Sábado, 22.09.12

mais um dia em Portugal

Ah, o tempo. Oh, este tempo.
Para que servem os dias?
Para nos acordar, para colocar entre noites intermináveis.

 

E, entretanto, em todo o lado, cheques são devolvidos e contas bancárias são automaticamente fechadas.
Passwords expiram.
E todos fazem contas, comparam e prevêem.
Será o melhor dos tempos, o pior dos tempos, ou apenas um tempo?

 

 

adaptação minha de um poema de Laurie Anderson


Fernando Lopes às 00:12 | link do post | comentar
Segunda-feira, 30.04.12

Comunicado

Na frente ocidental nada de novo.

O povo

Continua a resistir.

Sem que ninguém lhe valha,

Geme e trabalha

Até cair.

 

Miguel Torga

 

Poema oferecido pela Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto nas comemorações dos 38 anos do 25 de Abril.

Fernando Lopes às 08:22 | link do post | comentar
Terça-feira, 06.03.12

A grande arte produz-se de barriga vazia

Vítor Lança

A ideia de que ser artista não é um modo de vida, antes uma fruição para ser partilhada à borla, é uma ideia peregrina que parece ganhar renovado vigor em tempo de crise. Vem esta prosa a propósito de um prémio atribuído ao jovem artista plástico André Lança. Concorreu e venceu a XVII Galeria Aberta, que decorreu em Beja. Pela obra acima deveria, e digo deveria, ter recebido um prémio pecuniário de 1.600 €. Não lhe pagam com a habitual desculpa, "problemas de tesouraria". Tem o vereador da cultura o desplante de afirmar "A câmara vai continuar a apoiar os artistas locais, mas só paga quando tiver dinheiro. Mas se os artistas não quiserem colaborar nestas condições, digam e nós deixamos de contar convosco". É assim mesmo, o artista quer-se miserável e subjugado. Todos sabemos que a pobreza é muito mais criadora do que a opulência.

Fernando Lopes às 12:00 | link do post | comentar | ver comentários (3)
Quarta-feira, 08.02.12

"cisnes reflectindo elefantes"


Uma improvável parceria entre John Hench (Disney) e Salvador Dali, ao som dos Pink Floyd. A história toda no bitaites.

Fernando Lopes às 19:09 | link do post | comentar
Sexta-feira, 20.01.12

Rumble Fish


Um dos filmes da minha vida. Sobre um mauzão que já o não é, um irmão obcecado em seguir as pisadas do mais velho e de como o espaço [entenda-se liberdade, autonomia] é necessário para nos encontrarmos. Num filme a preto e branco quando isso era mais do que vanguarda, com Mickey Rourke, a quem sempre invejei o aspecto físico, mas sobretudo o ar cool. Coppola num dos seus momentos mais altos. Como diria Lauro António, let's look at a trailer.

Fernando Lopes às 00:34 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Quarta-feira, 11.01.12

Tempo

Havia um casal, casado há muito, muito tempo, que sempre se tinha odiado, nunca capazes de se suportar um ao outro.
E quando estavam já nos noventa, resolveram finalmente divorciar-se.
E as pessoas perguntaram: Porque é que esperaram tanto tempo? Porque é que não se divorciaram antes?
E eles responderam: Bem, queríamos esperar até que as crianças morressem.


Adaptação de "Another day in America" de Laurie Anderson
Fernando Lopes às 17:37 | link do post | comentar | ver comentários (3)
Sexta-feira, 30.12.11

2012 é em Guimarães!


Saber mais em www.guimaraes2012.pt

Fernando Lopes às 00:34 | link do post | comentar
Domingo, 25.12.11

Halfway Down de A.A. Milne



Halfway down the stairs
is a stair
where i sit.
there isn't any
other stair
quite like
it.
i'm not at the bottom,
i'm not at the top;
so this is the stair
where
I always
stop.

 

Fernando Lopes às 00:20 | link do post | comentar | ver comentários (5)
Sexta-feira, 23.12.11

"Natal" de Álvaro Feijó

Fernando Lopes às 21:47 | link do post | comentar
Sábado, 17.12.11

O Engraxanço e o Culambismo Português


Noto com desagrado que se tem desenvolvido muito em Portugal uma modalidade desportiva que julgara ter caído em desuso depois da revolução de Abril. Situa-se na área da ginástica corporal e envolve complexos exercícios contorcionistas em que cada jogador procura, por todos os meios ao seu alcance, correr e prostrar-se de forma a lamber o cu de um jogador mais poderoso do que ele.

