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Follow the money.

por Fernando Lopes, 16 Out 17

Este é um ano dramático em termos de incêndios, não tanto pela área ardida mas pela perda de vidas humanas. Ao leigo que vos escreve saltam dois factores à vista: o ano excepcionalmente quente e seco que potencia estas ocorrências – em 54 anos de vida não me recordo de 34º em meados de Outubro –, e a sua gravidade. Aquecimento global, incúria, crime, falta de ordenamento florestal são tudo razões que terão o seu peso. O tempo quente e os ventos do furacão Ofélia terão feito o resto.

 

Mas nos anos recentes criou-se a indústria do fogo. Quem ganha com ela?

 

- Quem vende equipamentos com ela relacionados (carros de combate, materiais, equipamentos, etc). É preciso que haja fogo para que se comprem novos equipamentos e carros, para que existam materiais cada vez mais sofisticados e caros, uma indústria que se alimenta da tragédia. Sem fogos, vende-se menos, negoceia-se melhor, compram-se equipamentos sem ser sob pressão. Recordo-me de ver uma notícia recente em que o governo tinha compra 20 e tal pick-ups sofisticadas para o ataque a fogos na sua fase inicial. Não deve ter saído barato, mas ficou bem nos telejornais, deu ideia que se estava a fazer alguma coisa.

 

- A industria do meios aéreos de combate ao fogo (privatizada, tornou-se um filão apetecível que é tão mais rentável quantos fogos houver. Não estou a imaginar quem lucra com o fogo a rezar para que ele não aconteça.

 

- Para a construção e algumas autarquias é economicamente interessante a construção de heliportos e similares.

 

- Muitos PDMs serão eventualmente reavaliados pelo que fogos junto de vilas e cidades – como ontem em Braga, só para falar da maior cidade – parecem-me corresponder a interesses imobiliários.

 

Sou radicalmente contra a privatização de meios de combate a incêndios e, curiosa coincidência, desde que tal aconteceu têm aumentado os fogos de ano para ano. Além das condições naturais que propiciam os fogos, cada vez que há lume também há bolsos mais cheios. Pensem nisso.

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7 comentários

De Fernando Lopes a 19.10.2017 às 18:59

E percentualmente muito menos eucaliptos e pinheiros.


https://sol.sapo.pt/artigo/546595/eucalipto-e-o-rei-da-floresta-nacional-

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    Esta não é totalmente surda, ouve muito mal mas re...

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    Tu és de pouco alimento, a despesa suporta-se bem....

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