Terça-feira, 21.05.13

Há uma idade certa para morrer?

Hoje assisti ao funeral da pessoa mais velha que me foi dado conhecer, um tio-avô da minha mulher que celebrara 101 anos. Apesar de consternado, o ambiente era de resignação. “Viveu uma longa vida”, tinha uma “bonita idade” e essas banalidades que pairam sobre as exéquias. Ocorreram-me uma série de questões. Haverá uma idade certa para morrer? Lembrar-se-ão os vivos que na idade média raros ultrapassavam 50? Apenas uma geração atrás, 80 anos era uma idade vestusta, hoje vemos octogenários vigorosos e com as capacidades intelectuais em pleno. Será que com o avanço da medicina nos tornaremos homens-biónicos, em que a “bonita idade” serão os 120? Como vão os nossos filhos tolerar e simultaneamente usufruir desta longevidade crescente? Está a sociedade preparada para isso? Só tenho questões e uma certeza: Se houver céu, vou lá encontrar o tio. Vamos petiscar, beber tinto e vibrar com as vitórias do nosso F.C. Porto. 

Fernando Lopes às 19:29 | link do post | comentar | ver comentários (14)
Quarta-feira, 15.05.13

Todo o turista é parvo. Eu sou turista. Logo, sou parvo.



Aprendia-se no 10º ano. Silogismo: raciocínio lógico-dedutivo a duas premissas e conclusão. Andava há anos para digitalizar esta fotografia, que é certamente das mais parvas que tirei, secundada por uma estória ridícula. Por volta dos idos de 2007, ainda vivia acima das minhas possibilidades, fui passar férias à República Dominica. Aproveitava os preços de Maio porque não tinha começado a época da chuvas e a minha herdeira tinha 2 anos, não pagando absolutamente nada.


Quinze dias é muito tempo para se passar num sítio como a RD, pelo que fazíamos todos os passeios possíveis, tendo em conta o constrangimento que é levar uma criança tão pequena. Passei belos cagaços, como aquele em que uma espécie de camião jipe não conseguia subir uma estrada de terra íngreme e resvalava perigosamente para o atolanço. Estou quilhado, pensei. Enquanto isso a pequena criatura batia palmas de felicidade perante as derrapagens do veículo. Vi um Porsche Cayenne, num país onde não há uma única autoestrada. Soube depois que toda a plantação de cana de açúcar está nas mãos de duas ou três famílias. O desportivo inútil era de um desse potentados que vivam em Miami. Surpreendi-me com guardas armados de metralhadora a guardar quitandas que não valiam a ponta de um corno. Perguntei porque estava o retrato do político todo furado. “Aqui perto há uma discoteca, o povo sai borracho e diverte-se a atirar contra o cartaz”. Forma sublime de aliar tiro, álcool, dança e política. 

 

Fomos visitar um zoológico. Na entrada, por 5 USD um jovem tirava uma fotografia com uma cobra ao pescoço. Obviamente, não resisti. O rapaz usava-a como um cachecol, esqueceu-se no entanto de dizer que o animal pesava uns 30 quilos. Quando tira o bicho do pescoço e o coloca no meu, as pernas arrearam. Tive de fazer uma espécie de halterofilismo réptil para recuperar a compostura e exibir o sorriso acima. Querem coisa mais parva?  

Fernando Lopes às 20:44 | link do post | comentar | ver comentários (12)
Quarta-feira, 08.05.13

Sou um gajo de Alfama.

 

Em vésperas de check-up estou como o gajo de Alfama:
- Ó Sr. Dr. bata, estetoscópio e tal, mas não me venha com fitas.
- Sei como é que é isto e tal.
- Nem alhos nem nada, nunca meti isto ... no cu.
- Óbiste ó bata branca? Se te queres divertir, calça a luva e mete o dedo no teu cu e tal. Nem alhos, nem nada.

Fernando Lopes às 00:01 | link do post | comentar
Terça-feira, 30.04.13

Um gato e um pof.

