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Morrer de amor.

por Fernando Lopes, 3 Nov 14

Oiço na rádio mais uma «estória» de um casal de idosos, que após seis ou sete décadas de casamento, quando um dos cônjuges falece, o outro apenas lhe sobrevive umas horas ou um dia. Enternecem-se as boas almas com estes amores até morte. Mesmo sendo um brutamontes, não sou insensível, também me comovo. Fiquei depois a pensar no entrelaçar de personalidades que as relações familiares provocam. Provavelmente, na minha ignorância da psicologia, estarei a escrever um enorme disparate, mas sempre tive a sensação que parte da nossa personalidade é apreendida por contágio. Muitas vezes tenho reacções idênticas às da avó que me criou, reconheço na filha modos meus, copiei da mulher pequenas manias. Pode o convívio de décadas, suportado por uma relação familiar ou afectiva, criar não apenas este cruzar de personalidades, mas laços invisíveis que uma vez quebrados façam com que o desgosto conduza a uma «morte por simpatia»? Quanto de nós é exclusivamente nosso ou adquirido e partilhado?

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2 comentários

De golimix a 05.11.2014 às 22:24

Por aquilo que tenho lido por aqui não me parece que sejas um brutamontes!


Na aldeia da minha mãe existiu um caso  em parecido mas com os animais de estimação a suceder-lhes. Morreu o marido, um ou dois dias depois a esposa, e depois a intervalos curtos o cão e até o gato.


E sim muito de nós não é nosso. 
Faz uma pesquisa rápida por "consciência colectiva", que embora não directamente relacionada dá para entender uma nesga essa questão do que temos de nós.

De Fernando Lopes a 05.11.2014 às 23:04

Sou rude. Como gosto de aprender estive a falar com uma colega licenciada em psicologia e o fenómeno está analisado, tipificado, e até tem um nome de que me esqueci. :)

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