Este cu pode ser o cu de um superior hierárquico, de um ministro, de um agente da polícia ou de um artista. O objectivo do jogo é identificá-los, lambê-los e recolher os respectivos prémios. Os prémios podem ser em dinheiro, em promoção profissional ou em permuta. À medida que vai lambendo os cus, vai ascendendo ou descendendo na hierarquia.
Antes do 25 de Abril esta modalidade era mais rudimentar. Era praticada por amadores, muitos em idade escolar, e conhecida prosaicamente como «engraxanço». Os chefes de repartição engraxavam os chefes de serviço, os alunos engraxavam os professores,os jornalistas engraxavam os ministros, as donas de casa engraxavam os médicos da caixa, etc... Mesmo assim, eram raros os portugueses com feitio para passar graxa. Havia poucos engraxadores. Diga-se porém, em abono da verdade, que os poucos que havia engraxavam imenso.
Nesse tempo, «engraxar» era uma actividade socialmente menosprezada. O menino que engraxasse a professora tinha de enfrentar depois o escárnio da turma. O colunista que tecesse um grande elogio ao Presidente do Conselho era ostracizado pelos colegas.Ninguém gostava de um engraxador.

Hoje tudo isso mudou. O engraxanço evoluiu ao ponto de tornar-se irreconhecível. Foi-se subindo na escala de subserviência, dos sapatos até ao cu. O engraxador foi promovido a lambe-botas e o lambe-botas a lambe-cu. Não é preciso realçar a diferença, em termos de subordinação hierárquica e flexibilidade de movimentos, entre engraxar uns sapatos e lamber um cu. Para fazer face à crescente popularidade do desporto, importaram-se dos Estados Unidos, campeão do mundo na modalidade, as regras e os estatutos da American Federation of Ass-licking and Brown-nosing.Os praticantes portugueses puderam assim esquecer os tempos amadores do engraxanço e aperfeiçoarem-se no desenvolvimento profissional do Culambismo.

(...) Tudo isto teria graça se os culambistas portugueses fossem tão mal tratados e sucedidos como os engraxadores de outrora. O pior é que a nossa sociedade não só aceita o culambismo como forma prática de subir na vida, como começa a exigi-lo como habilitação profissional. O culambismo compensa. Sobreviver sem um mínimo de conhecimentos de culambismo é hoje tão difícil como vencer na vida sem saber falar inglês.

Miguel Esteves Cardoso, in 'Último Volume'

Fernando Lopes às 09:44 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Quinta-feira, 08.12.11

Paz!


E a Vida foi, e é assim, e não melhora.
Esforço inutil, crê! Tudo é illuzão...
Quantos não scismam n'isso mesmo a esta hora
Com uma taça, ou um punhal na mão!


Mas a Arte, o Lar, um filho, Antonio? Embora!
Chymeras, sonhos, bolas de sabão.
E a tortura do além e quem lá mora!
Isso é, talvez, minha unica afflicção...


Toda a dor pode suspportar-se, toda!
Mesmo a da noiva morta em plena boda,
Que por mortalha leva... essa que traz...


Mas uma não: é a dor do pensamento!
Ai quem me dera entrar n'esse convento
Que ha além da Morte e que se chama A Paz!


António Nobre, in 'Só'
Fernando Lopes às 19:53 | link do post | comentar
Sexta-feira, 02.12.11
Quinta-feira, 10.11.11

Não me mexam no Rentes!

Não tem mal ser puto. Nem acreditar no Pai Natal dos mercados. Nem mesmo o facto de ser um liberal um bocado parvo lhe retira um lugar ao sol. Afinal, até escreve no "Espesso". Li dele um ensaio mediano sobre a obra do mestre na Ler. Agora isto é demais. Quando não se tem talento nem mestria com as palavras, quando não se passa de mais um franco-atirador na selva que publica toda a merda, devia ter-se humildade. Adaptamos? Sugerimos? Não, vampirizamos talento alheio, que é o que fazem os medíocres. A tua maior glória literária foi e será a historieta dos ordenados da CP.

Fernando Lopes às 21:51 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Sábado, 08.10.11

Em síntese, tudo.