Tenho as prioridades todas trocadas. Sou um merdas imbuído da moral luterana que Merkel & Associados querem impingir. Na bruma da manhã fiz um percurso diferente. Fui tomar o café que dá o segundo estalo de acordar ao Convívio. À porta dois sem abrigo a curtir os primeiros ventos do dia. Fixei-me num. Embora sujo, exibia um ar feliz. Sorria placidamente, acarinhando o gato que estava no seu colo. Fumava um charro perfumado. Confesso que tive inveja, não da sua situação, mas do relaxamento. Um gato e um pof, pouco mais é preciso para ver o mundo da sua verdadeira perspectiva; um lugar que não merece azáfama ou incómodo.

Fernando Lopes às 23:53 | link do post | comentar | ver comentários (6)
Domingo, 28.04.13

Já não há almoços de domingo.

Em solteiro, como viva com os avós, passava o fim-de-semana em casa dos pais. A estada incluía a muito esperada farra de sábado à noite e almoço de domingo. Quando me casei, já sem pai e avô do lado dos vivos, alternava entre a casa dos sogros e, uma vez por mês, a mãe juntava-nos. Eram almoços de ausência, pois por esta ordem, filho e pai tinham desaparecido em seis meses. Havia sempre ternura pelas três viúvas – a mãe e as avós – e uma sensação de ausência e angústia.

 

Após uma incompatibilização com o meu sogro, a tradição passou para casa da avó da minha mulher, matriarca de créditos firmados ao longo de 93 anos de vida. Com o agravamento do seu estado de saúde, abdicámos de sobrecarregar a empregada que já não tem uma vida nada fácil ao ter de tratar de uma nonagenária com saúde frágil.

 

Os celebrados almoços de domingo, com tripas, cozidos e bacalhaus vários, deixaram de existir. Três gatos pingados, almoçam tarde e sem entusiasmo. Como em tudo, o tempo corrói. É agora mais triste o meu domingo. Quem ainda se reúne em família e entre gerações, tire desses encontros o máximo proveito, pois como tudo, também esse momento de união irá enfraquecer, e tendencialmente morrer.

Fernando Lopes às 01:10 | link do post | comentar | ver comentários (7)
Terça-feira, 23.04.13

“Isto não é uma autobiografia, é a história da minha vida.”

Foi o que respondeu Linda de Suza quando entrevistada sobre o seu livro “Mala de Cartão”. O crítico, mordaz, dizia que a senhora tinha toda a razão, uma vez que a autobiografia é um género literário e o que a portuguesa tinha escrito não se podia considerar tal. Estou com Sra. D. Linda, o que escrevo são apenas estórias que passam pela minha vida e que partilho com prazer.

 

Nem sempre é possível ser mordaz, crítico ou engraçado, por isso, em certos momentos, pouco mais nos resta que fazer prova de vida. Como alguém que vem à janela gritar para afirmar a sua existência, ou nos locais de veraneio, em que solícitos empregados de mesa, toalha no antebraço, nada fazem além de convidar os turistas a entrar e provar as maravilhas do menu.

Fernando Lopes às 18:56 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Sábado, 20.04.13

Aguenta-te aos 50!

Um velhadas num concerto rock. Um dos programas favoritos desde o tempo em que tinha 9 em cada perna. Agora com 25 não é muito diferente. Um convite inesperado da minha amiga D. Começou com quid pro quo em que este vosso escriba, certamente já afectado no sentido da audição, entendeu que o concerto era sábado e não sexta.

 

Na baixa milhares de jovens, para a inauguração do edifício AXA, sete andares dedicados à arte e cultura.

 

No Hard Club três bandas alternativas, completamente desconhecidas e com um som muito diferente entre si. Foi particularmente castiço o facto de toda a malta ter 15 anos menos do que eu. Estar com gente nova não me causou o mínimo desconforto. As referências culturais, conversas, interesses, têm muitas similitudes. Acabámos a petiscar no mítico Paju. Feliz porque para os meus amigos mais novos ainda sou um do bando. Os meus 50 não lhes causam desconforto e não adquiri o estatuto de senhor respeitável. Sou até convidado para concertos rock. Nem tudo está perdido.

Fernando Lopes às 11:52 | link do post | comentar | ver comentários (5)
Quarta-feira, 17.04.13

Pela boca morre o peixe.

