Domingo, 03.03.13

O amor é pequenino, tem três anos, e chama-se X.

Há histórias de vida, de resistência, com menos de um metro. Hoje, a X visitou-nos, um pequeno encanto com enorme coração. Não se recorda de ter nascido prematura, passado meses numa incubadora, lutado contra a morte e fragilidade toda a sua curta vida. Dá beijinhos, gosta de desenhos, pulseiras e sapatos de tacão alto. Dançámos a valsa do amor e da vida. Há muitas formas de tenacidade. A mais nobre de todas é, simplesmente, recusar-se a desistir, viver, e encantar-nos por isso. 

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Fernando Lopes às 00:28 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Sábado, 17.11.12

Como evitar soprar ao balão se tiver bebido um bocadinho de mais.

Um amigo após ter bebido três cervejas, vê, na Avenida da Boavista, uma operação stop. Embora não estivesse etilizado, sabia que a probabilidade de passar ligeiramente o limite legal era alta.

 

Como é um rapaz de grande calma, encostou junto à polícia. Saiu do carro e perguntou:

 

- Sr. Guarda, precisava da sua ajuda: vou para Guimarães, mas não tenho a certeza do melhor caminho. Pode ajudar?

 

O polícia lá explicou o percurso mais curto, ao que ele agradeceu encarecidamente. Ainda teve direito a uma continência de despedida. Isto é sangue frio ou quê?

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Fernando Lopes às 12:14 | link do post | comentar | ver comentários (8)
Domingo, 28.10.12

A sobrevivente.

Todos conheçemos pessoas que são, para nós, um exemplo. Hoje partilho a minha admiração por uma criança que celebrou recentemente três anos. É filha de dois grandes amigos meus e um exemplo de coragem e tenacidade para todos. Nasceu prematura e teve uns primeiros tempos num limbo entre a vida e a morte. Há não muito tempo sobreviveu a um pneumonia extremamente grave. Franzina, é um poço de alegria. Não nega beijos e abraços, diverte-se a pregar partidas, gosta de cantar e de música, e por isso oferecemos-lhe uma enorme guitarra eléctrica. É prova de que o amor é o melhor medicamento que existe. Um dia deste, quando fores mais crescida, vamos ouvir-te a rockar com a alegria de sempre, as angústias no lixo, o pequeno coração cheio. Parabéns A.

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Fernando Lopes às 12:39 | link do post | comentar
Domingo, 29.07.12

Obrigado

A amizade é coisa de pele. Não usa disfarce, sofisticação, pose. Há pessoas que amamos, mesmo sem conhecer os meandros da sua alma. Porque são genuínas, sem truques, sem politicamente correcto. Porque são como são, e aceitam-nos como somos. Sem juízos de valor, presunções de culpa ou inocência. Porque, mais do que as portas, abrem o coração. Hoje, estive com amigos desses. Que transformam o mundo num local mais belo. Que usam a autenticidade como arma de arremesso para capturar o coração, e conseguem-no com uma naturalidade desarmante. Obrigado. Vocês sabem quem são.

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Fernando Lopes às 23:28 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Domingo, 10.06.12

O melhor do mundo são os amigos


Debaixo deste corpo de matrafona, bate um coração festeiro. Foi pois, com enorme alegria, que recebi um telefonema do meu amigo R. a convidar-me para uns copos lá em casa. Como pretexto, o futebol. Jogo que mal vi, e pouco me interessou. Nem precisava, estava lá o J.N., sociólogo por formação e especialista em futebol por paixão. Ouvir as suas sábias dissertações, de quem ama e conhece o jogo é mais do que suficiente. A casa do R. e da D. é também um bocadinho a minha casa. Lá não sou uma visita, mas parte da mobília. Com livre acesso ao frigorífico, que toda aquela gente têm com particularidade possuir uma sede infindável. Com conversas sérias, intercaladas por momentos de puro delírio.

