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O direito a não gostar de alguém.

por Fernando Lopes, 17 Dez 16

Sou um homem de pessoas, quem me conhece sabe que rapidamente estabeleço empatias, cumplicidades, sem que isso signifique algum interesse esconso. É o meu jeito. Num mundo em que os afectos são tão efémeros quanto os interesses, convencionou-se que temos de gostar todos de todos, como se o planeta fosse uma infindável fraternidade. Não é. Tem mais traição, ódio, intriga, que lealdade, amor, frontalidade. Na escola, no trabalho, nas relações sociais não afectivas – e daqui excluo esse meu porto de abrigo que é a amizade – todos esperam que gostemos de todos. Perdoem-me, mas existe gente de que gosto de não gostar. Em alguns casos tenho boas razões para isso.

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30 comentários

De Mula a 17.12.2016 às 21:54

Não gostar de alguém só comprova que somos seres com capacidade de pensar e com pensamento crítico e não animais. Somos todos diferentes, não podemos pensar por isso da mesma forma, não podemos por isso gostar todos do mesmo, e isso engloba pessoas. 

De Fernando Lopes a 17.12.2016 às 22:09

Concordo consigo, mas não é o que o «novo pensamento» preconiza. Está a despontar uma nova filosofia, chamemos-lhe «amiguismo», que acha que temos de andar todos aos beijos e abraços, na escola, trabalho, cafés, por todo o lado. Não gostar de alguém passou à categoria de politicamente incorrecto. Nos dias de hoje «As Farpas» de Ortigão ou grandes polémicas são impensáveis. 

De Ana A. a 18.12.2016 às 15:35

No campo profissional, e do que me é dado conhecer, as chefias não vêem com muitos bons olhos os amiguismos entre colegas, pois acham que devemos ser imparciais e, porque não, até "bufos", caso isso beneficie a empresa. Mas isso, era há uns tempos quando eu ainda estava no activo.
Ao contrário do Fernando, não cultivo o gosto de não gostar, porque isso me traz à superfície aqueles sentimentos por vezes mesquinhos que não apreciamos ter. Por isso, no que me diz respeito procuro evitar, sempre que possível, as pessoas que não gosto. E não sendo possível, convivo, com um nó no estômago!

De Fernando Lopes a 18.12.2016 às 17:10

Não cultivo o gosto de não gostar, dou-me esse direito que hoje é mal visto. Todos somos obrigados a estar com pessoas de quem não gostamos, basta ser educado e fugir o mais possível da toxicidade que transmitem. 

De belitaarainhadoscouratos a 20.12.2016 às 13:36

É essencialmente no trabalho e contam-se pelos dedos (e ainda bem), mas há daquelas pessoas que me fazem brotoejas só por ter que, civilizadamente, falar com elas...

De Fernando Lopes a 20.12.2016 às 18:28

Na minha vida, essas pessoas existem por todo o lado. Ignoro-as. 

De Carlos A. de Carvalho a 19.12.2016 às 11:16

Embora não seja um leitor da bíblia , sou partidário do olho por olho , dente por dente . Trato de acordo como sou tratado . Tem algumas pessoas ( poucas ) de quem não gosto no meu trabalho e a reciproca é verdadeira . 

De Fernando Lopes a 19.12.2016 às 18:29

Nisso, procuro ignorar. Como disse Gandhi «Olho por olho, e o mundo acabará cego».

De Alice Alfazema a 20.12.2016 às 08:27

De Fernando Lopes a 20.12.2016 às 13:00

De mami a 19.12.2016 às 19:05

reclamo constantemente o mesmo direito!
e perante a pergunta: por que?
respondo apenas...por nada! apenas não gosto!

De Fernando Lopes a 19.12.2016 às 20:30

Pelo direito inalienável a não gostar.

De mami a 19.12.2016 às 23:43

<br /> hasta lá vitória siempre! 🤗

De Maria Araújo a 19.12.2016 às 20:36

Quando não gosto mas tenho de conviver com a pessoa, falo o mínimo possível.
Mas não deixo de mostrar que não gosto.
Há pessoas que não suporto pela sua frivolidade, mesquinhez, mimo, sei lá. Tanta coisa.

De Fernando Lopes a 19.12.2016 às 20:46

O Manuel Jorge Marmelo tinha uma crónica fabulosa que se intitulava «A Coisa Mais Linda É o Desprezo». É uma espécie de mantra, que repito tantas, tantas vezes. 

De Fátima Bento a 20.12.2016 às 00:00

Não podia concordar mais. Acho que a vida nos ensina o suficiente para que decidamos respeitar-nos.
E respeitar-me não é, por exemplo,aguentar a 'estucha' de uma comemoração 'só porque é suposto', em nome nem sei bem de quê, em que até os outros na comemoração, nem conseguem passar do amarelo ao laranja os sorrisos.

Eu recuso-me a fazer fretes.Já não tenho idade para isso - só lamento não ter cortado com esses hábitos de auto-atropelo mais cedo...

De Fernando Lopes a 20.12.2016 às 07:28

Infelizmente, sou muitas vezes obrigado a «estuchar». Desenvolvi uma técnica: o corpo está, a cabeça vagueia. Até em cerimónias religiosas - sou ateu - a que ocasionalmente tenho que ir, a aplico.

De belitaarainhadoscouratos a 20.12.2016 às 13:35

é ao que chamo técnica do 'corpo presente'!

De Fernando Lopes a 20.12.2016 às 18:35

E que jeito dá.

De Fátima Bento a 20.12.2016 às 16:09

Eu também sou ateia. E sim, se tiver funerais ou casamentos, faço o esforço. MAS têm que ser pessoas de que gosto...

Mas se puder, corto raso. 


B'jinhos e bom Natal!!

De Fernando Lopes a 20.12.2016 às 18:35

Beijos e um Natal divertido, no fundo é isso que é importante. 

De aalmeidah a 20.12.2016 às 10:10

Tudo isso é verdade e não só em relação às pessoas como às coisas  e às causas. Mas porque vivemos num mundo onde quem ou o que não é politicamente correcto é atacado e até discriminado, para nossa própria protecção e defesa tendemos a usar uma capa chamada  hipocrisia e por isso dizemos não quando nos apetecia dizer sim, e vice-versa e vamos engolindo uns sapos quando o que realmente nos apetecia era enfiá-los a muita gente num sítio que cá sabemos.

De Fernando Lopes a 20.12.2016 às 13:03

Não posso deixar de concordar consigo.

De Loulou a 20.12.2016 às 14:26

Subscrevo as suas palavras!

De Fernando Lopes a 20.12.2016 às 18:33

Obrigado, ó sra. d. homónima de perfume. :)

De Anónimo a 21.12.2016 às 09:51



Bom Natal!

De Fernando Lopes a 21.12.2016 às 12:56

Obrigado. O mesmo para si.

De Maria G. a 29.12.2016 às 20:49

Só quem for muito hipócrita, é que não tem alguém que não goste.

De Fernando Lopes a 29.12.2016 às 21:10

Também acho. Esta nova mania «cultural» de que temos de gostar de todos, irrita-me solenemente. 

De Maria G. a 29.12.2016 às 21:53

Eu diria que é mais a «cultura» do, “fica bem” e do “cool”.



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