ricardo Alexandre. Entre fotografias e muitos depoimentos, a obra inclui ainda a entrevista que a socióloga Paula Guerra fez a João Aguardela, por ocasião da sua tese de doutoramento. O livro vai ser apresentado no próximo dia 13 de Setembro, em Lisboa, na Fnac do Chiado, e no dia 16, no Porto, na Fnac do NorteShopping."

Fonte:A Trompa

Tenho a honra de ser amigo do Ricardo Alexandre. Sei que escreveu este livro com o coração. Além de um profissional de mão-cheia é também um semeador de afectos. Sexta lá estarei para o abraçar.

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Fernando Lopes às 15:01 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Segunda-feira, 15.08.11

Sci-Fi e Fantasia


Hoje, ao olhar para a estante, encontrei alguns dos livros da minha juventude. Entre os 16 e os 19 anos fui consumidor compulsivo de ficção científica e fantasia. Eram livros de bolso da Europa América, baratos, simples, divertidos e com grandes autores. Tal como hoje a sci-fi e fantasia era os parentes pobres da literatura. A saga de "O Senhor dos Anéis" recuperou de novo este género de literatura popular reabiltando-a aos olhos de muitos embora outros tantos ainda hoje a considerem um género menor.

Não sou um especialista em literatura, apenas um consumidor de livros pelo prazer de um boa "estória". Ainda hoje sigo esta máxima, descrita pelo meu amigo Ricardo de uma maneira simples mas efectiva e profundamente despretensiosa. "Ler é um prazer, não um dever". Tenho por isso grandes lacunas no conhecimento dos clássicos. Se o livro não me "agarra", se não me sinto preso à narrativa e aos personagens, pura e simplesmente abandono-o. Ainda mais assustador, são os livros que as pessoas dizem ter lido mas que mas que têm na estante apenas para dar impacto intelectual. Existe muita mentira e pedantismo no mundo dos livros.

Quase trinta anos depois continuo a encarar a leitura como um divertimento, sem procurar nela a revelação do sentido da vida. Amigos por obrigações profissionais e académicas são obrigadas a ler obras intragáveis. Tenho a sorte de não carregar tais fardos. Ler, ainda e sempre um prazer simples de um homem simples.

Fernando Lopes às 19:39 | link do post | comentar
Segunda-feira, 17.01.11

Livro - Tony Bellotto - No Buraco

Confissão: Apesar de caminhar para os 50 sou um rocker no coração. O rock é uma atitude perante a vida, um grito de revolta e libertação.
E há rockers de 50 anos como Tony Belloto, que aproveitam para em flashback descreverem com humor, espírito crítico e uma terrível lucidez, o percurso de  drogas, sexo e estrada.
É um livro simples, mas não simplista de um músico consagrado no Brasil sobre a face negra da vida de um músico de rock.
E é também um livro de um músico que brinca com a musicalidade das palavras.
Atente-se neste excerto:

"Pense no cu. Porque cu termina em u? Há um motivo. É a mesma coisa com as bucetas. O segredo está no u. U tem cheiro. U tem gosto. Até o nome oficial do cu, ânus tem lá o seu u. Que beleza de palavra: ânus. Sente a sonoridade?"

Um livro a ler por todos o que amam o rock. Os outros abstenham-se.
Fernando Lopes às 00:52 | link do post | comentar
 

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