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Pequenos monstros competitivos.

por Fernando Lopes, 27 Mar 14

Ser criança hoje é muito mais difícil que há 40 anos. A minha filha, no 3º ano já sofre da «angústia dos testes». A escola do meu tempo era baseada na memória, não no raciocínio. Debitávamos conhecimentos – aprendi p. ex. todas os apeadeiros da linha da Beira, eu que nunca pus os pés em Moçambique. Hoje os miúdos são colocados perante problemas e testa-se a sua autonomia e raciocínio, não a memorização.

 

Não sou de todo um especialista em educação, mas tenho a ideia que a escola prepara-os mais para pensar que para decorar e isso é bom. Terão menos conhecimentos enciclopédicos que se recordam e desmemoriam enquanto o diabo esfrega um olho.

 

O espírito competitivo é muito maior, as exigências dos pais também. A Matilde chorou de frustração quando tirou um “suficiente” a matemática, no meu tempo o importante era que passássemos de ano. Sou incapaz de avaliar se o ensino é melhor ou pior, sinto no entanto que estamos a roubar a infância às nossas crianças. Exigimos mais, a escola exige mais, as crianças brincam e socializam pouco, têm imensos trabalhos de casa, perde-se o lado lúdico e descontraído da infância. Será que estamos a criar seres humanos ou pequenos animais de competição? 

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10 comentários

De Ana A. a 29.03.2014 às 13:23

"Será que estamos a criar seres humanos ou pequenos animais de competição?"

Cabe aos pais/encarregados de educação zelar para que isso não aconteça. Estimulá-los a darem o seu melhor, seja em que área da vida for, é o suficiente, penso eu.

Abraço solidário. ;)

De Fernando Lopes a 29.03.2014 às 18:58

Ana,

Não são só os pais que determinam a educação de uma criança: os professores, os colegas, a envolvente social também têm influência, e esses não não conseguimos controlar. É difícil, a Ana sabe.

Abraço.

De Ana A. a 30.03.2014 às 12:06

Do que eu falo, é da criação e manutenção de um "centro de gravidade interno", que nos ligue ao que realmente importa em termos humanos, que apesar dos ventos e marés, nos ajuda a não perder o pé, do essencial. Estou certa que somos muito menos manipulados, se soubermos o que queremos e como o queremos.

De Fernando Lopes a 30.03.2014 às 22:03

Difícil mas exequível.

De golimix a 30.03.2014 às 19:50

Acho que ser competitivo também varia com a nossa personalidade. Eu chorava se tivesse algum suficiente na primária, depois, felizmente, passou-me. Lutei para ser a melhor da turma e tive motivos para isso, uma história que um dia contarei...

O meu filhote preocupa-se, mas sem exagero, embora também já chorasse numa entrega ao não tirar a nota para a qual achava que sabia, mas porque ficou frustrado e zangado consigo mesmo. Coube-nos trabalhar isso em casa com ele. Mas exigimos trabalho da parte dele, pois parece-me que o mundo é competitivo sim, e tem que se ter capacidade de trabalho e deve-se pelo menos tentar aproveitar as oportunidades que se tem e há muitos jovens que não têm oportunidades de estudar e os nossos têm.

Tudo sem exageros.

Mas que o ensino está melhor do que era na nossa altura? Sem dúvida! Principalmente a matemática. Se calar se fosse agora eu até viria a gostar da coisa.

De Fernando Lopes a 30.03.2014 às 22:06

Procuro desvalorizar os «insucessos», explicando que fazem parte do percurso, até porque a criança é muito insegura. Mas dói ver a pressão a que está sujeita em idade tão jovem.

De golimix a 31.03.2014 às 08:46

Essa pressão às vezes irrita!

De Fernando Lopes a 31.03.2014 às 18:54

São os rankings. Desde que passaram a existir, todos competem para ficar bem na fotografia.

De Isa a 31.03.2014 às 15:13

a minha filha sofre desse mal, não por pressão nossa, mas ela própria impõe-se a tirar boas notas. Por vezes, não consegue e fica numa tristeza sem fim. Quando vou às reúniões dos pais, eles falam sempre nestas questões das notas...por isso ser importantes neles. Não é o meu caso que nunca exigi. Apenas peço que devem cumprir, no mínimo, uma nota razoável.

De Fernando Lopes a 31.03.2014 às 18:57

Eu também não exijo mais que o razoável, mas como explicava à Golimix , no ensino em geral e no privado em particular as escolas são escravas dos rankings e os miúdos é que sofrem. Chegam a existir «colégios da moda» porque os alunos entram para os cursos mais procurados, logo, maior negócio, mais alunos, propinas mais caras.

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