Quando era miúdo era comum “tirar as amígdalas”. Um procedimento meio bárbaro, feito no consultório, com, suponho, anestesia local. A única coisa de que me lembro é que a dieta era de gelado, o que parecia de algum modo, compensar o sofrimento. Muitos anos depois, através de uma febre, vim a descobrir que uma das amígdalas, por ter sido mal arrancada, voltara a crescer. Ocasionalmente, e quase sempre na Primavera, era atacado de febre e infecção das vias respiratórias. Tinha comentado o facto com uma colega que sofre de rinite. Meu dito, meu feito. Dois dias em casa, o primeiro com febre e hoje, já melhor, mas ainda debilitado. Bem feita, para “não ter garganta”. Amanhã o regresso à normalidade.

Fernando Lopes às 17:37 | link do post | comentar | ver comentários (12)
Segunda-feira, 15.04.13

Post um bocado chateado.

Eu esperei. Com calma. Mas agora estou um bocado chateado. Os amigos que por aqui passam costumam deixar a sua opinião. Nem sempre coincidente com a minha ou entre si, mas sabem que a alma desta “coisa” é o diálogo, o feedback. Uma semana e ninguém deu um pio. OK, os assuntos podem não ser os mais interessantes, o escriba não é dos melhores, mas bolas … nada? Fui ver à coisinha das visitas. Fui a outra que me diz os que voltam à chafarica. Tudo normal, cerca de 30 visitantes regressam todos os dias. O problema é que estão mudos ou sofreram um ataque simultâneo de artrite reumatóide. Este post é tudo o que não se deve fazer. A culpa é sempre nossa, nunca de quem nos lê. Até já e desculpem qualquer coisinha.

Fernando Lopes às 00:12 | link do post | comentar | ver comentários (17)
Domingo, 14.04.13

Ter saudade.

(foto minha, tirada por aí)


Saudade é uma palavra que só existe em português. E galego, que é mais ao menos a mesma coisa. Exprime um sentimento de nostalgia, ora doce, ora amargo, de algo que nos está distante no espaço ou no tempo. Só se tem saudade do que se gosta. Temos saudade das pessoas, lugares, sabores, odores, memórias. Saudade evoca boas recordações, é um sentimento positivo. Ocorre-se-me esta prosa, porque como bom português, vivo nesta permanente nostalgia do que foi e pode não mais vir a ser. 


Fernando Lopes às 00:36 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Domingo, 17.03.13

Primeira namorada.

Desconstruindo o mito de que a memória afectiva das mulheres é superior à dos homens, não sei porque artes, lembrei-me hoje da primeira namorada. O pai de um amigo tinha uma pequena livraria temática em que trabalhava a Anabela. Esse companheiro passava os intervalos a descrever o pequeno anjo:

 

- A Anabela é tão bonita.

- Todos se derretem ao pé da Anabela.

 

À época ela teria 14 anos e eu 16. Órfã de pai, ajudava a manter a família trabalhando durante o dia e estudando à noite.

 

Encanitado com tanta publicidade, pedi-lhe para conhecer o anjo. E se o era. Uns cabelos aos cachinhos, como as bonecas, uma pele clara e uns olhos muito azuis. Trocámos palavras de circunstância. O meu amigo era um jovem particularmente bem parecido  - ainda hoje o é – mas padecia da doença dos gajos bonitos: acha que o seu aparecimento é suficiente para que as mulheres desmaiem perante tal beleza.

 

Fiz uma filha da putice. Numa das visitas, deixei discretamente um bilhete dizendo que gostava dela e que passaria lá no dia seguinte, sozinho. Assim fiz, e conversámos até a livraria fechar. Passei a fazê-lo com regularidade, e apaixonámo-nos. Quando, às 7, encerrava o estabelecimento, íamos para o escritório trocar beijinho castos e falar do futuro.

 

Deve ter durado duas semanas. Já bem depois das 8, pancadas furiosas na porta anunciavam a presença da mãe. Com ar de megera, ameaçou-nos e deu-lhe uma descasca monumental. Quando passei por lá, uma adolescente banhada em lágrimas entregou-me um bilhete dizendo que a mãe a viria buscar todos os dias e a proibira de namorar.

