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Promessa.

por Fernando Lopes, 22 Jul 16

Expressar-se através de alguma forma de arte é sempre uma necessidade interior e individual. Não tendo a pretensão que escrever num blogue é uma forma de expressão artística – estou absolutamente seguro que o não é – a necessidade de comunicar é do indivíduo, sobretudo consigo mesmo, reflectindo ou revivendo episódios através da escrita. A maioria de nós dá uma importância absolutamente despropositada à merda que escreve. Tendemos a fazê-lo para o que supomos ser um público, como se o mundo ficasse mais pobre sem nós e o nosso canto. Também tive ilusão de valorizar as visitas, pageviews, e essas tretas. Depois cresci, percebi que é um instrumento que pode eventualmente interessar a um ou outro, mas é sobretudo uma forma de individualidade. Se muita gente gostar, óptimo, se não, tudo bem na mesma. Termos noção da nossa infinita pequenez, da importância que não temos, é uma forma de liberdade sem igual. Escreves não para agradar ou confrontar, apenas porque te apetece. Se como eu, fazes um diário, tens de ter a capacidade de te expor. É essa a tua forma de dar, assumindo fragilidades, manias, tristezas. Os leitores são muito mais espertos que tu, sabem à primeira se estás a ser autêntico ou não. Escrevo isto, porque pela primeira vez em muito tempo estive a olhar para as estatísticas do Purgatório. Parece que há muita gente que gosta, fico feliz. A única promessa que faço é manter a autenticidade, chorar quando tiver vontade, rir sempre que me apetecer, ser confessional quando assim tiver de ser.

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14 comentários

De alexandra g. a 22.07.2016 às 19:16

:)
que texto tão bonito, mas já sabias que - os que te lemos - gostamos muito de ti (isto soa estranho, gostar de desconhecidos, mas talvez resida aí o segredo da estranheza: vamos aprendendo devagarinho as pessoas e, como dizes, elas sabem ler os sinais, detectar dor/prazer não evidenciados, ou 'simplesmente' uma observação aparentemente desprovida de quase tudo, quando, de facto, está cheia de sentidos: sim, sentidos, que as leituras não se fazem a uma só voz, antes a várias).


És um fixe :D

De Fernando Lopes a 22.07.2016 às 19:35

Dez leitores encontrarão dez sentidos, dez detalhes, dez contra-luz. É essa a beleza da coisa, chutas prá frente sem expectativas mas com genuinidade, a tua versão passa a apenas mais uma. As palavras têm o poder supremo de mais que criar afinidade, gerar cumplicidade, por isso não é estranho gostarmos do outro sem nunca o termos visto. Também eu sinto isso. 

De Genny a 22.07.2016 às 20:49

Eu gosto bastante!
Bom fim de semana, Fernando! 

De Fernando Lopes a 22.07.2016 às 22:42

Obrigado, Genny.

De Pseudo a 22.07.2016 às 23:08

Eu também gosto bastante do que escreves quando te apetece, com genuidade. Não és de modas e isso satisfaz-me aqui. :)

De Fernando Lopes a 23.07.2016 às 09:40

Gostava de pensar que tanto a nível pessoal como na escrita tenho um estilo, no sentido de ter um modo próprio, mas modas não é, de facto, comigo. 

De Gaffe a 23.07.2016 às 00:17

Eu gosto sempre.

De Fernando Lopes a 23.07.2016 às 09:43

As mais das vezes não me sinto nada satisfeito com o que escrevo, mas acho que já aqui disse que o que é importante é menos escrever «bem», mais conseguir transmitir sentimentos. Se conseguir isso já não é nada mau. 

De Carla a 23.07.2016 às 01:11

É isso mesmo que sinto em relação aos blogues.
E por mais que o afirme, parece que me lêem constantemente o contrário.
O meu é processamento emocional e reservo-me o direito de pôr nele o que bem quero. Se me arrepender, apago, mesmo que seja uma entrada cheia de visitas e comentários.


Uma beijoca repenicada em ti (sempre com muito respeitinho, que é bonitinho e tal :)

De Fernando Lopes a 23.07.2016 às 09:47

Processamento emocional é uma boa definição. Catarse é outra. Já escrevi muitas coisas agressivas, outras injustas, erros monumentais de avaliação. Que se lixe, era o que sentia no momento. 


Sou um beijoqueiro e mimalho, aceito de bom grado a beijoca repenicada. :)

De redonda a 23.07.2016 às 22:44

Eu gosto e gostei dessa promessa :)

De Fernando Lopes a 24.07.2016 às 12:54

Obrigado, Gábi. É para cumprir.

De pimentaeouro a 24.07.2016 às 15:59

Escrevo com a modéstia que refere sabendo que o mundo continua a girar e a vida continua a correr, todavia aquilo que escrevo tem a «intenção» de ser útil a alguém... sem ser guia espiritual. Manias...

De Fernando Lopes a 24.07.2016 às 19:54

É perfeitamente legítimo. Cada um de nós tem os seus objectivos e motivações, e isso e apenas isso é o que importa.

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