Há também pessoas de quem gostamos instintivamente. É o caso do "austríaco" e da família. Apesar do ar germânico, existe uma latinidade inata, do comportamento ao sentido de humor. Momentos de alegria e loucura, que me levaram a rir como há muito não acontecia. Uma celebração da vida e amizade, como são todos os nossos encontros. No fim de tudo isto ainda trouxemos presentes para todos os membros do clã Lopes. E ainda há quem pense que o melhor do mundo não são os amigos. Na foto, o meu presente, que já está na mesinha de cabeceira, pronto para ser devorado logo que termine o Rubem da Fonseca.

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Fernando Lopes às 20:13 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Sábado, 02.06.12

Como tornar-se uma lenda

O pai tinha alguns amigos que eram personagens fabulosas, desde um desenhador e cartoonista que assinava como Miranda, e que publicou centenas de cartoons nos anos 70 no JN, até ao Paulinho, 1,55 metros de energia, pertinácia e vontade em estado puro. Era loucamente são, um libertário e libertado, firme nas convicções e afectos e sobretudo um bocado apanhado. O Paulinho tornou-se numa lenda porque:

- Tinha um Vauxhall Chevette carrinha. Como em todos os carros dos anos 70, o espaço, em particular atrás, era coisa que não abundava. Aos domingos e a contragosto era "obrigado" a levar a sogra a almoçar. A senhora usava um penteado algures entre o carrapito e a Torre Eiffel, muito em voga à época. No apertado lugar traseiro, o obtuso penteado tocava no tejadilho. O Paulinho fazia questão de passar pelas piores estradas e seleccionava os melhores buracos de forma a que a estalagmite capilar da sogra estivesse reduzida em pelo menos 50% no momento da chegada ao restaurante. Divertia-se depois com os filhos a ver a mãe da mulher correr desenfreadamente para casa de banho para repor o penteado.

- Na rotunda da Boavista, atrás de um tipo que circulava a dez à hora, buzinou insistentemente. O tipo pôs a mão de fora e fez o tradicional gesto do passa-por-cima. O Paulinho passou. Deu-lhe uma traseirada valente, e disse "O Sr. não me disse para passar por cima? Eu passei. Agora vá-se foder, mande o carro para arranjar, e para a próxima pense duas vezes antes de se armar em engraçado".

- Engarrafamento caótico na feira de Custóias. O Paulinho irrita-se, encosta o carro, vai para um cruzamento e desenvolve a actividade de polícia sinaleiro. Estranhamente, os condutores obedecem e o trânsito começa a normalizar. "O que é que estás aqui a fazer, pá?", pergunta o pai. "Alguém tinha de ajudar a organizar esta merda. Agora circula e não chateies, que não tenho tempo para confraternizar".

- 25 de Novembro. O pai e mais dois amigos são chamados de urgência à sua casa. Acompanho-o. A mulher parecia verdadeiramente aflita. Estava com um serra mecânica e queria ir sozinho cortar as árvores da Circunvalação para "as chaimites dos fascistas não poderem circular". Na altura o R.I.P. era nessa artéria. Foram precisos três, muita paciência e algum músculo para o demover do revolucionário intento.

Temos de amar um gajo assim.

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Fernando Lopes às 01:50 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Domingo, 01.04.12

A vida é simples

Chegado através da Ana.

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Fernando Lopes às 00:05 | link do post | comentar
Quarta-feira, 01.02.12

Quando o jornalista se torna notícia


Tenho o privilégio de ser amigo do Ricardo Alexandre. Estou certo que, como profissional exemplar, não gostaria de se ter transformado em notícia. Certamente que o ar se tornou irrespirável, obrigando-o a não pactuar com decisões censórias. Para ele o meu abraço sentido e solidário.

