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Pudor retroactivo.

por Fernando Lopes, 15 Jul 16

Nos meus tempos de jovem – a long, long time ago – existia uma espécie de raparigas que definiria como «virgens retroactivas». Podiam ter dormido com dezenas de marmanjos, ter imitado a Cicciolina nos balneários de uma equipa de futebol, mas quando arranjavam caso sério tomavam banho instantâneo de pudor. Nunca viram, nunca fizeram, nunca sequer tocaram noutro homem que não o seu amado. Uma forma de reinventar a história como qualquer outra. Riamo-nos e deixávamos passar, fazendo prova séria da virgindade da moça, mesmo que vários de nós tivéssemos comprovado in loco que assim não era.   

 

Julgava eu que a virgindade ou pudor retroactivados eram coisa do passado quando levo um estalo de realidade. Num dos sítios onde costumava tomar café, havia – e há – uma rapariga loira e gordita com quem costumávamos brincar por ser do Benfica. Diga-se em abono da verdade que o toque de peixeira, avantajado das carnes, russo mal tratado do cabelo, são capazes de tira «ponta» ao mais afoito. Em resumo, mulher sem interesse nenhum.

 

Ora a dita cuja arranjou namorado ou marido e automaticamente deixou de conhecer outro homem que não o seu «esponjo». Hoje, quando ia tomar café e me preparava para lhe dar as boas tardes, a coisa vira-me a cara. Estive para a deixar envergonhada frente ao marido, namorado, ou lá o que é.

 

- Então não se cumprimentam as pessoas, vira-se a cara? Foi essa a educação que lhe deram, ou agora os clientes do café já não são seus conhecidos?

 

Respirei fundo dez vezes e ignorei, podia vir o macho armado em paladino e não me estava a apetecer andar à estalada. Também não valia a pena gastar cera com tão ruim defunto, mas alguém me explica porque é que estes atavismos ainda subsistem numa mulher que seja?

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12 comentários

De Carlos A. de Carvalho a 15.07.2016 às 21:15

E por acaso não são todas iguais ? Depois de ler , passei 1/4 de hora a rir e cheguei à conclusão que, quando estou com a minha digníssima dona , faço cara de paisagem quando cruzo com  as donzelas que trabalham comigo . Só as conheço, quando são desprovidas de beleza .

De Fernando Lopes a 15.07.2016 às 22:47

Carlos, conheço toda a gente, esteja ou não acompanhado pela minha mulher. Não conhecemos só gente feia, caramba homem, estamos no Séc. XXI. :)

De Carlos A. de Carvalho a 16.07.2016 às 15:28

Fernando , falas isso porque não conheces a minha amada esposa . Tem 1, 54 metro de altura e dois metros de língua . Quando morrer vão dois caixões , um para ela , outro para a língua . Diria que, ela é muito de maus figados mas , é a melhor mulher do mundo .

De Fernando Lopes a 17.07.2016 às 19:56

Mau génio é diferente de maus-fígados. As mulheres pequeninas são quase sempre «bravas», compensam o que lhes falta em tamanho com uma imensa energia. :)

De golimix a 19.07.2016 às 08:28

ImageMuito bem!

De redonda a 17.07.2016 às 00:35

Que atitude estranha...será que ela não terá adivinhado e não estará mas é a reagir ao "Em resumo, mulher sem interesse nenhum"?

 

De Fernando Lopes a 17.07.2016 às 19:56

Gábi, só tem um nome. Falta de chá. 

De redonda a 17.07.2016 às 00:35

E também pode ser míope e estar sem óculos e sem lentes...

De golimix a 19.07.2016 às 08:31

Isso acontece-me é com algumas pessoas. Sem estar relacionado com a "virgem retroactiva", pessoas que só conhecem quando lhes dá jeito! Que só cumprimentam às vezes. Ó que irritação que isso me causa!!!

Quanto a essa miúda, realmente não merece o chá que lhe irias entornar!

De Fernando Lopes a 19.07.2016 às 12:39

A minha avó tinha uma frase definidora: "O que o berço dá a tumba tira" .

De Genny a 19.07.2016 às 10:05

Bom dia, Fernando!
Mais uma que só "conhece" as pessoas quando dá jeito. Enfim......

De Fernando Lopes a 19.07.2016 às 12:40

Para estes casos "a coisa mais linda é o desprezo".  ;)

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