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Hoje passei por um daqueles cartazes que costumam estar à porta dos snack-bares. Já nos aconteceu a todos parar para petiscar qualquer coisa por sugestão das imagens. Têm sempre um aspecto delicioso, mas o que de facto servem é sempre infinitamente mais feio do que o que as imagens exibem. As mais das vezes o sabor imaginado é muito melhor que o que debicamos. Mas continuamos a parar. A tentar. Inocentemente, aguardamos por um manjar digno da foto que nos despertou os sentidos. Sabemos que vamos ser enganados e mesmo assim persistimos na ilusão. Sou só eu que sou parvo, ou acontece com mais frequência que o que imagino?

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OK, posso ser um porco mas...

por Fernando Lopes, 23 Jul 16

Untitled..jpgeste empratamento visto ao longe tem o seu quê de fálico.

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Receitas para homens sós.

por Fernando Lopes, 13 Mar 16

Vês-te com 40 anos e dois filhos, divorciado e só. Se fores do tipo convencional levarás para a cama tudo que é fêmea que mexe numa procura desesperada por recuperar aquele sentimento perdido. Se fores como eu, o mais provável é atirares-te à garrafa. À noite, o silêncio é tão intenso que ouves o teu próprio coração a bater. Músculo inútil, num exercício mecânico, porque não tens nada lá dentro a não ser o vazio. Beberás para esquecer e esquecerás tudo, até quem e o que és. Habituar-te-ás a essa solidão que corrói e se te impregna na pele como o cheiro a lixivia parece ser o perfume das senhoras de limpezas. Uma forma de te amares é cozinhar. Por ti, para ti. Escrito por um tipo que não sabe cozinhar parecer-te-á anedota, mas não é.

 

Atum de cebolada:

 

- 1 lata de atum

- 1 cebola média

- polpa de tomate ou ketchup

 

Colocas um fio de azeite na sertã (frigideira se fores do centro ou sul). Deixas a cebola alourar até que tome a cor do cabelo daquela menina por quem te apaixonaste na primária. Colocas o atum previamente escorrido de azeite por cima da cebola e misturas como se misturam o amor, angústia e amargura no teu peito. Adicionas o ketchup ou polpa de tomate (prefiro a polpa) e continuas a mexer até tudo ficar com a cor vermelha dos lábios do pedaço de mau caminho que contigo se cruza no metro todos os dias. Fá-lo com amor, como se estivesses a homenagear as tuas paixões passadas, presentes e futuras. Podes acompanhar com uma salada de alface, tomate, pepino e rúcula. Gosto também de pickles ao lado. Dão cor e fazem-te recordar que a vida é sobretudo avinagrada entrecortada de modo ocasional por momentos doces.

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‘Tava-se mesmo a ver que era preciso virem uns pândegos da OMS informar que comemos proteína animal a mais. Não fossem esses drs. iluminados e morreria a enfardar bife da vazia de vaca nacional – não tenho guito para wagyu, angus, kobe  ou outras dessas merdas sofisticadas. A culpa, meus senhores e minhas senhoras, é quando nos tornamos «cliente habitual». Estabelecimento de restauração que se preze gosta de mimar o «cliente habitual» dando-lhe mais comida que ao outro.

 

Na tasca da hora de almoço fazem um frango à francesa que mais não é que a receita de bacalhau à Brás substituída por frango. Cliente habitual, quilhei-me. Puseram-me frango sem fim no prato e nicles de batatas fritas palha, salsa ou cebola. Carne, muita carne, tanta que tive de pedir para não repetirem a graça.

 

A culpa deste quase 100 cms de pança é do restaurante, ouviram ó magos da OMS?

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Em Portugal é difícil emagrecer.

por Fernando Lopes, 15 Out 15

Absolutamente insensível a modas e novidades gastronómicas, forreta para não gastar dinheiro em restaurantes na berra, sou o que se convencionou chamar um bom garfo, quase sempre com apetite, defensor incondicional da comida tradicional portuguesa.

 

As modas chegam e invadem tudo, há que inovar para atrair clientela. A «Conga» uma casa na rua do Bonjardim especializada em bifanas, tornou-se famosa pela qualidade da carne utilizada e pelo molho. As más-línguas dizem que o panelão de molho era sempre o mesmo, sendo apenas acrescentado quando ameaçava acabar. Nada de novo já que os alemães também não lavam os tachos e formas dos bolos, ao que consta para manter o sabor. Agora já serve coisas entre o tradicional e o cagão como folhado de alheira em cama de rúcula.