 

Tentei evitar as garras da bruxa, observei-a de longe, sempre sobre marcial vigilância materna, até que desisti, mas guardei aquele bilhete de despedida durante mais de 20 anos, e para sempre a inocência daquele primeiro namoro.

 

Fernando Lopes às 00:07 | link do post | comentar
Terça-feira, 12.03.13

O meu corpo é o meu templo, o caraças.

Uma das frases que me deixa louco é, "O meu corpo é o meu templo". Isto é dito por egos desmesurados, que cultivam o aspecto como quinta essência. Publicasse a Science um estudo sobre as propriedades emagrecedoras das francesinhas ou cozido à portuguesa, logo os veríamos a enfardar doses pantagruélicas destes manjares. Um outro sobre os poderes antioxidantes de cerveja ou vinho, rapidamente uma turba cambalearia pelos lugares da moda.

 

Nada contra as pessoas que desejam permanecer saudáveis e viver o máximo de tempo possível, mas pergunto-me: vão viver para usufruir o quê? Quem quer ser um cadáver com bom aspecto e baixo IMC? A maioria dos prazeres são transgressão. Graças ao Demo, sou por natureza, transgressor. 

Fernando Lopes às 00:01 | link do post | comentar | ver comentários (8)
Terça-feira, 05.03.13

Sonhar com um cavalo mecânico.

Sou maluquinho das motas frustrado. Uma das cenas que me evoca sempre um sorriso passa-se em “O Que Diz Molero”. No meio de uma qualquer confusão com marinheiros ingleses, o motoqueiro lá do sítio cai e parte uma perna. Com o membro inferior ao contrário, salta e diz:

- Foda-se, foda-se, foda-se, não me mexam na mota.

Como o compreendo. Conduzir um carro é um acto muito menos natural do que fazê-lo com uma moto. Aí as mãos controlam a direcção e a potência, o corpo oscila perante as curvas da estrada, o motor e a sua força está por baixo de nós, não à frente ou atrás.

Ontem, passou por mim um motociclista. Como sempre, com o braço, assinalei por onde queria que me ultrapassasse. Afastou-se em segundos. Suspirei com inveja por não ter menos 20 anos. Não devia ter desistido do meu cavalo mecânico.

Fernando Lopes às 00:01 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Terça-feira, 26.02.13

Marginalidades.

Sempre me encantou a boémia e os marginais. Estar na margem, é ver o rio passar, ordeiro, e rir-se daquela força que impele a água para o mar. É andar ao contrário, criando um novo modo, inteiro, só nosso, que desce ou sobe as correntes a seu bel-prazer, alheio ao mundo e aos homens.

 

Porque carrego comigo uma personalidade borderline, estar à margem exerce um secreto fascínio. Não morri porque não consegui, não sou alcoólico ou toxicodependente por mero acaso. Só se consegue ser marginal se despojado de bens, confortos, convenções. Amo, por exemplo, Bukowski e Luíz Pacheco. Entre a bebida, sexo, pobreza, fome e percevejos, sentiram a necessidade de ser uma ovelha negra para falar com distanciamento do restante do rebanho. Admiro-os, porque também sinto necessidade de mandar tudo às malvas, viver sem regras, num mundo sem vassalos ou suseranos. Personalidades tortuosas, manipuladoras, capazes de grandes amores e enormes raivas, de uma falsa sinceridade ou sincera falsidade, tudo é jogo de luz e sombra.

 

Manga de alpaca de terceira geração, invejo-lhes a audácia, libertinagem, despojamento. Só me faltam duas coisas para ser um Bukowski ou Pacheco: talento e coragem.

Fernando Lopes às 19:38 | link do post | comentar | ver comentários (4)
Segunda-feira, 25.02.13

Memórias eróticas de um infante.


Há momentos em que desfilam recordações há muito arquivadas no baú do tempo. Retornam à memória momentos da infância e juventude com maior nitidez, como se o tempo da inocência e patetice, fosse, por essas duas ordens de razões, ele próprio mais feliz. O meu primeiro pipi, que vi claramente visto, foi o de uma vizinha, numa quinta que existia em pleno centro do Porto, bem à nossa porta. Lembro-me da estranha sensação que percorreu o meu corpo – algo semelhante a uma erecção – quando me foi revelada a origem do mundo.


