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Eterno retorno.

por Fernando Lopes, 14 Jun 17

Sabem os meus queridos leitores que a sopeira que existe em mim gosta de comédias românticas. São simples, acabam quase sempre em finais felizes, não te obrigam a questionar, pensar, apenas a fruir uma «estória» de cacaracá.

 

Ontem a emprega doméstica residente em Fernando pôs-se a ver um filme no AXN White. A historinha era sobre dois casais de namorados da faculdade que se (re)encontram uma década passada e inadvertidamente querem voltar ao passado em que já foram felizes.

 

Uma questão de treta que a todos assola. Fizemos bem em deixar a Maria e casar com a Carolina? Como teria sido? Somos felizes ou apenas conformados? E se? Perguntas sem resposta, as coisas mudam, as pessoas mudam, o tempo muda-nos. Ou talvez não. O que se busca neste reatar de relações passadas é a felicidade, a ingenuidade perdida, o verdadeiro amor? Incapaz de responder, deixo apenas questões à vossa consideração.

 

Como nota de rodapé, assumo que um dos meus livros favoritos é «O Amor nos Tempos de Cólera» a obra mais poética que conheço sobre a imutabilidade do amor e de como este nos pode salvar mesmo já quando nada o fazia prever.

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Passado resolvido.

por Fernando Lopes, 9 Fev 17

 

Quatro homens a falar de mulheres, eu mais a ouvir que a participar. Para maduros já todos há muito passados dos quarenta, há muito ressentimento no ar. Um porque a mulher o deixou, outro porque foi traído – embora o não diga todos o sabemos, outro ainda porque vive com a mulher que o quis, não a que ele queria. As gajas isto e aquilo, o azedume escorre, dor e frustração de par em par. Aquele não é certamente o meu filme, conservo memórias doces de todas as relações intensas que tive. Com uma namorei mais de um ano, outra nove, a minha mulher atura-me há quase vinte e quatro. Se tivesse de fazer um balanço, se isso fosse importante, só poderia dizer bem das «mulheres da minha vida». Amaram-me, amei-as o melhor que pude e fui capaz, fizeram de mim este tipo sem amarguras afectivas, quase tudo memórias arquivadas na pasta «ternura». Penso como deve ser triste, já entradote, conservar ressentimento, pensar que não gostavam verdadeiramente de nós, estar constantemente assaltado pelo medo e dúvida. Pode-se pensar que tive sorte, mas nisto dos amores, tens tanta sorte quanto és capaz de dar, no momento certo, à pessoa certa.

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Não-Amor.

por Fernando Lopes, 12 Out 16

Um não-amor pode ser um amor que não deu certo, por certo tens uma estória dessas para contar embora as mais das vezes faças de conta que esqueceste. Pode ser um enternecimento que nunca chegou a passar disso mesmo, uma paixão não correspondida, traição que fizemos ou de que fomos alvo. O não-amor dói. Dói sempre, porque embora o falhanço faça parte indelével do percurso de cada um de nós, não gostamos de o admitir perante nós e principalmente face ao outro. Mas um não-amor também é bom. São memórias. Toques. Entusiasmo pueril. Um não-amor é como a face oculta da lua, não se vê mas está sempre lá. Como uma cicatriz que permanece como memória física de uma luta que encaramos com entusiamo. Quem não sofreu com um não-amor terá mais dificuldade em saber o que é esse mistério de encontrar um amor verdadeiro, correspondido, único, total, incondicional.

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Amor-próprio.

por Fernando Lopes, 2 Ago 16

Não sendo um prodígio de auto-estima, fazem-me confusão os homens que por um rabo-de-saia deixam de ser quem são. Vejo-os por aí, a seguir a fêmea desejada com se de um rafeiro se tratasse, sem personalidade, vergando-se a caprichos, sendo joguete nas mãos de quem assim o quiser. Se há coisa que não fiz, por muito apaixonado que estivesse, foi deixar de ser quem sou, manter um lampejo de racionalidade nos afectos. Não me vergo aos desejos de uma qualquer ninfa mesmo que tenha grande vontade de o fazer. Manter-me no meu lugar, ter personalidade, carácter, o meu modo de fazer as coisas, é algo de que não abdico. Dir-me-ão que nunca estive verdadeiramente apaixonado. Ao ponto de perder a identidade, de facto, nunca. As pouquíssimas mulheres que me amaram verdadeiramente nunca pediram que me transformasse em algo que não sou, nunca quiseram ter um «escravo do amor», antes um homem inteiro, íntegro, pleno de altos e baixos, seguro das suas inseguranças, mas mantendo sempre, sempre, a cabeça erguida. Sei que o que escrevo é polémico, passível de críticas, que me dirão que nunca vivi a loucura do amor. Se existem pessoas que deixam de ser quem são pelo facto de estarem num momento de grande envolvência amorosa, não eu. Assim sempre fui e assim vou permanecer.

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As mulheres dos Camilos.

por Fernando Lopes, 6 Jul 16

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Se num exercício isento de hipocrisia, analisarmos as relações entre casais com grandes diferenças de idade, restar-nos-á sempre um esgar no canto da boca e sorriso cínico. Foi assim com a Duquesa de Alba e o seu funcionário público, Pinto da Costa e Fernanda, Camilo e Paula Marcelo. Inevitavelmente pensamos que a parte mais jovem do casal se interessa pela fortuna e prestígio do mais velho, não pela pessoa em si. Será verdadeiro em muitos casos, somos confrontados com o nosso juízo apressado em outros tantos. Não deixamos de sorrir cinicamente quando Camilo se casou com uma mulher que teria idade para ser sua neta. Dezenas de anos depois permaneceu a seu lado, cuidando-o até à morte. Se isto não é amor, não sei o que o será. A todas as mulheres e homens de Camilo(as), o meu respeito e admiração.

