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O inimigo convencional

por Fernando Lopes, 22 Mar 12

Está a tornar-se uma tradição, cada vez que algo corre mal ao governo passista, surgirem em catadupa notícias sobre Sócrates. Eu, que não defendo o homem e não sou eleitor do PS, já começo a ficar nauseado com a falta de imaginação dos assessores de comunicação do governo. A estratégia de criar fait-divers para ocultar o essencial é de uma desonestidade intelectual a toda a prova. Sócrates está politicamente em período de nojo e foi duramente castigado pelos portugueses. Não faz pois sentido que a equipa do homem que disse "não nos desculparemos com o passado" passe a vida a recorrer a este expediente merdoso. Seja através de um advogado que volta a questionar a "estória" da licenciatura ou pelos serventuários da Associação Sindical dos Juízes Portugueses, Sócrates e o seu governo lá vem à baila. A estupidez da estratégia de comunicação é bem patente e recorda-me um episódio que ouvi sobre as aulas de estratégia no exército.

 

- Os russos atacam e as forças da NATO ocupam estas posições estratégicas no terreno.

- Perdão meu capitão, mas porquê os russos, se já não existe bloco de leste?

- Porque os russos são o inimigo convencional!

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Asnos

por Fernando Lopes, 4 Fev 12


Não necessita J. Rentes de Carvalho de defensor nem é esse o meu objectivo. Antes me provoca um esgar que alguém saiba definir "grande literatura" ou se indigne com os incobráveis de guerras anteriores. Não devemos nós, descendentes de Viriato, iniciar uma petição, movimento ou lá o que é a para reparar o mal infligido à Lusitânia?  E porque não accionar judicialmente os descendentes do maneta à conta dos actos bárbaros cometidos aquando das invasões francesas? Uma memória da história focalizada nos alemães e ao sabor das conveniências do momento é asnina. Compreendo pois a resistência do mestre a editar "Portugal, a flor e a foice". Desconstruir o conto de fadas, versão lusa e unanimemente aceite em que o 25 de Abril se transformou, iria provocar grande azia entre os democratas de pacotilha, possuidores dos postulados da verdade.

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Feriados, pontes e produtividade

por Fernando Lopes, 4 Dez 11

Toda a questão colocada com a reorganização e supressão dos feriados é de uma estupidez atroz. Os quatro estarolas que acabo de ouvir no Eixo do Mal apresentaram boas e más razões para, como num passe de mágica, fazer desaparecer ou manter feriados. E nisto, sendo ateu, graças a Deus, não poderia estar mais de acordo com Pedro Marques Lopes. Os feriados nacionais são uma marca de identidade cultural ou religiosa que não deveria ser apagada. Em termos de produtividade não se ganha nada, como nada se ganhará com a meia hora extra. Podem acabar com todos os feriados que a maldita subirá 0,001%.

Virou-se então o bando dos quatro para as pontes. Raramente faço pontes, são dias de férias que usufruo normalmente no Verão ou no Natal. Mas, alguém fez um estudo do impacto que terá  a eliminação de pontes no turismo interno? Os maiores consumidores do produto Portugal, são os portugueses. De Lisboa ao Algarve são menos de duas horas de carro. A Serra da Estrela tem um turismo sazonal, baseado nos feriados de Dezembro, Fim-de-Ano e Carnaval.

Qual o impacto económico da eliminação das pontes e/ou a colagem de feriados à sexta? Será que ao tomar estas medidas foi analisado o sector turismo? Não serão estas medidas debilitadoras de um sector que já fraqueja e que será fortemente penalizado, na procura interna, no próximo ano? Ou será que vamos mesmo seguir o desígnio do Álvaro e transformar as nossa praias e as nossas serras num recreio para estrangeiros onde português não entra? Perguntas que deixo no ar, responda quem souber ... Aqui a chafarica agradece.

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When the shit hits the fan

por Fernando Lopes, 23 Out 11


Muita da gente do sul tem uma secreta admiração pelos povos do norte. O aspecto clean, as cabeleiras loiras, os olhos claros, fazem parte, inclusive, do nosso imaginário erótico. A teoria da raça ariana existiu e subsiste porque também nós, os morenos de olhos escuros, não soubemos ver além da aparência ou valorizar a nossa.

Vem esta prosa a propósito do ataque de moral luterana da Srª Merkel. Diga-se em abono da verdade, que tanto eles como nós, temos sido particularmente estúpidos a escolher os nossos governantes. Esta teoria de pecado e castigo tem sido vendida aos países do norte e os cretinos [desta vez loiros] que lá habitam, acreditam-se.

Não entendem eles que com a conectividade que existe hoje na economia mundial, a nossa desgraça será a sua desgraça. A nossa suporta-se melhor porque tem mais sol e menores custos de aquecimento. Não compreendem que não somos canídeos para funcionar numa base de recompensa e castigo. Nem a mais leve percepção de que a nossa miséria, será, a prazo, a miséria deles. A ética calvinista e luterana não se adapta ao mundo de hoje e sairemos todos, e digo todos, mais pobres, por culpa da cobiça dos dirigentes políticos do sul e pela miopia dos do norte.