"Na confusão de responsabilidades e obrigações uma coisa surpreende: nos centros onde o poder reside, as únicas cabeças que mudam são as dos títeres engravatados que, ora anunciam pomposamente medidas de salvação, ora assustam com profecias de pragas bíblicas. Os senhores que de facto mandam são, mais cabeça menos cabeça, os que vêm do antigamente pré-revolucionário. Seguram eles com mão firme os cordelinhos e agem a seu bel-prazer, de modo que constantemente me ocorre a pergunta: que democracia é esta, que me dizem existir e mal consigo enxergar?"

J. Rentes de Carvalho no "Tempo Contado".

Fernando Lopes às 09:39 | link do post | comentar
Quinta-feira, 15.09.11

As crónicas de Manuel Pina

Imperdíveis, diariamente no JN.
Fernando Lopes às 20:19 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Terça-feira, 30.08.11

das minhas paredes

Picasso, Pêche de Nuit à Antibes
Durante dez anos uma reprodução deste Pêche de Nuit à Antibes, de Picasso, esteve na parede de minha casa. Hoje, vindo do nada, senti saudades de o contemplar. Partilho-o como se estivéssemos na minha velha sala.
Fernando Lopes às 14:41 | link do post | comentar
Sábado, 27.08.11

Tempo Incerto

Acordo às 10:00. Entre o primeiro cigarro matinal [a que se seguirá uma infindável série] e um café, ligo o computador. Troco impressões com um amigo recente sobre música e abro o "Tempo Contado".  O Mestre vai de férias com regresso em "Tempo Incerto". Enquanto o leio tento compreender-lhe as angústias e incertezas. "O que escrevo raro me satisfaz". Pois não é assim com todas as almas que se questionam, que há muito abandonaram as verdades absolutas, conscientes que este limbo em que vivemos, este mundo ao contrário, nos gera mais aflição do que exaltação? Desde há um ano a esta parte as suas "estórias", dúvidas, derrotas e vitórias são também as minhas, num processo de identificação entre o pequeno e o grande homem. Que volte depressa exorcizando demónios e fantasmas. O meu dia sem o ler é um bocado mais triste.

Fernando Lopes às 10:50 | link do post | comentar
Segunda-feira, 15.08.11

Sci-Fi e Fantasia


Hoje, ao olhar para a estante, encontrei alguns dos livros da minha juventude. Entre os 16 e os 19 anos fui consumidor compulsivo de ficção científica e fantasia. Eram livros de bolso da Europa América, baratos, simples, divertidos e com grandes autores. Tal como hoje a sci-fi e fantasia era os parentes pobres da literatura. A saga de "O Senhor dos Anéis" recuperou de novo este género de literatura popular reabiltando-a aos olhos de muitos embora outros tantos ainda hoje a considerem um género menor.

Não sou um especialista em literatura, apenas um consumidor de livros pelo prazer de um boa "estória". Ainda hoje sigo esta máxima, descrita pelo meu amigo Ricardo de uma maneira simples mas efectiva e profundamente despretensiosa. "Ler é um prazer, não um dever". Tenho por isso grandes lacunas no conhecimento dos clássicos. Se o livro não me "agarra", se não me sinto preso à narrativa e aos personagens, pura e simplesmente abandono-o. Ainda mais assustador, são os livros que as pessoas dizem ter lido mas que mas que têm na estante apenas para dar impacto intelectual. Existe muita mentira e pedantismo no mundo dos livros.

Quase trinta anos depois continuo a encarar a leitura como um divertimento, sem procurar nela a revelação do sentido da vida. Amigos por obrigações profissionais e académicas são obrigadas a ler obras intragáveis. Tenho a sorte de não carregar tais fardos. Ler, ainda e sempre um prazer simples de um homem simples.

Fernando Lopes às 19:39 | link do post | comentar
Sexta-feira, 22.07.11

Gosto de Palavrões (MEC)


A semiótica dos palavrões pelo grande Miguel Esteves Cardoso.
Fernando Lopes às 00:49 | link do post | comentar | ver comentários (4)
Terça-feira, 12.07.11

o mundo de valter hugo mãe



Vale a pena ouvir esta magnífica estória que valter hugo mãe contou na FLIP.
Fernando Lopes às 12:03 | link do post | comentar
 

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