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O Facebook como prova de vida.

por Fernando Lopes, 6 Ago 17

Não ligo nada para o facebook. Como qualquer fenómeno global, traz apenso uma enorme camada de pessoas desinteressantes e os seus pensamentos vazios, repetidos por outros seres igualmente desinteressantes até à náusea. Os que utilizam este rede de forma intensiva acham que nada mais existe. Já me convidaram para festas através do facebook – tãoooo estranho e despersonalizado –, já questionei se tinham chegado bem da viagem e recebi como resposta : «não viste no facebook?». Por acaso não, até tenho mais que fazer. Basicamente ignoro a coisa, não merece que se gaste cera com tão ruim defunto. Outro princípio é que aceito amizade de toda a gente. Custa apenas um clique fazer de conta que alguém tem importância para nós. Há um rapaz que conheço pessoalmente de quem tive de desligar as notificações, pois o marmanjo fazia check-in em tudo quanto era sítio. Manuel está a tomar um copo em Leça, está nos Passadiços do Paiva, na Piazza del Popolo em Roma, enfim, só não recebi notificações de que estava na casa de banho. Tudo acompanhado de bonitas fotografias. Não conheço bem a sua história, acho que a mulher lhe pôs os patins, a namorada fez o mesmo. Anda o pobre, quase cinquenta anos de vida, igualzinho às putas que chamavam clientes à porta de pensões de alta rotação. Uma tristeza profunda, ali à vista de toda a gente.

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O facebook é só para gente feliz.

por Fernando Lopes, 4 Fev 17

Sou de poucas publicações no facebook, não gosto de gente que, apatetadamente, está sempre feliz. Muitos de nós – para não dizer todos – levamos grandes chapadas da vida, mas essas nunca aparecem nesta rede social. Ora eu não gosto nada de faz-de-conta, de vender ou me iludir com algo que não existe. Já mais que uma vez fui chamado à atenção – curiosamente, apenas por raparigas – para não lhes perguntar como ia a vida nesta rede social. Uma em burnout, a trabalhar doze horas por dia, disse-me que o facebook não é para nada sério. Outra, com problemas pessoais e profissionais, quis desabafar através do messenger. Para o resto do mundo estava tudo bem. Não quero fazer parte de uma rede onde as pessoas não são mais que reflexo único da sua complexidade. Onde angústias e problemas são proibidos. Já entendi, e desculpem. Não temos problemas, nunca nos zangamos, estamos cheios de massa, somos lindos até quando acordamos. Que se foda o facebook.

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Amor no facebook.

por Fernando Lopes, 10 Mai 16

Quando vejo eles ou elas, de modo recorrente, a derramar amor pelo facebook, penso logo quem estará a pôr os cornos a quem.

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Vidas de plástico.

por Fernando Lopes, 13 Set 15

Ver murais de facebook de conhecidos podem ser dos momentos mais deprimentes que me foram dados viver. Na facebooklândia ninguém está triste, todos foram a praias fantásticas, têm amigos amantíssimos, comem em restaurantes fantásticos, têm descentes adoráveis, indignam-se imenso com os maus tratos a animais e depois postam uma fotografia de um «bife três pimentas», sofrem com os refugiados sírios e a seguir vão beber vodka ao bar da moda. Triste, triste, triste, é que a maioria não quer enganar ou outros, só pretende enganar-se a si mesmo.

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Existem cada vez menos surpresas. As apps, facebook, blogues e outros media passam a vida a aconselhar-nos sobre o que fazer, que ver, que ler, onde comer. Ainda sou do tempo em que a melhor recomendação era o passa-palavra, no cinema, livros, locais para visitar, restaurantes e bares. Hoje, tanto na internet como na imprensa tradicional pululam os «guias de lazer» que nos dizem tudo o que fazer, onde e quando. Repare-se que também a minha geração não ficou imune. Tenho no telemóvel uma lista de (quase todos) os restaurantes do país. Se me convidam para um sítio desconhecido, raramente resisto a uma pesquisa. Resultado: quando chego ao local raras são as estranhezas que me esperam.

 

Não há muito os amigos desempenhavam um papel fundamental nestas descobertas, hoje vamos a uma exposição porque alguém lá esteve e postou no facebook, porque lemos num roteiro, ou até porque a página tem imensos likes.

 

Isto mata a capacidade de nos surpreendermos com um autor, um filme, um restaurante, um bar. As máximas «fazer um desvio de 100 kms para ir a um restaurante não é um desvio é ir na direcção certa» ou «Na dúvida escolhe sempre sítios com nome de gente. Normalmente há sempre alguém com esse nome, que se responsabiliza e dá a cara» são coisas cada vez mais distantes.

 

Fica aqui a promessa solene que vou deixar de coscuvilhar sobre os sítios, à moda antiga quero ter o impacto de não saber nada sobre o destino e simplesmente saborear o prazer da surpresa e descoberta. 

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Feicebuque, o território do gabiru.

por Fernando Lopes, 4 Nov 14

girl in facebook.jpg

Pela primeira vez em meses fui ver as estatísticas da página de facebook do purgatório. Conclusões interessantes: 64% do sexo feminino, 36% do masculino; a maioria das mulheres entre os 35 e 44, homens entre os 45 e 54. Até aqui tudo normal, terei prosa ou temática mais do agrado feminino, o que, minhas senhoras, muito me honra.

 

Depois veio a dura realidade: cada vez que um rapariga gira da faixa etária maioritária clica no botão gosto, o número de visualizações da publicação aumenta exponencialmente. O máximo que consegui foram quatro likes de raparigas jovens e giras que catapultaram a posta das habituais 30 visualizações para mais de 200.

 

Para que isto fique um blogue popularíssimo restam duas soluções: viro traveca e remoço 15 anos ou faço selecção das amigas pela aparência. Confesso que a solução número um está fora de questão, tenho tantas probabilidades em ser um bom travesti como as matrafonas do Carnaval de Torres; a dois também não é integralmente do meu agrado. Embora não seja hipócrita ao ponto de dizer que não gosto de moças jovens e giras, esta não é a minha principal preocupação. Tenho a estranha mania de valorizar coração, inteligência, sensibilidade, e o mundo tem-me sido generoso tanto nas relações masculinas como femininas.

 

Chego pois a uma conclusão óbvia: o facebook é o território do gabiru – talvez da gabirua – em que uma sentença favorável de uma rapariga bonita vale bem mais que as loas de um notável crítico.

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O purgatório está no facebook! :)

por Fernando Lopes, 13 Abr 12

 

Por sugestão e incentivo de uma amiga, especialista em novas tecnologias, e que acredita que o purgatório tem "pernas para andar", criei uma página do blogue no facebook. Para gostar disto basta clicar aqui ou escrever Diário do Purgatório na caixa de pesquisa do facebook. Serão automaticamente notificados de novos posts. Estão também disponíveis os "coisinhos de gosto" no fundo da página, para usarem à vontade.

Um agradecimento especial à Teresa, Né e Márcia que mesmo em fase experimental já gostaram deste diário partilhado.

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