Os homens nascem de, matam, traem, mentem, usurpam reinos por um pipi – ou melhor - pela sua dona. Depois, passam pela vida vários pipis que nunca perdem o mistério. Um universo secreto e escondido, para onde somos sugados, transformando dois corpos num só. Recordamo-nos com carinho e desejo de todos esses corpos e mulheres que amamos, tenha sido por uma vez ou mil. Existe a ideia pré-concebida que o macho se esquece dos seus amores. É mentira. Cada beijo, cada namorada, cada vez que fazemos amor fica indelevelmente na memória, mesmo que alguns pavões simulem o esquecimento. Porque nos incutem esta necessidade da "não memória", nunca entendi. Dizem que as mulheres nunca esquecem. Nós também não.

Fernando Lopes às 00:01 | link do post | comentar | ver comentários (10)
Sábado, 23.02.13

Since 1963.

Fica bem nas marca de roupa, relógios de pulso, produtos gourmet. Num ser humano, não mata, mas mói. Vemos a juventude como algo já distante e a aproximação das dores no lumbago, e outras maleitas que inexoravelmente chegarão. Olhamos para trás e pensamos: como é que cheguei até aqui? o que é que construí que valesse a pena? Amanhã faço 50 anos. Pensei em fazer uma festa, mas desisti. Quem quer ir a um aniversário em que o aniversariante está profundamente deprimido? Vou ali esquecer-me deste dia e já volto.

Fernando Lopes às 19:26 | link do post | comentar | ver comentários (26)
Sexta-feira, 22.02.13

Porque é que as mulheres dizem não quando querem dizer sim?

Quem me conhece sabe que sou um tipo prático, prosaico no mau sentido. Às subtilezas prefiro a frontalidade. Hoje, pela primeira vez em sete anos, a minha filha dorme fora de casa. Propus que fossemos jantar fora, fazer qualquer coisa de diferente. A T. mostrou-se, no mínimo, desinteressada. Não me apetece, estás constipado e blá, blá, blá. Meti-me na cozinha e desenrasquei umas sandes. Ficou furiosa. É assim tão difícil entender que muitos de nós simplesmente não temos pachorra para estas tortuosidades da alma feminina? 

Fernando Lopes às 00:01 | link do post | comentar | ver comentários (4)
Quinta-feira, 21.02.13

Balanço.

Não amadureci, não sei o que persigo, nunca tive nenhum projecto. Nunca fiquei satisfeito com nada do que faço, digo, escrevo ou penso. Fui feliz algumas vezes, miserável a maior parte do tempo. Sou o mesmo rapaz de sempre, aprisionado num corpo de meia-idade. Adormeço com os meus fantasmas, desperto com o desassossego. Tempo de balanço, tempo de saber que, no essencial, nada mudou.

Fernando Lopes às 00:01 | link do post | comentar | ver comentários (9)
Segunda-feira, 18.02.13

Master of Turtles.

estava a ver velhas fotos no PC e parece-me encantador o olhar meigo da minha amiga. Um grande amor perdido algures no Índico.

Fernando Lopes às 21:41 | link do post | comentar | ver comentários (7)
Quinta-feira, 07.02.13

Um homem perfeito é algo que não existe.

Agradar às mulheres é tarefa quase impossível. Mesmo 19 anos depois, insistem em apontar impiedosamente as nossas falhas e cobrar-nos por elas. Modéstia à parte, sou bom tipo, trabalhador, bom pai, marido fiel, medianamente inteligente, ouvinte atento. Tenho um handicap, que confesso: sou um desastre nas tarefas domésticas, incapaz de cozinhar, lavar ou outras. As feministas chamar-me-ão porco machista, como já aqui aconteceu. Que a incapacidade para cozinhar seja alvo de uma discussão familiar, é triste. Sempre fui transparente, what you see is what you get. Acho que vou tirar um curso com o Adrian Ferrà ou o chefe Ramsay. Serei marido, pai, amante e cozinheiro. Tão perfeito que, qual Narciso, me apaixonarei por mim mesmo.

Fernando Lopes às 12:30 | link do post | comentar | ver comentários (4)
 

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