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iscas.jpg Imagem do Tripadvisor ou julgam que ando a fotografar o que como?

 

Pela cidade abundam restaurantes. Na passada semana, por motivos familiares, passei muito tempo – demasiado – no Hospital da Lapa. Pediam por cada refeição 13 euros. Pelo preço e pela vontade de sair daquele ambiente, andei pela zona, testei alguma da restauração existente, o que deu origem a este post. Com a cria, fui a um estabelecimento mais velho que eu, ao qual o avô tecia elogios, a «Rosa das Iscas». Aqui não existe o efeito novidade de alguns locais, nada de sofisticado, apenas e simplesmente comida caseira. No Porto, quando eu era criança, não se usava a palavra patanisca. Se era de bacalhau dizia-se «isca de bacalhau», o mesmo para as de fígado. O estabelecimento é simples, despretensioso, quase rústico, quase coisa nenhuma. Não adianta frequenta-lo pelo ambiente, não vão encontrar o beautiful people da urbe, apenas gente simples que gosta de boa comida tradicional. A petinga tinha bom aspecto, mas decidi-mo-nos pelo que dá nome ao estabelecimento, as iscas ou pataniscas. Cada dose (6 ou 7 euros) é composta por três iscas de tamanho generoso e um fabuloso arroz malandrinho de legumes. As pataniscas são de estalo, a fazer recordar as da minha avó, que é sempre o meu maior elogio. Numa travessa decorada com duas folhas de alface e alguns pickles, ei-las, douradas, quentes, estaladiças. O arroz tinha couve, feijão, cenoura, e vinha a fugir do prato. O serviço é simples, mas rápido e eficiente. Pela cozinha andava um senhora de sessenta e um homem que presumi um pouco mais velho, talvez o proprietário. Sem salamaleques, sem merdas, mas bom. Gostei tanto que já estou a combinar uma jantarada de amigos no local. Se estiverem no Porto e vos apetecer pataniscas, sigam o meu conselho e dificilmente ficarão desiludidos.

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Food for tourists.

por Fernando Lopes, 29 Mar 17

A «barcelonização» a que o Porto e outras cidades nacionais têm sido sujeitas fez com que qualquer cão ou gato se ache habilitado a abrir restaurante ou similar. Tal tem provocado que em muitos dos restaurantes, hamburguerias, pizzarias e quejandos, a qualidade da comida, e principalmente do serviço, seja abaixo de medíocre. Três exemplos recentes: perto do Teatro Carlos Alberto abriu uma hamburgueria moderna. Serve dois mini hamburgueres, opções várias por preço em conta. O conceito é interessante mas, para meu mal, não como conceitos. Demoraram uma hora (sessenta minutos) a servir um menu composto por dois pequenos hambúrgueres e meia-dúzia de batatas fritas, não sem antes me questionarem três vezes sobre o pedido. À terceira, quarenta e cinco minutos passados do pedido original, não me contive:

 

- Ou me traz a porra dos hambúrgueres depressa ou ainda leva com o tabuleiro.

 

Ontem, numa churrascaria da Rua do Paraíso, um menu a armar ao fino, com javali e fófófó. Pedi uma alheira com salada mista. A alheira era do tamanho da pila de um chihuahua, a salada, literalmente a boiar em azeite e vinagre. O preço, uma exorbitância para a qualidade. O empregado de mesa parecia uma versão da «Família Bellamy», no orginal «Upstairs, Downstairs», subindo e descendo as escadas não entendi bem porquê, o elevador da comida estava a funcionar. Suponho que a vergonha o fizesse ausentar-se o máximo de tempo possível.

 

Hoje vou a uma padaria/pizzaria, com o intento de comer uma sandes rápida. Pedi uma americana. Abro o pão e tomate não havia, ovo também não. Chamei o emprego e expliquei-lhe os complexos ingredientes que compõem o que os americanos chamam «sanduíche nacional».

 

Não adianta ter bonitas fotografias da comida e da cidade se não se sabe o que se está a fazer. Mesmo que os turistas de pé-descalço que nos visitam se contentem com qualquer coisa, perde-se o cliente nacional. Não se pode ter uma boa ideia – como a do primeiro restaurante referido – e depois assassiná-la com atendimento e cozinha incompetente. A restauração não é refúgio de amigos, imberbes, criação de emprego para quem não é da área. Ou se é profissional ou se trabalha para atingir níveis de qualidade acima da média, caso contrário é melhor estarem quietos.

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    ahahah nem a propósito, hoje fui à sua cidade. Na ...

  • Fernando Lopes

    Ainda hoje essa duplicidade faz parte da gente do ...