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Lisonja.

por Fernando Lopes, 14 Nov 16

Apesar da minha provecta idade continuo a ser surpreendido por algumas fraquezas do ser humano. O tempo têm-me vindo a provar que praticamente ninguém é insensível à lisonja. Não estou a pensar em alguém normal, mas digamos, por conveniência, pessoas de inteligência superior. Na minha ingenuidade, um intelecto de excepção não cederia à «graxa», por mais elaborada que fosse. Puro engano. Por muito brilhante que seja, ninguém resiste a afagos no ego. Porque ele é enorme, e como uma sequóia, crescerá indefinidamente, ou por mais prosaico motivo; debaixo de toda a inteligência e argúcia, continua a existir alguém frágil e inseguro. Admiro poucos, lisonjeio ninguém, mas apercebo-me dessa debilidade transversal a todo o ser humano, do pateta ao erudito.

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11 comentários

De Ana A. a 14.11.2016 às 18:58

 "...apercebo-me dessa fraqueza transversal a todo o ser humano, do pateta ao erudito."

Sendo verificado em "todo" o ser humano, porquê a surpresa?!

De Fernando Lopes a 14.11.2016 às 19:01

Porque de alguns não esperaria tal. É um manifesto de desapontamento, se assim o quiser entender.

De alexandra g. a 14.11.2016 às 19:23

Não suporto a lisonja e há muitos anos repito que não cresci a toque, sequer, de elogio.
Quando me manifesto, como hoje (e noutros dias) o fiz, faço-o com a mais honesta integridade intelectual e - why not? - emocional. Saltito de blogue em blogue pelo prazer da descoberta, mas são mesmo poucas as pessoas que leio com regularidade indefectível, como naquela canção do vestidinho negro :D

Quanto à idade... proveta, sim és uma pessoa à espera de acontecer (uma pessoa também sabe ser mázinha :)

um abraço obeso

De Fernando Lopes a 14.11.2016 às 19:44

Um relato de uma desilusão é apenas isso. Habitua-mo-nos a admirar alguém intelectualmente e, de repente, levamos com isto nas trombas. Reality check! 


__________________________________________________________
Já não devia ter ilusões quanto à natureza humana, mas é mais forte que eu. 
Ingénuo, eu sei. 

De alexandra g. a 14.11.2016 às 19:48

Ingénuos somos todos, join the club! :)

Quanto a tudo o que me parece estar nas entrelinhas, calo-me, que a minha qualificação de intérprete tem as suas limitações.

(voltaste :D)

De redonda a 14.11.2016 às 23:41

Que provecta idade?!!! (e esta observação não é lisonja)
 Acho piada a alguma lisonja, quando é inteligente e com alguma ironia e não sou de lisonjear porque sou calada, quando é para elogiar tento dizer o que penso ou sinto e quando não é, aí prefiro mesmo ficar bem calada :)

De Fernando Lopes a 15.11.2016 às 07:42

Falo de lisonja no sentido em que dela procuras tirar proveito, como com um chefe por exemplo, que tu admiras, mas sensível a essa forma obtusa de elogio. 

De Anónimo a 15.11.2016 às 10:07

É por estas e não por outras que não te tenho dito quão esbelto estás.
Filipe das coivas partilhadas

De Fernando Lopes a 15.11.2016 às 19:29

Vai goza com o caraças, pá. 'Tás aqui 'tás a levar com um repolho nas trombas. :)

De Henedina a 15.11.2016 às 20:34

It is an injustice, it is ;). 
Fernando o pior não é a lisonja o pior é acharem que é normal este tipo de forma de obter privilégios. 

De Fernando Lopes a 15.11.2016 às 20:40

Tudo é normal nestes tempos que correm, Henedina. A graxa, a falta de carácter, o aviltamento, a hipocrisia, tudo o que antes era condenável é o «novo normal».

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