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Não há dinheiro

por Fernando Lopes, 8 Out 11


A ladainha do "não há dinheiro" já me começa a chatear. Hoje num espaço de uma hora, ouvi a frase por Franciso José Viegas e Miguel Relvas. OK, caro leitor. Ele não está no meu, nem no seu bolso. Mas como não acredito no milagre da multiplicação dos peixes, também tenho sérias reservas sobre este novo fenómeno da evaporação do dinheiro. Algo me diz que ele anda aí, em correria desenfreada saltando do meu bolso e do de todos os contribuintes para os bolsos de outrem. Follow the money ...

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Momento Zen por Christine Lagarde

por Fernando Lopes, 30 Ago 11



O FMI encorajaria os Estados Unidos e a Europa a não reduzirem rapidamente as suas despesas públicas para não precipitarem situações recessivas. A diretora-geral aconselhou, ainda, o prosseguimento de políticas monetárias "estimuladoras".

A diretora-geral do FMI considerou como prioritário evitar a recaída na recessão do que endireitar à força as contas públicas no curto prazo, comentou a Eurointelligence. Viragem ao crescimento, em vez de austeridade, como prioridade, acrescentou esta agência europeia de informação. "Dito de um modo simples, ainda que a consolidação orçamental continue imperativa, as políticas macroeconómicas devem apoiar o crescimento."


Quem disse isto não foi nenhum perigoso esquerdista, mas Christine Lagarde, directora-geral do FMI. Publicado no Expresso. Ó pra ela a apontar o fracasso das políticas económicas liberais.

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Justiça para tótós

por Fernando Lopes, 24 Ago 11


Para o leigo em ciência jurídica, longe das nuances e manobras de bastidores, o fascinante é a celeridade da justiça na América. Incapaz de analisar se o nosso sistema protege demasiadamente o acusado, o facto de processos complexos como os de DSK e Madoff serem resolvidos em meia-dúzia de meses deixa-me perplexo. Pois se em Portugal até para uma operadora de comunicações móveis cobrar uma factura precisa levar o caloteiro a tribunal?!

Caso Madoff fosse português, estaria com termo de identidade e residência e os executores da justiça na fase de "elaboração do processo", ao que se seguiria a audição de cada uma das testemunhas e lá para 2100 sairia da excelsa cabeça dos Exmos. Juízes uma sentença esdrúxula que se veria contestada ad nauseam até ao Supremo Tribunal dos Direitos dos Responsáveis por Esquemas de Ponzi. Goste-se ou não dos métodos americanos, sejam eles imperfeitos ou não em relação aos nossos, um facto salta à vista. A justiça é célere e quem a procura pode esperar por uma sentença no seu tempo de vida! Que bonito seria se assim fosse em Portugal.

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Patriotismo viral

por Fernando Lopes, 27 Jul 11

Recentemente muitos portugueses, quais belas adormecidas, acordaram e em vez de um príncipe encantado depararam com o pesadelo em que se tornaram as agências de rating. Os mesmos portugueses que estenderam o dedo acusador ao vídeo "What the Finns Need To Know About Portugal", acusando-o de patriotismo bacoco, imprecisões históricas e o diabo a quatro divulgam agora um vídeo em inglês, com um locutor usando uma pronúncia upper class sobre a Moody's intitulado "We are not in the Moody's". Este patriotismo selectivo e circunstancial, enoja-me. O vídeo dos finlandeses como poderia servir de "muleta" a Sócrates foi maltratado, diminuído nos seus argumentos, analisado como uma peça a descartar rapidamente. Estes críticos fazem agora a manobra de propaganda inversa, amortizando o "murro no estômago" com imagens do 12 de março, casamento gay e outras. Não sendo um patriota circunstancial,  nem sobrevalorizando o patriotismo que amiúde esconde nacionalismos retrógrados e conservadores apraz-me registar o regresso ao bom-senso de ovelhas tresmalhadas pelo ódio a Sócrates. Back to basics, i.e. discutir ideias e propostas e não indivíduos.

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O sinistro Pacheco Pereira, tem mais um dos seus ataques de "lucidez selectiva". No abrupto revela um pouco do all you wanted to know about blogs but were afraid to ask.

"...blogues de facção, foram nos últimos anos um instrumento fundamental na propaganda do "passismo" no PSD, atacando com virulência Manuela Ferreira Leite, promovendo os seus, fazendo o sale boulot. Não admira que agora pareçam mansos cordeiros: é que chegou o payback time."

Seguem-se as nomeações:

"...
31 da Armada: Afonso Azevedo Neves, Carlos Nunes Lopes, João Villalobos

Albergue Espanhol: Afonso Azevedo Neves, António Nogueira Leite, Pedro Correia
Cachimbo de Magritte: Miguel Morgado
Portugal dos Pequeninos: João Gonçalves"

É claro que os fundadores da oeiras school of economics e uns jovens já crescidos mas que ainda que gostam de brincar à Guerra das Estrelas, acusaram o toque. Os do 31 da palhaçada  dispararam 14 postas de rajada, mostrando o visível embaraço que lhes causam as nomeações. A imprensa já não é o Quarto Poder. Foi-lhe usurpado pela blogosfera.

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