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Reaprender a sorrir.

por Fernando Lopes, 1 Abr 17

Tenho uma capacidade inata para me colocar na pele do outro, para «farejar» o sentir da minha gente, destes meus irmãos que vão para a fábrica às 6:30, que se deslocam para o escritório com marmitas coloridas, que vão para a escola vergados com o peso das mochilas, dos velhos solitários ansiosos por trocar dois dedos de conversa. Sinto no ar um ambiente mais distendido, a culpa por «viver acima das possibilidades» a escorrer para a sarjeta, lavada por estas águas de Março. Houve uma revolução? Nem por isso. As condições de vida melhoraram substancialmente? Não o noto. Há menos desemprego? Só mesmo um pouquinho. Se outro mérito não teve, este governo devolveu-nos uma pitada de esperança, pequenas doses de auto-estima, cortou a gordura da culpa e deitou-a fora. Passos apostava na auto-flagelação desta gente humilde, a quem disseram que ter um pequeno apartamento nos subúrbios ou passar oito dias de férias em Benidorm era coisa de ricos, reservada aos tipos ricos e loiros do norte, poupados e trabalhadores, enquanto gastávamos o que não tínhamos em álcool e mulheres. As palavras de Dijsselbloem preocupam-me tanto como o zurrar de um asno, o facto de os portugueses se incomodarem com a diatribe deste cretino é um sinal ténue desse amor próprio reencontrado. Existem poucas coisas que me deixem mais feliz que ver estas pessoas simples, trabalhadoras, a reaprender a sorrir.

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4 comentários

De Fernando Lopes a 03.04.2017 às 19:07

Não penso que exista um padrão para o romantismo. Digamos que és uma «romântica peculiar». Não o somos todos?

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