 

Almoço todos os dias por uns humildes 6,50, e se soubermos ir aos sítios certos não se come mesmo nada mal. Ontem tive o prazer de partilhar mesa com um amigo blogosférico e tratamos por tu um bife com ovo a cavalo. O amigo é de carne e osso – mais osso que carne – e bateu-se com galhardia com o pedaço de vaca que lhe estava destinado.

 

Hoje cheguei com ideias de peixe, mas sucumbi face a umas excelentes tripas. Tripas dignas de tal nome têm de incluir folhos, favos e touca. Hoje em dia poucos restaurantes usam touca por ser basicamente gordura. Eu gosto, estas tinham. Os cominhos também são essenciais. Saí como um príncipe por uma quantia que não daria para um Big Mac na maior parte da Europa.

 

Não admira que em Portugal seja difícil emagrecer.

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Divagações sobre francesinha.

por Fernando Lopes, 19 Jul 15

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Num artigo do El Pais sobre a vinda de Sandra Carbonero, a francesinha é referida como a comida típica do Porto. Erro crasso do articulista, o nosso prato típico foi, é, e será, as famosas «tripas à moda do Porto» quer pelo seu valor gastronómico quer pelo seu peso histórico, que deu apelido a todos os habitantes desta cidade. A francesinha foi criada nos anos 50 por um ex-emigrante.

 

Trata-se de uma variante do celebérrimo croque-monsieur reinventado no restaurante «A Regaleira», onde a Rua do Bonjardim termina.

 

Até aos anos 80 era um prato de boémios, que se comia essencialmente no triângulo de cervejarias do Campo Alegre (Galiza, Gambamar, Capa Negra). Como prato de noctívagos destinava-se a energizar para o resto da noite, e não lhe era adicionado bife e batatas fritas. Era simplesmente composta por dupla camada de fiambre, salsicha fresca, mortadela, queijo e molho picante, pois o objectivo era ser um mata-fome barato.

 

A partir de meados dos anos 80, com o aburguesamento da sociedade portuguesa, a francesinha democratizou-se, e muitos que até então nunca tinham comido o petisco, começaram a fazer dele refeição. Acrescentou-se-lhe o bife e a batata frita, exigência de uma nova horda de consumidores que já não os jornalistas, estudantes, boémios, e gente da má vida em geral.

 

Em alguns locais (poucos) ainda se pode comer a francesinha à moda dos anos 80, i.e., sem bife.

 

Uma dos factores essenciais para uma boa francesinha é o pão bem torrado, para suportar o peso do queijo e não se esboroar perante a dose generosa de molho, que deve ser bem picante para puxar à cerveja e não esses molhos «amaricados» a saber a polpa de tomate que por aí se comem. É por isso que me dá vontade de me levantar e pregar um estalo aos pais de família, de fato de treino vestido, que se deslocam com a prole a comer francesinha e se queixam, como já ouvi, por estarem a usar pão torrado porque era «recesso» e querem um molho pouco picante para os anafados descendentes.

 

A democratização é muito bonita mas tem destas coisas: o que prevalece é muitas vezes o mínimo denominador comum. É a vida.

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Trinca com nome italiano.

por Fernando Lopes, 24 Mar 15

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Sabem os meus queridos leitores da minha simplicidade no que à gastronomia concerne, e não só. Pouco dado à novidade, prefiro sempre um bom restaurante tradicional à sofisticação gourmet. Incapacidade do meu palato que prefere umas sardinhas com pimentos à orientalidade do sushi e por aí fora. Nunca entendi a febre à volta do extinto El Bulli pois não deixei de fazer um esgar quando vi num dos menus «orelhas de coelho crocantes». Bragggghhh.

 

Anda muito em voga o risotto. Um arroz supostamente diferente, proveniente de uma localização especial (Arborio) com propriedades e textura particulares. Experimentei-o e confesso que o sabor não me cativou e o aspecto me fez recordar a trinca que a avó fazia para os cães lá de casa. Mas como sabem sou um parolo, incapaz de dar valor a estas subtilezas.

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Coisas que um estrangeiro nunca vai entender.

por Fernando Lopes, 22 Jan 15

restaurante.jpgCarne ou peixe por 3,50 € na Rua Oliveira Monteiro

Talvez contra-corrente ao costumeiro na tugalândia, não gosto especialmente de camones. Acho-os grandes, mal-ajambrados, ofensivamente magros, aquele ar neo-hippie irrita-me um bocadito. Os do norte da Europa são um enorme mistério pois não entendo patavina do que dizem e a maioria tem um inglês pior que o meu.

