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Portista confesso, achei a derrota do Benfica na final de ontem injusta. Também tendo a concordar que é preciso muito galo para perder dois jogos seguidos nos descontos. Certo é que a imprensa, tantas vezes demasiado lesta a tecer loas ao clube da capital, também fornece bom material de humor negro. O mentecapto do “Metro” que escolheu esta foto para ilustrar a capa ou é portista ou parvo. Inclino-me para a segunda hipótese.
Andárenmos a defecar posters de pescada antes de tempo. Nozes ainda não ganharénmos nada, porque no futebol como na vida, a humildade é uma característica em desuso, mas muito bonita.
A maioria de nós subscreve um número infindável de canais por cabo. A coisa vem em pacote, pelo que é impossível assinar o TVCine sem arrastar mais uma pipa de TVCines que passam o mesmo filme em HD, normal e assim-assim. Quem gosta de séries leva com vinte canais pela frente, onde só um ou dois se aproveitam. Tenho a certeza que, tal como eu, a maioria passa meses sem ultrapassar o canal 100. É que por essa altura já não há dedo que aguente tanto zapping. Mas tudo bem, são "opções" do freguês. O que me irrita são os canais noticiosos. Perdi parte das notícias e passei pela SICN, TVI24 e RTP Informação. Estavam todos a transmitir programas de futebol, respectivamente O Dia Seguinte, Prolongamento e Grande Área. De que vale ter três canais informativos se estão todos a transmitir o mesmo programa com caras diferentes?
Como já aqui escrevi, o futebol não me entusiasma particularmente. Também sou céptico relativamente ao prestígio que as nações contabilizam por ganhar ou perder campeonatos. Não sendo conhecedor do jogo, admito que nas actuais circunstâncias, o peso político destes confrontos possa ser maior que o habitual. Custou perder com a Alemanha. Porque jogamos melhor e por ser a Alemanha. Amanhã, pela primeira vez neste Europeu, irei seguir um jogo com a maior atenção. Esperando que a Grécia, de algum modo, vença. Como diria João Pinto, capitão do meu F.C.P. e conhecido pela eloquência, "o meu coração só têm uma cor: azul e branco".
de manhã e à tarde. A maravilha que é percorrer uma cidade sem trânsito vale bem o sacrifício de aturar patriotismo bacoco. Hoje não houve crise, fome, desemprego. Fico feliz por Portugal ter ganho, mas não são 11 marmanjos a correr atrás de uma bola que fazem a imagem de um país. Perguntem à Espanha, campeã do mundo e da Europa quanto é que isso vale para as agências de rating.
23:45. Após estar a trabalhar (em casa) e a consultar alguns dos meus blogues e sites favoritos, quero ver um debate, notícias, alguma informação. Impossível. SICN, TVI24 e RTP Informação estão a analisar o corte de Cristiano Ronaldo, a marca de boxers de Nani, a interpretar as tatuagens de Raul Meireles. Partiu para a Polónia um bando de excursionistas azeiteiros, que alguém acha que me representam. Vão lá jogar à bola. Serão "a selecção da triste figura". Pouco me importa. Incomoda-me este regresso aos 3 efes, a transmissão live de Fátima, a histeria com o fado como património mundial, e, agora, o patriotismo em calções. Com níquel.
Enquanto caminho para o parque de estacionamento, o puto corre à minha frente, bola colada ao pé, driblando adversários imaginários. Tropeça num buraco, cai e logo se levanta.
- Precisas de ajuda?
- Na, não foi nada.
Brilham uns olhos cinzentos vivos e um pingo de ranho escorre pelo nariz.
- Vais jogar à bola?
- Vou práli para trás do bairro ter com os meus amigos.
- Jogas bem?
- Ó chefe, tenho um pezinho igual ao do Messi. Você ainda me vai ver na televisão.
- Tá bem. E na escola, controlas?
- Quê? Não sou nenhum otário, sei ler, escrever e matemática. Mas a escrever dou muitos erros.
- É bom que estudes alguma coisa, para o caso de não te safares como futebolista.
- Ó senhor já lhe disse que me vai ver a jogar. Na televisão. Tchau!
- Tchau!
Que posso eu dizer a um miúdo que sonha ser o Messi, sem soar a paternalismo ou parvoíce?
- Ah, e boa sorte, puto!
Adoro as conferências de imprensa de Jorge Jesus. É o único que consegue proferir "ambos os dois, como se diz, tiveram um contacto". De notar que a dúvida insinuada é relativa à palavra contacto. Angústias do acordo ortográfico. Até a traineira espinhense que atracou sem saber como para os lados do Dragão consegue ser mais eloquente.
Desconfio sempre das juras de amor eterno. Mas se Villas-Boas partir, outro virá. No F.C. Porto qualquer um se arrisca a ser campeão. Não o foi por três vezes Jesualdo?
Uma vez mais, Rui Rio alheia-se de uma dais maiores marcas da cidade. O Futebol Clube do Porto. Se a cidade é conhecida além-fronteiras tal facto não se deve a Rui Rio, mais principalmente ao seu vinho, à sua beleza e ao seu principal clube de futebol. Sabiamente os portuenses ignoram este personagem. E quando têm de festejar, fazem-no, com ou sem Rui Rio, com a Câmara Municipal aberta ou fechada. A cidade e o clube são muito maiores que a mesquinhez do seu presidente. Não ambicionam frequentar os corredores do poder e adquirir nova pronúncia passados quinze dias de exposição ao vírus do poder. Querem apenas ser felizes e celebrar a vitória do seu clube e da sua cidade. A esta hora está Rio a mudar de canal, na sua casa em frente ao cemitério de Agramonte. Não consigo pensar em lugar mais adequado para residência deste sinistro personagem. Muito depois deste medíocre autarca ter desaparecido da política o F.C. do Porto ainda celebrará as sua vitórias. Esquece-se Rio de que os homens passam e as instituições ficam.
P.S.- Depois de escrever este post, noto que Marmelo também reflectiu sobre o tema. Muito melhor do que eu. É lê-lo.
Uma final europeia com pronúncia do norte. E foi bonito ver os adeptos do Villarreal a apoiar a sua equipa mesmo sabendo que estavam eliminados. Que em Dublin haja igual desportivismo.