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Fugitivo.

por Fernando Lopes, 18 Out 16

palito.jpgFoto retirada da página de Manuel Palito no Facebook.

 

Sempre que se dão estes casos de fuga como o de «Manuel Palito», ou agora do «Piloto», o meu coração fica dividido. Se por um lado penso que devem ser apanhados, julgados e condenados se tal for o caso, por outro romantizo com a fuga e o individuo que durante dias ou semanas consegue escapar ao longo braço da lei. Há algo de western nestas escapadas que me faz ser infantil, extemporaneamente infantil.

 

Sou portuense, e os tripeiros não acatam bem a autoridade. Aqui, no calão antigo, um cocó de cão é um «polícia». Para ver o nosso respeito à ordem e lei. Já dei comigo a avisar «olhó polícia» e amigos de outras cidades procurarem o agente em vez de olharem para o chão para não pisarem o «presente».

 

Não será facilmente compreensível esta necessidade de torcer pelo mau, mas é da minha natureza. Mesmo quando o fugitivo é um assassino o meu inconsciente espera sempre que ele se evada pelo máximo tempo possível, dê água pela barba aos agentes. Depois existe a desumanização que os media fazem destes homens, dando-lhes sempre apelido. Foi assim com o «Palito», agora com o «Piloto». Isto faz-me torcer ainda mais por esta gente pouco recomendável. Perdoem.

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20 comentários

De alexandra g. a 18.10.2016 às 20:23

É muito provável que este texto tenha uma relação - também ela muito - directa com o texto anterior...


:)

De Fernando Lopes a 18.10.2016 às 20:37

Não sei, tendo sempre a torcer contra a autoridade. É carácter tripeiro e pessoal.

De alexandra g. a 18.10.2016 às 21:20

Hum. Acho que é mais generalizado do que possas pensar :)

De Fernando Lopes a 18.10.2016 às 21:27

Até tu, Alexandra, minha filha?(*)


_______________________________
(*) Bitaite de carácter histórico. :)




De alexandra g. a 18.10.2016 às 21:33

Tu não me digas que a tua mocinha linda, e da tua mulher - se chama Alexandra!? :D


_______
p.s. - a História é muito seca, vejamos, uma pessoa tem que estar sempre nas entrelinhas e a ler os concorrentes ao prémio da melhor interpretação (lembro-me de pensar nisto, com óbvio prazer, durante o curso para guia-intérprete :)

De Fernando Lopes a 18.10.2016 às 21:44

Nã. Mas o parricídio sempre me pareceu uma ideia interessante. ;)

De alexandra g. a 18.10.2016 às 21:53

Portanto. :)
Também eu tive problemas com o meu pai (militar, etc.), mas passei-lhe uma rasteira aos 18 anos, saindo de casa. Nada disto consiste somente em mérito próprio, mas é também um facto que não me passou pela cabeça que alguém na família me ajudasse depois do facto. Ajudaram, mas cobraram a vida toda, e estão agora a levar na pinha, ...


O meu pai era, ali entre os 12-18 anos, a 'sociedade'.
Não me parece que sejas nada disso, de resto, já aqui afirmaste que a tua menina te escolheu para um almoço (recordo bem?), 'preterindo' outrem.


Enjoy! :D

De alexandra g. a 18.10.2016 às 22:13

p.s. - tenho saudades do meu pai, que sei ter morrido com vários arrependimentos (aquilo, por ex., de considerar que as filhas não precisavam de estudos superiores - pausa para ahahah, quando fomos sempre alunas muito melhores que os manos e isto nada diz quanto à inteligência deles, de todo).


p.p.s. - abomino esta tentativa dos familiares maternos que ainda tentam, sabendo que não dá mesmo, cobrar hoje os gastos com a minha presença dita obrigatória, tóxicos. Até a minha minha mãe concede, nesta minha ausência de resposta :)

De Fernando Lopes a 18.10.2016 às 22:24

Não sei o que sinto em relação ao meu. Assunção Cristas defini-lo-ia como «incapacimento de sentir». É mau, mas é o que é.

De alexandra g. a 18.10.2016 às 22:29

Voltas a citar a Cristas e não volto aqui, hem! :)


Quem tem que perceber o que sente és tu, ninguém mais, qualquer outra história (é a tua, no matter how much it hurts or you pretend it doesn't).

De Fernando Lopes a 18.10.2016 às 22:38

Não é Cristas, é a que era reformada e presidente da AR, a do «inconseguimento».

De alexandra g. a 18.10.2016 às 22:40

Estás perdoado, são talqualmente inconseguidas, apesar daquela que tenta o lugar depois da CM de LX, isto é, 1ª Ministra :)

De Anónimo a 18.10.2016 às 23:50

Uma coisa é romantizar a fuga de um assaltante que, na calada da noite, arrebenta com a caixa forte de um banco (isto é de ter lido muita banda desenhada com o irmãos Metralha), outra coisa é romantizar um  assassino que mata a sangue frio. Crimes de paixão poderão ter alguma atenuante. Este  não. Para mim e apanhá-lo e castiga-lo sem apelo nem agravo. Detesto gente má. Posto isto... bj
mm

De Fernando Lopes a 19.10.2016 às 00:59

Compreendo perfeitamente o que dizes, não tenho nenhum desejo que um assassino escape. O encanto está na fuga, em como um homem só consegue arranjar mecanismos de sobrevivência e ocultação. Apenas isso.


Beijo.

De alexandra g. a 19.10.2016 às 01:40

devias tê-lo dito, assim como se ninguém tivesse percebido :)

De Anónimo a 19.10.2016 às 11:47

Quero que o marmanjo passe muitos e maus anos na prisa. Mas seguindo a tua acentuada inclinação para homens em fuga por montes e vales só lhe faltava uma companheira de vestido rasgado pelas silvas e rosto salpicado de medo temerário.
Filipe sem Bonnie

De Fernando Lopes a 19.10.2016 às 18:25

A ti, isto evoca-te os grandes cenários americanos, a mim uma espécie de série de sobrevivência mas à séria, não as do National Geographic.

De Carlos Azevedo a 20.10.2016 às 01:37

O episódio com o 'Palito' (não recordo o nome do fulano) foi bem revelador de um certo tipo de mentalidade que ainda persiste no país. Nunca esquecerei as palmas que recebeu quando finalmente foi capturado. Foi um daqueles momentos em que senti vergonha pelos outros.

De Fernando Lopes a 20.10.2016 às 07:28

É verdade que foi triste, mas estou convencido que as pessoas aplaudiam a fuga e não os crimes. De qualquer modo, mais valia estarem quietas.


Abraço.

De Carlos Azevedo a 21.10.2016 às 09:31

Ah sim, mais valia estarem quietas.
Abraço.

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