Terça-feira, 16.04.13

Os melhores rojões do mundo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Tenho amigos de infância que foram viver para Guimarães e amigos vimaranenses que, como um vírus, tomaram conta dos meus afectos. Adoro a cidade, as pessoas, a comida. Confesso que se tivesse essa possibilidade, mudava-me, uma cidade média, belíssima, sem o caos do meu amado Porto.

 

Duas razões movem-me sempre para o Minho: as pessoas e a comida. Os vimaranenses que conheço são francos, leais, sem rodriguinhos ou preocupações com o “politicamente correcto”. Adoro gente assim, com o coração ao pé da boca. É também uma das terras onde se come melhor, não sendo prática corrente preços exorbitantes, excepção feita a um ou outro local da moda.

 

Após a peregrinação anual, como num abraço, levaram-me até ao “Fentelhas”, um restaurante que saltou de imediato para o Top10. Ali não existe cozinha sofisticada, apenas meia-dúzia de pratos típicos da região. E que pratos meus amigos!  Os rojões à minhota, acompanhados com papas são divinais. As papas de chorar por mais, o cozido, simplesmente do outro mundo. Depois do sexo – e com a idade as prioridades vão-se esbatendo – comer é a melhor coisa do mundo. O “Fentelhas” é um templo, não povoado por ninfas seminuas, mas por alguns dos melhores sabores minhotos que me foram dados provar. A frequentar sem restrições.

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Fernando Lopes às 00:07 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Quarta-feira, 21.11.12

Sou um burro com sorte!

 

Há muito para reflectir, da política portuguesa à guerra na faixa de Gaza. Sinceramente, não me apetece. Há demasiada tragédia no ar e muito pouco tempo para passar a um registo mais sério. No purgatório conto pequenos episódio quotidianos, sem significado para ninguém, mas que, estranhamente, me apetece partilhar. Quem quiser ler coisas inteligentes e profundas tem inúmeros blogues de qualidade. Aqui, é o que é, sem truques, com a simplicidade e despretensiosismo que caracterizam o escriba.

 

Costumo ir almoçar todos os dias ao “Franganito”, um restaurante familiar que passou de pai para filho e actualmente já envolve os netos. Boa comida, ambiente descontraído e um preço acessível tornaram-me visita diária já há um bom par de anos.

 

Sem cozinheira (quem quiser candidate-se), é o proprietário, Sebastião, que gere o restaurante e dá uma perninha na cozinha. Como sabe que gosto de ler, partilhou o livro acima, entusiasmado. Almocei umas magníficas pataniscas de bacalhau, paguei pouco e trouxe um livro de presente. Agora já entendem o título do post.  

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Fernando Lopes às 00:31 | link do post | comentar
Sexta-feira, 16.11.12

Sardinha em tomate picante.

 

A crise também tem coisas boas, como a recuperação para a mesa dos portugueses de peixes até há pouco considerados menores. Tanto em casa como em restaurantes tenho apreciado o regresso a sabores da infância como a sardinha e carapau. Da juventude enternece-me particularmente a sardinha em tomate picante. Um prato que me rejuvenesce é arroz branco, salada de pimentos e a dita sardinha depois de devidamente escorrida. Acompanhada de um arroz basmati, é saboroso, proteico e económico. Uma deliciosa refeição para três por menos de 5 euros. Não disponível cá em casa uma vez que sou o único a apreciar o tríptico sardinha, picante e pimento.

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Fernando Lopes às 00:50 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Segunda-feira, 04.06.12

Sardinha é marisco?

 

Mesmo sem estar num estado "interessante", sou acometido de desejos súbitos. É o pecado da gula em todo o seu esplendor. Deu-me uma louca vontade de comer sardinhas assadas. Convenci a família e fomos até ao Senhor de Matosinhos para saciar a fome. Escolhi uma daquelas tasquinhas tradicionais, e toca de jantar. As sardinhas eram fresquíssimas, tão frescas que até já tinham estado congeladas. As meninas dividiram 1/2 frango, que, a bem da saúde financeira desta família, só eu sou possuidor de apetite voraz. Contas feitas, por 4 sardinhas, meia dúzia de batatas cozidas, um pimento, um jarro de vinho branco (estranhamente, sabia a 7 Up, mas vamos acreditar que continha algum vinho) e o atrás referido galináceo paguei  28,10 €. Irra! Da última vez que tinha jantado com a família, tínhamos comido francesinhas, camarões e santola por menos de 50 €. As festas populares são cada vez menos para bolsas populares. Sardinha, agora, é marisco.

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Fernando Lopes às 18:54 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Segunda-feira, 21.05.12

De volta à Babel alimentar

 

O restaurante em que costumo almoçar, encerra durante uma semana. Aparentemente vai sofrer uma reestruturação, transformar-se numa petisqueira de fim de dia ou início de noite, como preferirem. O IVA na restauração obriga o local a reinventar-se, servindo "pregos em pão de lombo petiscos e snacks vários", esquecendo a sua vocação de restaurante aberto há 48 anos. Acaba-se a petinga com arroz de tomate, a pescadinha de rabo na boca, o frango que deu nome à casa e muitos outros petiscos tradicionais. Sem grandes alternativas na zona, vou ter de utilizar esses magníficos comedouros colectivos de centro comercial, espaço onde se cruzam os odores do McDonald's, Pizza Hut, comida a peso e

menus de saladas. Acaba-se a esplanada e resta o concerto de tabuleiros, a confusão, as luzes artificiais. Apesar de tudo não me posso queixar. Por enquanto ainda tenho dinheiro para comer, mesmo que seja na Babel que é uma praça de alimentação.

