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Talvez por estar a ficar entradote, recordo-me de algumas lojas e serviços que existiam na minha infância. Não sendo nostálgico, uma simples frase, publicidade, deixa, trazem-me à memória coisas de antanho e colocam-me um sorriso pateta na face. Falam na televisão de um serviço de entrega de pão ao domicílio e logo recordei a padeira que percorria Álvares Cabral com uma longa canastra em forma de piroga, deixando o pão aqui e ali num saquinhos de pano, quase todos eles com motivos regionais. Ainda hoje ocasionalmente faço compras na mercearia fina «O Pretinho do Japão», na Rua do Bonjardim, onde fui muitas vezes pela mão da avó. Recordo também que os avós encomendavam – e encomendar é o termo – os sapatos na «Sapataria Danilo». Quando miúdo já era um local para velhos, mas dizia-me o avô que os sapatos eram quase indestrutíveis Era só escolher o modelo, pois as medidas do pé estavam arquivadas na loja e os sapatos eram feitos à mão. Sorrio ao lembrar a «Casa Christina» e o café de diversas proveniências e em peso sempre igual, misturado, que era levado num cartucho de papel para fazermos um café de cafeteira e que tinha o melhor cheiro do mundo. Recordo todas estas coisas e tenho saudade de um tempo em que se consumia devagar, nos mesmos sítios, atendido por gente que nos conhecia. Parece ontem e tudo se passou há mais de 40 anos.

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15 comentários

De alexandra g. a 25.05.2017 às 21:58

Mil carambas, a minha infância foi tão diferente: anonas, mangas, pencas enormes de bananas, atum fresco, a puta da marmalade vinda da África do Sul (e as fatias de pão que o meu mano Luís e eu atirávamos para trás do frigorífico e eram descobertas nas limpezas de Primavera:).


Não sinto saudades de nada disto (ok, o atum fresco, er,...), mas compreendo essa nostalgia por aqui partilhada.
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(little secret: vinde viver para o 'interior desertificado' e vereis como muito disso se mantém ainda  e, ah!, ainda nos oferecem fruta fresca, repolhos, vamos também aos limões, cujo sumo congelamos em sacos para cubos de gelo, you name it )

De Fernando Lopes a 25.05.2017 às 22:26

Também a tua é uma nostalgia. Voltamos sempre aos cheiros, sabores, locais de infância - vê a minha história com Cedofeita. 


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Sou um grande fã do interior desertificado, já estou cheio de saudades de Arcos de Valdevez. 


De alexandra g. a 25.05.2017 às 23:12

não tens razão, tens é emoção :)
e eu tenho mais saudades tuas do que das anonas e da puta da marmalade, que o atum fresco já existe nos mercados :P

De Fernando Lopes a 26.05.2017 às 00:41

Numa frase, toda uma síntese. Sou, de facto, muita emoção e pouca razão.


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Miss you too, mas esta estrebaria exige alguma contenção. :)

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