 

Ainda assim, na Primavera passada troquei meia-dúzia de bitaites com um holandês, tipo simpático e interessado na coisa lusa para lá da espuma dos guias turísticos. Uma das suas surpresas era o facto de uma grande parte dos artesãos, operários e amanuenses almoçarem num restaurante. Parece que por paragens neerlandesas o habitual é levar uma sanduiche ou tupperware e comer no local de trabalho ou ao sol se possível.

 

Expliquei-lhe as minudências da alma lusa. Aqui tudo se passa à mesa, de negócios a encontros de amigos, casamentos e aniversários, nada é portuguesmente comemorado se não tiver comezaina pelo meio. Os restaurantes «vulgares» são em Portugal estupidamente baratos, e a maioria das empresas não têm refeitório. Pode-se comer de faca e garfo a partir de 5 euros ou até menos, disse. Claro que tal era impraticável para quem trazia referências como o «Chez Lapin» ou «Escondidinho» mas possível para o povoléu que se contenta com alguma proteína animal e doses generosas de hidratos de carbono.

 

Assentiu cortês, mas pareceu que lhe estava a pregar uma mentira das boas. Há coisas portuguesas que um camone nunca vai entender.

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Tapear.

por Fernando Lopes, 31 Jul 14

Ontem comemorava anos de casado. 21. Como é tradicional entre os portugueses, não há celebração sem comida, decidimos pois, ir jantar fora. Sabem as almas regulares do purgatório que não sou admirador de inovações gastronómicas; cozinha tradicional portuguesa é mais que suficiente para me manter satisfeito e anafado. Por sugestão da mulher que me roubou o coração fomos a uma espécie de «taperia». Entrei a medo, pouco dado a experimentações, acabei convertido. O local, na Rua do Almada, tem decoração agradável e serviço simpático. Praticamente em frente ao «Cão Que Fuma», um clássico, muito aclamado pela elite intelectual e artística da cidade. Concluo que nem nos manjares tendo ao intelectual, pois ainda estou para descobrir o que é o «Cão» tem de especial ou inovador. No nóvel estabelecimento, experimentámos alheira em cama de grelos com ovo de codorniz, timbale e umas tradicionais moelas. Nada de estrelas Michelin, nem esse é o objectivo do local, apenas um sítio agradável para um copo de fim de tarde enquanto se petisca uma mistura de tradicional e moderno. Não é barato nem caro, a clientela é heterodoxa, um dos encantos do bar-taperia. Até um ser rude e empedernido é passível de aliciado para novas formas de sabores tradicionais, haja o saber para ser bem-sucedido nesta hercúlea tarefa. 

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Casa de Pasto "O Luís", Castelões.

por Fernando Lopes, 30 Mar 14

Mais uma peregrinação anual a S. Torcato, um momento de agradecimento ao santo pela maior das bênçãos recebidas até hoje; uma filha saudável.

 

Depois da fé a comezaina, um repasto-convívio com quem partilhou connosco momentos difíceis, esteve e está sempre ao nosso lado. Os meus amigos são um manual vivo das tascas da região. Desta vez propuseram um local rústico na freguesia de Castelões, no extremo do concelho de Guimarães. É uma casa de pasto, numa freguesia rural, com a simplicidade típica deste tipo de estabelecimento. A especialidade da casa é o bacalhau, podia-se também optar por vitela e polvo.

 

O local tem bancos corridos, propicia a conversa, o «picar» de todos os pratos. A vitela assada não desilude nem deslumbra, o polvo, apresentado de modo simples, acompanhado de azeite e batatas a murro apresentava-se com a consistência ideal, nem demasiado cozido, nem sofrendo do efeito chiclete.

 

Não sendo grande apreciador do «fiel amigo» comi com gosto o bacalhau à casa. Boa posta, desfazendo-se em enorme lascas, correctamente temperado com um toque de alho e batatas a murro. Encontrámos no local o presidente da Câmara de Guimarães, um toque interclassista demonstrativo da frequência da casa.

 

Não direi que foi o melhor bacalhau da minha vida, mas certamente um local a conhecer para os apreciadores do gadídeo. O Luís tem facebook, donde foram retiradas as fotos.

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