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Formigueiro.

por Fernando Lopes, 17 Out 16

Há uma espécie de morte em vida no facto de se cumprirem sempre as mesmas obrigações, tarefas, percursos. A monotonia mata-me a vontade. Seguem-se dias iguais, uns atrás dos outros, sem que neles descubra encantamento. Tudo me parece mover-se sem sentido aparente, como quando fazemos parte de um imenso formigueiro e seguimos as outras. Obreiras apenas, fazendo tão-somente aquilo que esperam de nós.

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17 comentários

De Genny a 18.10.2016 às 09:57

Nunca li algo que definisse tanto os meus dias como este texto...
Um abraço, Fernando!

De Fernando Lopes a 18.10.2016 às 10:25

Infelizmente, deve ser muito comum.


Abraço.

De Anónimo a 18.10.2016 às 10:57

A tua capacidade de ler pensamentos suscita em mim admiração e susto. Continua que descobrirei uma mistura satisfatória para tal dote.
Filipe espelhado 

De Fernando Lopes a 18.10.2016 às 11:25

Sou e o Professor Bambo, mestres do déjà-vu. :)

De Inês a 18.10.2016 às 12:16

É a realidade de quase toda a gente. As rotinas podem ser boas no sentido de trazerem (aparente) estabilidade. Eu tento quebrar algumas, mas tenho que fazer um esforço para isso, ou então quando dou conta, já está a engrenagem a funcionar igual todos os dias. Por exemplo, tenho alterado os percursos de e para casa. E sabe muito bem.
Beijinhos
Inês

De Fernando Lopes a 18.10.2016 às 12:33

Dizem os bifes "No news is good news". Talvez. Mas há algo de Sísifo nestas rotinas que nos consomem.


Beijo

De Ana A. a 18.10.2016 às 14:53

"No news is good news"! Grande verdade! 

Acredite que ao longo da minha vida, já desejei muito a falta de notícias...e senti um contentamento genuíno com a previsibilidade dos acontecimentos, a que se chama "felicidade bovina"! Mas isso sou eu, que nunca fui grande "consumidora" de adrenalina...:)

De Fernando Lopes a 18.10.2016 às 16:02

Depende da personalidade de cada um, Ana. Sou dado a grandes inquietudes mesmo sem motivo para as ter. Tontearias.

De Pequeno caso sério a 18.10.2016 às 18:56

Caro Fernando, 
há gente que encontra nas rotinas uma segurança "quentinha" . Esta que lhe escreve gosta /precisa delas. 
Este mundo está cheio de gente estranha, não está? 
; )

De Fernando Lopes a 18.10.2016 às 19:43

Engraçado, porque sou o oposto, sempre à procura de não sei bem o quê, não sei bem onde, não sei bem porquê, não sei bem quem. É esta diversidade que é interessante, enriquecedora, o outro, mesmo quando compartilha as nossas angústias, é sempre muito diferente. :)

De Anónimo a 20.10.2016 às 13:07

Eu sou mesmo das (muito) inquietas. E consegui durante anos e anos ter horários sempre incertos, actividades diferentes, novas coisas sempre a acontecer, adorava a vida que tinha, ainda que excessiva em termos profissionais, com demasiadas coisas e compromissos, mas às vezes aceitava convites para formações ou conferências só pelo gosto de ir a um local diferente, conhecer outras pessoas, etc. Agora tive que parar com tudo por motivo de doença. Mas até com isso a minha inquietude não parou, transformou-se apenas numa longa lista de livros para ler, amigos para falar, etc  Nesta matéria compreendo-o muito bem.
~CC~

De Fernando Lopes a 20.10.2016 às 14:48

This is a video response to ~CC~:


https://youtu.be/INpw3BaXVm4


De Anónimo a 22.10.2016 às 07:34

Gracias, gosto muito dele. Lá está, foi inovador, rasgou horizontes. Depois o corpo pagou como ele dizia na canção. Espero cuidar do meu ainda a tempo.
~CC~

De Fernando Lopes a 22.10.2016 às 10:43

Também adoro. Só um compositor de excepção conseguiria que vinte ou mais anos depois pegassem nas canções do baú e fizessem um disco como fizeram os «Humanos».

De Henedina a 22.10.2016 às 23:00

Confesso que rotina não é o meu quotidiano. Tive um homem que me deixou com o argumento: que ia voltar a rotina porque rotina também era bom.

De Fernando Lopes a 23.10.2016 às 19:37

Sem querer avaliar inocentes ou culpados, digo-lhe que conviver com alguém com o seu tipo de trabalho não deve ser nada fácil. Tem consciência disso, não tem?

De henedina a 23.10.2016 às 20:50

Sim, tenho. Com ele aprendi a desligar o telemóvel...infelizmente, não lucrou um único dia dessa resolução...foi posterior. :)

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