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Fernando Lopes às 13:21 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Domingo, 29.01.12

Mi Casa Es Tu Casa


Um evento com algo de subversivo, intimista e comunitário. A fórmula é genialmente simples. Músicos fazem da sua casa um espaço performativo, e você qual proprietário de um Coliseu por um dia, assiste na sala de estar, fruindo e permitindo a entrada de amigos, vizinhos, desconhecidos. Uma imagem da cidade de portas e coração aberto que é Guimarães. Com aquele jeito melancólico e gaiato, de peito feito para a vida. Um acontecimento só possível porque é a imagem das suas gentes. Onde os homens são meninos, rufando tambores no Pinheiro, as mulheres donzelas à varanda nas maçãzinhas. Um misto de tradição e modernidade, uma feliz conjugação de passado e futuro, só possível graças ao Ricardo e Dalila, que abriram a porta a todos. Mais de 80 em 45m2. Porque são o espelho da cidade, com uma generosidade tão grande que cabe sempre mais um.

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Fernando Lopes às 00:09 | link do post | comentar | ver comentários (6)
Sexta-feira, 30.12.11

2012 é em Guimarães!


Saber mais em www.guimaraes2012.pt

Fernando Lopes às 00:34 | link do post | comentar
Quinta-feira, 08.12.11

Amanhã, às 22h, na FNAC Norte Shopping

(clique para aumentar)

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Fernando Lopes às 19:38 | link do post | comentar
Segunda-feira, 21.11.11

"Lúcio Feteira, a história desconhecida" por Miguel Carvalho


O autor do livro "Lúcio Feteira, a história desconhecida", o jornalista Miguel Carvalho, não tem dúvidas: o milionário português era um homem visionário que "não podia ver um rabo de saias" e um empresário repleto de "esquemas".

"Tanto lá (Brasil), como cá (Portugal), não encontrei nos grandes negócios nada que não tenha um esquema, nada que não seja duvidoso", salienta Miguel Carvalho, acrescentando que isso lhe valeu ameaças de morte e armas empunhadas numa Assembleia Geral de uma das empresas, a Covina, cujos sócios acabou por "trair".
Da investigação que durou um ano, o jornalista Miguel Carvalho conseguiu fazer o retrato de um homem simultaneamente capaz de aparecer como "banqueiro da resistência à ditadura" e "financiador de um golpe contra Salazar".

Algo que, segundo o autor do livro, disponível nas livrarias a partir de hoje, só prova a capacidade que Lúcio Feteira tinha "em jogar em diversos tabuleiros", notando a forma hábil como conseguiu, a partir do Brasil, construir "grandes cumplicidades com os poderes militares das ditaduras sul-americanas".

Era um homem visionário, capaz de se preocupar, nos anos 30, com as questões ambientais quando liderava a Junta de Freguesia de Vieira de Leiria, mas uma figura que a injustiça da História secundarizou perante industriais como Alfredo da Silva e António Champalimaud, "muito porque ficava na sombra", justifica Miguel Carvalho.
Lúcio Feteira era "um mulherengo assumido", realça. No livro, o jornalista aborda uma história que atesta a "vertigem" do milionário português pelas mulheres.

"Ele chegou ao aeroporto, viu passar uma beldade e seguiu a mulher. Deu-se ao luxo de trocar o bilhete para acompanhar a mulher, mas quando se vê a bordo do avião constata que ela vai em viagem de lua-de-mel", conta. "Era dado a estes fascínios e a estes luxos", explica Miguel Carvalho.

Rosalina Ribeiro foi uma companheira "útil", de "dedicação inexcedível, embora se possa pensar que teria o seu interesse muito próprio", mas "aquela que eu penso que foi a mulher da vida de Lúcio Feteira, a sua primeira grande amante, foi Celeste Pastorini", sustenta.

"Era muito bonita, ofereceu-lhe sociedades, deram a volta ao mundo. Um dia confidenciou a familiares: Ela gostou muito de mim e eu muito dela', algo que nunca disse de outra mulher ou de Rosalina, ilustra o jornalista.
O autor do livro, contudo, sublinha que nada do industrial multimilionário "era a preto e branco" e, apesar do sucesso nos negócios e com as mulheres, Miguel Carvalho gravou na mente uma frase de Lúcio Tomé Feteira: "Tudo neste País contra mim se tramou."