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Fernando Lopes às 18:50 | link do post | comentar
Quinta-feira, 03.05.12

O prazer das coisas simples

 

Como bom português adoro peixe. As memórias gastronómicas da infância são povoadas por sabores entretanto desaparecidos como goraz de pinta assado com batatinhas e colorau, ruivos, pescada fresca, fanecas. Tudo isto era servido nu, que a minha santa avozinha dissecava o peixinho para aqui o menino não se engasgar com espinhas. Ainda hoje a minha mulher me proporciona esses cuidados de menino mimado que se recusa a crescer.

 

O restaurante que frequento têm por hábito servir pratos de peixe tradicionais. Escalopes de sardinhas, carapauzinhos com batata cozida e molho verde, pescadinha de rabo na boca. Hoje, o prato do dia era petinga com arroz de tomate. É o único momento em que cometo infanticídio. As pequenas sardinhas foram servidas com alface, um arroz de tomate malandrinho, com pequeninos pedaços do mesmo. Uma delícia que evocou tempos remotos em que a felicidade era composta por pequenos prazeres, coisas simples. Pensando bem, ainda é.

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Fernando Lopes às 18:30 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Sábado, 25.02.12

Uma visita, dois templos

Hoje, fiz a minha peregrinação a S.Torcato, como já se tornou tradição. Tirei proveito da visita, e além de visitar o santo, fiz um reabastecimento estratégico num dos meus restaurantes favoritos, o Batista. É um restaurante familiar, que passou de pai para filho, com a mãe e a nora a supervisionar a cozinha. O menu não é muito vasto, mas é de enorme qualidade. Arroz de pato, rojões com sarrabulho e bacalhau com natas são os meus favoritos. Além da simpatia do atendimento e da qualidade da cozinha, o lugar é também poiso de um papagaio macho, com nítida preferência pelas fêmeas e que, quando inspirado,  entoa avés-marias a um ritmo desconcertante. Não é um local barato, mas conheço poucos onde a cozinha tradicional tenha tanta qualidade. A lista de notáveis que por lá passaram está em fotografias na parede. De Jorge Amado a Mário Soares de Durão Barroso a Saramago, meio-mundo das artes e da política já comeu no Batista. Agora que Guimarães é Capital Europeia da Cultura, quem como eu, quiser visitar a cidade berço, vaguear pelo inúmeros eventos e comer com qualidade, tem aqui poiso seguro e confiável.

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Fernando Lopes às 20:54 | link do post | comentar | ver comentários (5)
Domingo, 16.10.11

Coelho guisado


Como o purgatório é um espaço de diversidade decidi dedicar este post à culinária. Não, não é uma brincadeira, é mesmo uma receita de coelho guisado. Afinal, hoje é domingo e o inimigo come-se quente e bem temperado! :)




Ingredientes:
Um coelho partido aos pedaços pequenos
1 Cebola grande
2 Dentes de alho
1/2 Chouriço de carne
100/150 gr de bacon aos cubos
1 Chávena de café de azeite
1 Cerveja (branca ou preta)
Um ramito de salsa
2 Folhas de louro
1 Malagueta pequena
Sal, pimenta q.b.


Num tacho coloca-se o azeite, depois de quente leva-se a dourar o coelho aos pedaços, de maneira que fiquem bem corados, retiram-se e reservam-se. No mesmo tacho coloca-se a cebola e o alho picados, o chouriço de carne às rodelas, o bacon aos cubos, o louro e a salsa, mexe-se tudo até ficar passado. Acrescenta-se novamente o coelho e mistura-se tudo, tempera-se de sal e pimenta, acrescenta-se a malagueta cortada em 2, mas sem as pevides, e rega-se com a cerveja.  Coloca-se o testo e deixa-se cozer uns 30/40 mm em lume brando. No caso de ficar com pouco molho pode-se acrescentar água quente. Por vezes também acrescento uma cenoura às rodelas e cogumelos frescos.
Fernando Lopes às 01:42 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Segunda-feira, 26.09.11

défice democrático, superavit gastronómico


Pode-se acusar Alberto João jardim de ser despesista, mentiroso, prepotente, manipulador, o que se quiser. No entanto num momento de sinceridade subliminar a página do PSD Madeira foi alojada num domínio .com. Embora no continente, em tempo de eleições, as maratonas de vitela assada sejam frequentes, os jantares-comício da Madeira ultrapassam o habitual e prometem que nenhum madeirense vá votar de barriga vazia. No site da campanha de um total de dez "notícias", sete referem-se a reuniões partidárias com repasto incluído. Como se poderá verificar aqui, todas as acções de campanha previstas de 26 a 30 de Setembro passam pela paparoca.

Suponho que na Madeira a falta de imaginação gastronómica seja idêntica à do continente, servindo-se dia sim, dia sim, doses cavalares de espetada em pau de louro. Pede-se pois a intervenção de Cavaco Silva que já demonstrou amiúde preocupação, interesse e até um certo encantamento com as actividades dos bovinos. É que em 37 anos de democracia já milhares de vacas e vitelas foram assassinadas em nome do bloco central. Pode haver défice democrático mas está garantido um superavit gastronómico.

Fernando Lopes às 19:00 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Quinta-feira, 26.05.11

Santiago, Obradoiro & tapas


Há muito que Santiago de Compostela se tornou numa das minhas cidades favoritas. Pela magnífica Praza do Obradoiro, pelo Hostal de los Reyes Católicos, pelo centro histórico, pelos restaurantes, pela juventude que enche de alegria a noite da cidade. E agora também por isto.

Fernando Lopes às 19:45 | link do post | comentar | ver comentários (2)
 

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