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Talvez por estar a ficar entradote, recordo-me de algumas lojas e serviços que existiam na minha infância. Não sendo nostálgico, uma simples frase, publicidade, deixa, trazem-me à memória coisas de antanho e colocam-me um sorriso pateta na face. Falam na televisão de um serviço de entrega de pão ao domicílio e logo recordei a padeira que percorria Álvares Cabral com uma longa canastra em forma de piroga, deixando o pão aqui e ali num saquinhos de pano, quase todos eles com motivos regionais. Ainda hoje ocasionalmente faço compras na mercearia fina «O Pretinho do Japão», na Rua do Bonjardim, onde fui muitas vezes pela mão da avó. Recordo também que os avós encomendavam – e encomendar é o termo – os sapatos na «Sapataria Danilo». Quando miúdo já era um local para velhos, mas dizia-me o avô que os sapatos eram quase indestrutíveis Era só escolher o modelo, pois as medidas do pé estavam arquivadas na loja e os sapatos eram feitos à mão. Sorrio ao lembrar a «Casa Christina» e o café de diversas proveniências e em peso sempre igual, misturado, que era levado num cartucho de papel para fazermos um café de cafeteira e que tinha o melhor cheiro do mundo. Recordo todas estas coisas e tenho saudade de um tempo em que se consumia devagar, nos mesmos sítios, atendido por gente que nos conhecia. Parece ontem e tudo se passou há mais de 40 anos.

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15 comentários

De lucilia a 24.05.2017 às 22:05

Lembro-me de ir à mercearia e ficar a observar a Ti Adília a fazer a embalagem do café -papel grosso, cinza, ela enrolava aquilo com uma perícia depois fechava .não de qualquer maneira -era assim aos bocadinhos (não sei explicar) ficava um cone -adorava ver aquilo.Olhe lá do que me foi lembrar. Nada de saudosismos -só do tempo parece que dominavamos mais o tempo -disso sinto muita falta, não fomos feitos para esta pressa toda.

De Fernando Lopes a 24.05.2017 às 22:25

A diferença era essencialmente essa, tínhamos tempo, os pais e avós também, quem vendia, igualmente. Era diferente, para melhor.

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