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Tão perto quanto possível.

por Fernando Lopes, 25 Jul 17

FromTheLionsMouth.jpg

 

A minha filha deve ter engolido algum plano quinquenal soviético, pois nesta semana que vai passar comigo estava preocupadíssima em «planear actividades». Gosta de ter tudo planificado, já marcamos a sessão de cinema, o safari fotográfico e sei lá mais o quê. Hoje era dia de ir ao Zoo de Santo Inácio, em Vila Nova de Gaia. Diverti-me tanto quanto ela a admirar búfalos, girafas, rinocerontes, lontras, capivaras e demais bicharada. Os leões estão num enorme recinto e passeamos pelo seu habitat dentro de uma espécie de tubo vidrado como nos oceanários. Parece que os bichos gostam de se deitar ao sol em cima dos vidros. Não terão estes mais de dois metros de altura, e o vosso escriba podia tocar na leoa a bronzear-se. Por muito que tentasse, não consegui deixar de exprimir um entusiasmo quase infantil. Fica a fotografia como testemunho desta criança que insiste em não me abandonar.

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Camelas.

por Fernando Lopes, 6 Out 16

Eu_e_os_camelos.jpgWe'll always have Paris.

 

Nos dias que passam é importante manter uma boa relação com a abundante cáfila que por aí pulula. Quando andei de camelo pela primeira vez, já lá vão quase duas décadas, foi na Tunísia, em Douz. Os animais eram maltratados, sempre a levar chibatada. Não gostei, mandei o cameleiro afastar-se. Montava – será que é assim que se diz – uma jovem fêmea. Enchia-a de festa e ela blaterava de contentamento, nunca teria sabido antes o que eram carinhos. Esta também fêmea, também muito jovem, europeia, era tratada com cuidado. Também com ela estabeleci relação de afecto. O meu lado paternal também encontra receptividade nas camelas.

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Dia 10, Biblioteca José Saramago, Cueva de Los Verdes, Playa de la Garita, Mirador del Rio, LagoOmar (casa de Omar Shariff), Fundação César Manrique.

 

P1010222.JPG «Escritório» de Saramago

 

Alugámos um coche. Saiu-nos na rifa dourado, nomeado pomposamente de champagne, feio como a noite, mas novo, ar condicionado and all that shit. Serve perfeitamente. Destino primeiro, a Biblioteca José Saramago. Cada grupo de visitantes, sempre restrito a um máximo de 10 ou 15 pessoas, tem direito a um daqueles aparelhómetros em que se ouve a voz de um narrador em várias línguas. Dispensável, pois calhou-nos um jovem barbudo com ar de intelectual de esquerda, que nos falou sempre em portunhol, eficaz, profissional, interessado, conhecedor. Estava o vosso escriba a fumar um cigarro enquanto aguardava o fim da visita guiada de um outro grupo, quando se depara com uma senhora pequenina e magrinha, cujo rosto era perfeitamente familiar. Pilar del Rio, que logo ali se mostrou particularmente agradada por existirem portugueses entre os visitantes e combinou uns momentos de conversa no fim da visita. Confesso que tinha da senhora uma imagem de pessoa arrogante e distante, guardiã do templo. Nada disso aconteceu, além de simpática, bem-disposta e despretensiosa, foi quase familiar. Toma lá que é para aprenderes a não fazer julgamentos precipitados.

 

 

 

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Dias de Lanzarote (I).

por Fernando Lopes, 29 Ago 16

aviao_lanzarote.JPG No céu, entre terra e mar

 

Dia 1, «No Smoking».

 

A última vez que tinha estado em Barajas, já lá vão três ou quatro anos, existiam umas barraquinhas para fumadores de cinquenta em cinquenta metros. Permitiam fumar sem incomodar ninguém, reunia-se uma espécie de irmandade da nicotina, solidários e aliviados. Isso acabou. Tínhamos de apanhar voo para Madrid, esperar quatro horas e finalmente embarcar para Lanzarote. No aeroporto Sá Carneiro existiu em tempos uma espécie de guarda-chuva aspirador de fumo, mas também esse desapareceu. Moral da história, abstinência forçada durante dez horas.

 

O paradoxo é que existem cigarros à venda por todo o lado e não há sítio para os fumar. Num aeroporto, espécie de Babel dos tempos modernos onde todos procuram ter um ar de quem anda de avião todos os dias, podes empanturrar-te de hambúrgueres, fritos, doces, até ter um enfarto, beber bebidas alcoólicas até à morte, mas não podes fumar um cigarro.  

 

 

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Adeus, até ao meu regresso.

por Fernando Lopes, 14 Ago 16

A frase não dirá muito aos mais novos, trará memórias difusas aos da minha geração, era dita amiúde pelos soldados portugueses em mensagens de Natal e Ano Novo algures no meio do mato de Angola, Moçambique e Guiné. Parto para férias sabendo que mais de metade dos portugueses o não podem fazer. Viajar, partir, conhecer, fazem parte da natureza humana. De alguma pelo menos. Outra prefere investir esse dinheiro em pinderiquices como o novo modelo de telemóvel. O meu abraço vai para os que não têm essa possibilidade. Como aqui ficou prometido tratarei umas «croniquetas» de viagem, a descrição do que vi e senti. É a forma possível de partilhar. Até já.