Texto roubado ao DN Online. O Miguel brilha diariamente no blogue A Devida Comédia.

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Fernando Lopes às 18:50 | link do post | comentar
Segunda-feira, 10.10.11

The educated drunk

 Charles Bukowski, também ele um bêbado instruído

The educated drunk, ou o bêbado instruído, é um conceito in motion que tenho vindo a trabalhar com o meu amigo Ricardo. De Burroughs a Miguel Esteves Cardoso, o uso de psicotrópicos por grandes vultos da cultura tem o peso de uma banalidade. A maioria estará familiarizada com Bukowski, quanto mais não seja através do filme e livro Barfly, que Mickey Rourke protagonizou nos idos de oitenta. O meu amigo Ricardo não é adicto como Bukowski, mas quase só recebe dois tipos de presentes. Livros e Vinhos (ou outros destilados). É um leitor voraz, culto, e que tem a particularidade de estar sempre com sedes várias. Brinquei com ele apelidando-o de "The Educated Drunk". De facto entre outros interesses, partilhamos livros e produtos etílicos, que nos permitiram cimentar uma amizade sólida entre consumos alarves de bebidas alcoólicas, nas infelizmente não muitas vezes em que estamos juntos. Sem o dramatismo que a dependência provoca, terão de concordar que uns bons copos e livros são sempre motivo para uma boa conversa e debate.

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Fernando Lopes às 18:57 | link do post | comentar | ver comentários (3)
Sábado, 17.09.11

Amizades e afectos


Ontem à noite foi um momento de amizades e afectos. Amizade da pura e dura que se cria nos tempos conturbados da juventude, partilhando ideias, interesses, projectos, ansiedades e inseguranças. Amizades que, estranhamente, sobrevivem a tudo, inclusive à morte. Foi isso que o Ricardo Alexandre testemunhou na apresentação da biografia "João Aguardela - Esta vida de Marinheiro"  subtitulada "Dos Sitiados à Naifa, a rasgar a vida". 

Foi também uma noite de afectos. Há pessoas de quem não temos o telefone, que vemos ocasionalmente, e no entanto criamos uma com elas uma enorme empatia. E retomamos uma conversa parada há meses como se nos tivéssemos afastado ontem. É bom partilhar as alegrias da paternidade, as brincadeiras com o futebol, como se o factor tempo fosse secundário nas nossas vidas. E esses afectos, essa cumplicidade, deixam-me infantilmente feliz.

Porque a noite foi de materialização da amizade entre o João Aguardela e o Ricardo num livro, fica o património legado pelo Aguardela. A música.
Fernando Lopes às 02:56 | link do post | comentar
Sábado, 16.07.11

Membros



Quando iniciamos um blogue, tudo é novidade. Decidi que este seria um blogue sem tema. É que eu também sou um tipo sem assunto. Seria de pensamentos avulso, o mais espontâneos possível. Com o risco que tal atitude acarreta, tomei a decisão de não burilar os textos. Tinham se ser instintivos, sentidos. Em detrimento de um português mais apurado achei que devia ser acima de tudo natural. Escrever como falo.

Hoje ao abrir o blogue passei pelos rostos que tiveram a desfaçatez de mostrar publicamente que lêem isto. Conheço-os pessoalmente a quase todos. As duas únicas pessoas que seguem o purgatório e que nunca vi também já as considero amigas. A Fénix já se expôs, discordou, deu ideias, participou em discussões, animou-me em momentos de depressão, uma verdadeira amiga. A Paula é do tipo silencioso. Ocasionalmente escreve belos contos no Uma espécie de mim. Participou poucas vezes, mas sempre com generosidade e assertividade. Gostei que tivessem mudado o nome do widget de Seguidores para Membros. Não sou profeta, nem quero ter seguidores. Mas agrada-me a ideia de sermos membros de uma comunidade de amigos que na pluralidade encontram algo que os une. A amizade não se agradece, mas obrigado por serem meus amigos.

Fernando Lopes às 12:14 | link do post | comentar | ver comentários (10)
 

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