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Amor no facebook.

por Fernando Lopes, 10 Mai 16

Quando vejo eles ou elas, de modo recorrente, a derramar amor pelo facebook, penso logo quem estará a pôr os cornos a quem.

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Vítimas e algozes.

por Fernando Lopes, 27 Abr 16

Durante o almoço conversava com um amigo sobre um pequeno contratempo amoroso que lhe acontecera. Ao contrário do que muitas mulheres pensam também somos sensíveis a pequenos grandes sinais, a um leve toque de pele, sorriso condescendente, piscadela de olho marota. É um mito que apenas os homens pensam frequentemente em sexo, as mulheres fazem-no tanto quanto nós, não valorizamos exclusivamente sexo, existe pelo meio um mundo de pequenas sensibilidades e ternuras que valem quase tanto quanto sexo propriamente dito. Recordei-lhe que nestas coisas do amor, todos nós em algum momento, fomos vítimas ou algozes. Entregamo-nos à mulher amada para uns minutos de céu, sabendo que logo de seguida vem a inevitável queda, passamos mais tempo combalidos no chão, a lamber feridas, que no Olimpo. É assim o amor, mais sofrimento que prazer, mais angústia que alegria. Mas quando estamos bem lá em cima, admirando o mundo de outra perspectiva, sabemos bem que aqueles segundos valem todas as quedas que se seguirão.

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Geografia do amor desencontrado.

por Fernando Lopes, 3 Nov 15

Dizem que o amor é feito de encontros e desencontros, um perpétuo movimento de alinhamento desalinhado comandado por titereiro incerto e fios invisíveis. Nalguns casos, o coração desencontra-se da cabeça. Não é grave, o amor é sempre comandado pelo coração em detrimento do que ordena o bom-senso. Quanto maior for este desencontro, maior a luta, as emoções desalinhadas, o sofrimento. Não é um desencontro infeliz, todos sabemos que sofrer por amor tem algo de agridoce e que por capricho do coração são sempre os momentos melífluos que permanecem nos caminhos sinuosos da memória. Outras vezes esse amor desencontra-se porque os corpos se não cruzam. A dimensão física do amor, menorizada durante séculos, perdida nos obscurantismos religiosos que ainda hoje subsistem, dá-lhe outra plenitude. Não amas verdadeiramente se não fizeste do corpo do outro a tua casa e se ele não fez do teu sua. Outras vezes o amor desencontra-se quando amas e não és amado ou recebes sem frémito de retribuir. Chamam-lhe amores não correspondidos, são também eles amores desencontrados em variantes erradas da geografia amorosa. Em algumas estranhas situações esse desencontro coloca os amantes em situações de geografias fisicamente distantes. Aí, como semente em vaso não regado, o amor definha e morre. Ou fica muito quietinho, sossegadinho, a hibernar como as flores no deserto. Uma gota é q.b. para o fazer despontar. Novo ou velho, bonito ou feio, alto ou baixo, gordo ou magro, todos estamos pacientemente à espera da gota de água que nos faça renascer. Acontece às vezes durante toda uma vida, outras apenas um só instante. Vale sempre a pena porque todos vivemos para sentir esse segundo que dura a eternidade. (*)

 

(*) texto inspirado no mote do meu amigo Filipe.

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A instabilidade como fonte de equilíbrio.

por Fernando Lopes, 27 Out 15

Sou por natureza um tipo inseguro. Metem-me medo as relações amorosas consideradas como inabaláveis. Casado há 23 anos, os braços invisíveis que suportam este longuíssimo afecto tremem mais que ramo de árvore em dia de ventania. Nada é certo na vida e em especial no amor. Não estou nada seguro que a minha mulher se não possa apaixonar por outro ou vice-versa. Os laços que nos unem são como que tecidos por uma aranha; suficientemente fortes para suportar o estrebucho agonizante de uma mosca, flexíveis o bastante para suportarem gotas de chuva, frágeis quanto baste para se romperem quando uma folha choca contra ela. Nada é certo, e talvez seja esse frágil equilíbrio tecido a quatro mãos a razão por que nos mantemos juntos. Personalidades opostas, visões do mundo diferenciadas, sentires quase sempre divergentes. Um antagonismo transformado em relação. Que no entanto, contra todas as expectativas, resiste.

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De olhos bem fechados.

por Fernando Lopes, 30 Set 15

 

O realizador Jordan Oram, canadiano, decidiu juntar quatro casais que nunca se tinham visto para que se conhecessem através do beijo. Uma experiência social como tantas outras, que vale bem mais pelas questões que coloca, que pelo ineditismo da ideia. Os casais são fisicamente compatíveis, da mesma idade, sem grandes hipóteses de gerar choque ou surpresa. As questões ficam: E se conhecesses a pessoa porque te vais apaixonar através daquele primeiro beijo? E se fosse o teu primeiro beijo? E se conhecesses alguém, o beijasses e depois fosses apresentado? E se a química fosse construída a partir desse momento?

 

Certo é que muitos de nós nunca se esquecem do primeiro beijo. Tu lembras-te?

 

[Fonte: Bored Panda]

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  • Fernando Lopes

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  • Fernando Lopes

    Agradeço o abraço e retribuo ainda com mais vigor....

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