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Sem Wi-Fi.

por Fernando Lopes, 12 Ago 16

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Já o ano passado me tinha acontecido isto. Relevei, pois estava em África, onde as telecomunicações não têm a sofisticação do primeiro mundo. Este ano, ao verificar o hotel que escolhemos noto que o Wi-Fi só está disponível uma hora por dia, custos adicionais para estar online todo o dia. No meu caso é irrelevante, para as crianças e jovens, habituados a ter net a toda a hora, em todos os lugares, esta abstinência é o mais parecido com uma cura de desintoxicação que se pode arranjar. Sei que vou ter a ganapa uma hora por dia na recepção, teclando furiosamente com as amigas.

 

Estaria tudo bem se esta dificuldade em aceder à web tivesse exclusivamente fins terapêuticos. Não tem. Os hoteleiros viram aqui uma oportunidade de negócio, facturação extra, toca a aproveitar. O acesso à internet é hoje um bem tão essencial como água canalizada, sanita ou chuveiro. Na Europa, sem constrangimentos de telecomunicações, parece-me que simplesmente o hotel não está a oferecer aos hóspedes todas as amenidades que deveria. A sua utilização deve ser uma opção do cliente e nada mais.

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Para onde vais de férias, Fernando?

por Fernando Lopes, 20 Jul 16

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As férias sempre foram um tema fracturante, primeiro na família Lopes, agora na novel família Aires Lopes. Adoramos praia e deserto, se for possível uma combinação dos dois, esse é o território de eleição. Já o fizemos várias vezes, na Tunísia, Marrocos, Sal, Boavista, locais áridos e com praia. Há poucas coisas mais belas que o mar azul na frente e areia, rochas, e uma ou outra acácia nas costas.

 

O Algarve está fora de questão por razões puramente pessoais. De 1972 a 1982, num Mini Cooper, com uma grelha e as malas em cima, deslocámo-nos para Vilamoura a expensas do pai. Um tirocínio deste calibre mata a vontade de allgarve ao mais pintado.

 

Depois existem razões económicas e burguesas. O último sítio que me agradou verdadeiramente no Algarve era na fronteira entre a Quinta do Lago e o Ancão. Há dois anos pediam-me em Agosto, 275 euros/dia por um apartamento engraçado, pequeno-almoço e jantar. Vão-se foder, por 300 euros/dia consigo correr mundo. A razão burguesa é que me ficaram na memória as diferenças de tratamento entre o canalizador inglês e o executivo português. O primeiro, com acento cockney, coçando os tomates em público, era mais bem tratado que o mais bem-educado dos portugueses. Pode já não ser assim, mas a imagem da minha infância subsiste. Vão-se refoder.

 

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Não conheço a Ásia e planeávamos ir à Tailândia. A senhora minha mulher recusou-se. «Não vou andar quase quatro dias de avião para depois estar lá oito dias», disse ela. Numa conversa no aniversário de um amigo, Gonçalo Cadilhe – esse mesmo, o viajante profissional – tinha-me recomendado a Taprobana, antigo Ceilão, actual Sri Lanka. O problema era o mesmo, mais de 24 horas em trânsito entre a saída do Porto e a chegada a Colombo. Para fazer a vontade à minha sra. dona, e porque me agrada, vamos passar 15 dias na ilha que as fotos ilustram. Adivinhem lá onde é.

 

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Prometo fazer umas croniquetas de viagem, dizer como é, o que vale a pena, como são os indígenas. Até lá conto ansiosamente os dias que faltam para abalar.

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Freirao.JPGCurral das Freiras, Madeira, nos idos de 2001

 

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Encerrado para férias.

por Fernando Lopes, 3 Jul 15

Cape_verde_boa_vista_cabo_santa_maria_2048x1536px_Vou aqui e já volto.

 

Este estaminé encerra temporariamente para férias. Deseja o melhor a clientes e amigos, e promete voltar com diários de viagem e demais pérolas avulsas de sabedoria a que vos habituou. Para todos um abraço do tamanho do mundo, e, se for caso disso, umas boas férias.

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Mar pela frente, deserto nas costas.

por Fernando Lopes, 26 Mai 15

praia de chaves.jpg

 

A marcação das férias de família é sempre um momento de alguma fricção. Uns sentem-se mais atraídos por um destino que outros. Já corri dúzias de lugares, e nas férias de Verão prefiro sempre a praia. Paris, Barcelona, Londres, Madrid e outras cidades europeias não são o meu destino favorito. Sou por natureza um homem do sul. África, sempre África, o meu continente de eleição.

 

Há algo mágico que ainda e sempre exerce sobre mim enorme apelo. O sonho era Zanzibar, o destino possível a ilha da Boavista em Cabo Verde. Uma ilha minúscula, meia-dúzia de habitantes. A recente abertura ao turismo de massas possibilita uma viagem a preços «aceitáveis». Há muitos anos estive na Ilha do Sal, antes da explosão de resorts. Comi croquetes de atum e bebi cerveja na esplanada do Mateus. Vi os barcos de pesca chegarem com douradas de mais de meio metro. Apreciei a musicalidade dos locais, onde qualquer lugar é bom para tocar, em que a dificuldade faz com que quase tudo sirva para instrumento.

 

Quero sair do hotel, voltar a falar com os homens do mar, puxar conversa com as pessoas, brincar com as crianças, passear pelas dunas.

 

Muitos acham estranho, assim é o meu ideal de férias: mar pela frente, deserto nas costas.

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