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Da ausência de empatia ao paternalismo.

por Fernando Lopes, 19 Out 17

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Marcelo sabe interpretar como ninguém o sentimento do povo. Talvez não do povo todo, mas do taxista, da vendedeira do Bolhão, do homem do talho. Não é desprimor para estas classes profissionais, são apenas um exemplo de um certo sentir geral. Costa e Constança manifestaram uma frieza perante a tragédia só explicável porque os citadinos vêem o campo como algo de distante, que já lhes não pertence, uma realidade paralela. Não é de perdoar.



O governo foi inábil? Certamente. Teimoso? Acho que sim. O que povo e a CMTV querem é gente chorosa a lambuzar o presidente. Não omitindo a gravidade de cem mortes – cem, um número que assusta – preocupa-me igualmente que o presidente sinta a necessidade de fisicamente ir oferecer um ombro amigo a quem necessite de depositar a sua tragédia nas espaldas do mais alto magistrado da nação. A postura de Marcelo, ditada também pelos media, de Jesus Cristo enfatiotado, a dar longos abraços e beijinhos, encerra mais que empatia, paternalismo. Esteve tão mal quanto o governo pelas razões opostas.

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Follow the money.

por Fernando Lopes, 16 Out 17

Este é um ano dramático em termos de incêndios, não tanto pela área ardida mas pela perda de vidas humanas. Ao leigo que vos escreve saltam dois factores à vista: o ano excepcionalmente quente e seco que potencia estas ocorrências – em 54 anos de vida não me recordo de 34º em meados de Outubro –, e a sua gravidade. Aquecimento global, incúria, crime, falta de ordenamento florestal são tudo razões que terão o seu peso. O tempo quente e os ventos do furacão Ofélia terão feito o resto.

 

Mas nos anos recentes criou-se a indústria do fogo. Quem ganha com ela?

 

- Quem vende equipamentos com ela relacionados (carros de combate, materiais, equipamentos, etc). É preciso que haja fogo para que se comprem novos equipamentos e carros, para que existam materiais cada vez mais sofisticados e caros, uma indústria que se alimenta da tragédia. Sem fogos, vende-se menos, negoceia-se melhor, compram-se equipamentos sem ser sob pressão. Recordo-me de ver uma notícia recente em que o governo tinha compra 20 e tal pick-ups sofisticadas para o ataque a fogos na sua fase inicial. Não deve ter saído barato, mas ficou bem nos telejornais, deu ideia que se estava a fazer alguma coisa.

 

- A industria do meios aéreos de combate ao fogo (privatizada, tornou-se um filão apetecível que é tão mais rentável quantos fogos houver. Não estou a imaginar quem lucra com o fogo a rezar para que ele não aconteça.

 

- Para a construção e algumas autarquias é economicamente interessante a construção de heliportos e similares.

 

- Muitos PDMs serão eventualmente reavaliados pelo que fogos junto de vilas e cidades – como ontem em Braga, só para falar da maior cidade – parecem-me corresponder a interesses imobiliários.

 

Sou radicalmente contra a privatização de meios de combate a incêndios e, curiosa coincidência, desde que tal aconteceu têm aumentado os fogos de ano para ano. Além das condições naturais que propiciam os fogos, cada vez que há lume também há bolsos mais cheios. Pensem nisso.

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Foguetório com incêndio à porta.

por Fernando Lopes, 11 Ago 15

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Todos os anos se discutem os incêndios, todos os anos o meu Minho arde. Vejo-os falar em acções de sensibilização, informação e actuação policial. Muito arderá por acção criminosa, outro tanto por simples negligência, pior ainda, cretinice. Há dois anos houve um incêndio de média dimensão que chegou a ameaçar a igreja de Nossa Senhora do Vale, esteve a pouco mais de 500 metros em linha recta da minha aldeia. Da varanda consigo ver até mais de 10 quilómetros de distância. Nessa noite, enquanto carros de bombeiros protegiam a igreja, estive até às 3:00 da manhã a ler e a vigiar. Via um fogo numa aldeia distante e foguetes a serem lançados numa aldeia vizinha, o povo totalmente indiferente. Enquanto a tragédia não nos bate à porta, o que interessa é encher o olho e celebrar as férias dos emigrantes. Com um povo capaz destas barbaridades haverá floresta que resista?

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  • Fernando Lopes

    Esta não é totalmente surda, ouve muito mal mas re...

  • alexandra g.

    Uma bela albina, poderia ser gémea da gata da minh...

  • Fernando Lopes

    Tu és de pouco alimento, a despesa suporta-se bem....

  • Anónimo

    Com a poupança que tens tido nos almoços comigo e ...