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Morto por dentro.

por Fernando Lopes, 30 Nov 15

Lentamente, apercebemo-nos que as palavras nada valem. Que a dor se instala e toma conta da alma. Há quem na angústia gere obras de arte, outros como eu, num exercício vão de onanismo tentam a catarse através de palavras, palavrinhas e palavrões que são imprestáveis. Quando algo se quebra em nós resta contemplar os cacos, como se uma visão externa se tratasse. Não existe remédio para esta ânsia de viver que tropeça nos sobressaltos da velhice. Melhor calar-me por ora, até que a vontade de viver e partilhar volte. Morram as ilusões, viva a ilusão!

 

Fecha-se temporariamente esta taberna, esperando que as obras de remodelação no taberneiro surtam efeito. Até sempre.

 

P.S. - Sem outras maleitas que não as da alma, agradeço a simpatia e carinho demonstrados. Porque sei que mesmo por entre o céu mais cinzento há sempre um raio de luz, não é isto um adeus, apenas um até breve.

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56 comentários

De O- negativo a 30.11.2015 às 21:49

Respeito, mas não concordo! Faça favor de se recompor e voltar!!! Tudo de muito bom, meu amigo se assim permite que lhe chame. Para si e os seus.

De Fernando Lopes a 01.12.2015 às 19:37

Um enorme abraço e obrigado pela confiança, Fátima.

De Linda Blue a 30.11.2015 às 22:47

Temporariamente, por favor — o tempo necessário para esse necessário renascimento.
Fico a torcer, e à espera.
Abraço xxl.

De Fernando Lopes a 01.12.2015 às 19:39

Linda, embora anafadito, um XL é mais que suficiente. Sendo em abraços, retribuo a dobrar.

De Ana A. a 30.11.2015 às 23:05

Em tempos adoptei o nickname Fénix, porque foi assim que me senti depois de um turbilhão que me atingiu!
Desejo de todo o coração que o Fernando renasça das cinzas e volte fortalecido!

De Fernando Lopes a 01.12.2015 às 19:41

A si, companheira sempre presente nesta longa viagem, um beijinho especial e um até já.

De Anónimo a 30.11.2015 às 23:27

Tenho-me sentido com alguma frequência assim, como o que descreves. Compreendo, portanto. Mas com pena minha que te leio no meio do mar frequentemente (agora do outro lado do mundo) sendo os teus posts uma companhia e a prova da existência do humor, da decência, desse teu linguarejar tripeiro e irreverente.


Passei por um período assim ao longo do Verão, de um certo desânimo e de sobrecarga de trabalho. Não sei se ajudará no teu caso, mas a melhor terapia que encontrei foi uma bicicleta de corrida. As encostas a norte de Oslo são tramadas mas depois da subida inicial que paraíso de florestas e prados, lagos e escarpas, sol e chuva...


Espero que o interregno seja curto, que voltes à escrita e ao contar do teu Porto.


Com um abraço de cá,

De Fernando Lopes a 01.12.2015 às 19:43

Soliplass , é uma verdadeira honra ter-te pelo estaminé, porque muito acima da escrita brilhante, admiro o homem.


Abraço.

De soliplass a 02.12.2015 às 00:08

Não é honra nenhuma, antes pelo contrário. Venho aqui com olhares de mendigo...


Creio que é numa biografia de Trygve Brateli (aquele que foi primeiro-ministro da Noruega no íníco dos anos 70 e que tinha passado pelo campo de concentração nazi de Sachsenhausen no seu périplo de prisioneiro de 43 a 45) que se conta que os prisioneiros que levavam colegas de cativeiro em estado terminal aos cuidados médicos no vilarejo próximo do campo procuravam nos cidadãos alemães com quem se cruzavam um olhar que fosse onde pudessem ver compaixão. Era importante ver em alguém um sinal de que continuavam humanos, que alguém se apiedava deles, que ainda inspiravam compaixão. 


O que escreves (se eles o pudessem ler nesse passado longínquo já e tão recente) poderia ser um substituto digno do olhar que procuravam no rosto de estranhos.

De Fernando Lopes a 02.12.2015 às 19:13

Obrigado companheiro, é dos comentários que mais me sensibilizou. Mas como sabes, a compaixão, o coração e os seus desatinos são simultaneamente a minha maior força e fraqueza. 

De henedina a 01.12.2015 às 07:38

Velho com pouco mais de 50? Fernando não me insulte. Conserte por dentro se for musculo by pass watever...se for depressão tome os comprimidos...se for cancro há tratamento...se for cirrose há tranplante...Se for medo...ha o abraço da sua mulher...se for qualquer deles...vou sentir imenso a sua falta e quando quiser mimo volte...se demorar muito tempo...responda a um dos meus comentários e terei um email e virei de imediato aqui. Beijo e as melhoras! Não deixe que nenhum médico faça de deus consigo...Não é do Porto?  Prognóstico prognósticos só no fim do jogo!

De Fernando Lopes a 01.12.2015 às 19:44

Há comprimidos para dores de alma, Henedina? Vou ali recompor-me e já volto.

De henedina a 01.12.2015 às 22:50

Há chama se carinho.Se houver deplecao de alguma substancia toma se para repor. Um passo de cada vez...um dia de cada vez...dar importancia as coisas mas a importância ser relativa. Animo.Boa noite! Bj

De Fernando Lopes a 02.12.2015 às 19:06

Muitas vezes um carinho insubstancial como o seu vale mais que a mais potente das medicinas.  

De henedina a 02.12.2015 às 20:29

Obrigada. Se ajudou fico contente! 

De Luís Coelho a 01.12.2015 às 09:15

Oh não... e agora?

De Fernando Lopes a 01.12.2015 às 19:46

Luís, é só um blogue suspenso num limbo. Agradeço-lhe profundamente os seus comentário, ideias, e sobretudo a capacidade de partilha.

De Genny a 01.12.2015 às 10:16

Bom dia, Fernando!
Que seja um retiro muito pequeno, por favor! Precisamos sempre de nos afastar um pouco, mas que não seja um até sempre.
Um grande abraço!

De Fernando Lopes a 01.12.2015 às 19:47

Sou um beijoqueiro, por isso Genny, um beijo repenicado. 

De Inês a 01.12.2015 às 10:34

Não consigo aceitar um "até sempre".
Estou com a Henedina. Ponha-se bom e ... até já.
Beijinhos
Inês

De Fernando Lopes a 01.12.2015 às 19:47

Obrigado, Inês. Mesmo.


Beijo.

De Anónimo a 01.12.2015 às 17:51

A próxima vez que estiver contigo garanto-te duas coisas de forte pendor físico: um forte abraço e um um tabefe suave...
Filipe coiso

De Fernando Lopes a 01.12.2015 às 19:49

Como o Santana, «estarei por aí», para receber os abraços e esquivar-me aos tabefes.

De Corvo a 02.12.2015 às 18:48

Boa tarde Fernando.
Se desaparecer definitivamente vou ter imensa pena.
O seu blog é um dos muito poucos, raríssimos até, onde encontrar mais valia numa blogosfera muito pobrezinha.
Um abraço.

De Fernando Lopes a 02.12.2015 às 19:17

É só um intervalo. Cheguei a um ponto em que já não gosto de nada do que escrevo, falta-me sempre «um pouco mais». Uma pausa, ler os outros, ver o rio descer para o mar, só vai fazer bem. 


Abraço.

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