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Eutanásia animal.

por Fernando Lopes, 10 Fev 18

Não tenho nenhuma certeza, sequer opinião, sobre eutanásia, excepção à minha, que tenho a ideia de praticar se algum dia a dor se tornar insuportável. Mas pode acontecer de me acobardar, agarrar-me à vida, a uma esperança inexistente.

 

Há uns anos tive de pedir que abatessem o meu cão, Fred de seu nome, que me acompanhou durante treze anos. Não estive com ele nos momentos finais, fugi dali a chorar. Hoje foi a vez do Lucky, um dogue alemão de catorze anos, cão da minha sogra. Como ninguém tinha coragem para o acompanhar, voluntariei-me. Nem um grão de arrependimento. Ao contrário do Fred, que estava catatónico, o Lucky ainda estava orientado. Reconheceu-me, lambeu-me as mãos, tentou deitar-se de barriga para o ar para lhe bater na peitaça como costumava fazer.

 

Decidi não chorar ou ser dramático. Afaguei-o, disse-lhe que era um cão grande e tonto, chamei-lhe feioso, exactamente como ele gostava que o mimassem num dia de sol.

 

Não houve drama, morreu sendo acarinhado e ouvindo-me murmurar-lhe ao ouvido – Lindo menino, o Lucky é lindo. Se passasse pelas mesmas circunstâncias, fá-lo-ia de novo. Partiu para o céu dos cães e deve estar nas correrias com o Fred.

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26 comentários

De Flor a 11.02.2018 às 09:37

Com o tempo, vamos aprendendo. Ou a carapaça se torna mais forte. Não sei. Já passei por aí, também já me controlo um pouco mais. Creio que aprendi a aceitar a inevitabilidade da vida.


Abraço

De Fernando Lopes a 11.02.2018 às 10:47

Acho que aprendi a aceitar a inevitabilidade que é a morte, e como, às vezes, só às vezes, é a única solução possível.

Grande abraço.

De Alexandre a 11.02.2018 às 11:41

Parabéns pelo texto, fez-me pensar num tema muito sério enquanto me deixou sentimental com a história pessoal.

De Fernando Lopes a 11.02.2018 às 12:58

Obrigado e um abraço.

De Joao Pestana a 11.02.2018 às 12:03

Ontem matei uma mosca que anda por aqui feita tonta, a coitada estava em sofrimento e pus-lhe fim à vida. Não sinto remorsos nem nada parecido, fiz a minha boa acção do dia. Hoje vou matar um galo e come-lo ao almoço, é a vida.

De Sarin a 11.02.2018 às 13:00

É a vida, sim. Nela cabe de tudo, de amebas a animais racionais, passando por lindas plantas e feios fungos e incluindo um ou outro híbrido - raros, mas de quando em vez lá topamos mulas e palhaços congénitos. As mulas são estéreis. O humor dos palhaços congénitos também.

De Maria a 11.02.2018 às 13:09

De certeza que o Lucky está com o Fred.
Tenho uma gatinha, a Bolota, com 17 anos e meio. Para já, está bem para a idade, mas, quando chegar a sua hora, quero estar com ela. Por muito que me custe... é a vida, por paradoxal que possa parecer.

De Fernando Lopes a 11.02.2018 às 13:18

Sobre estes temas pouco mais se pode dizer que banalidades. Morrer com dignidade e carinho é o máximo que se pode fazer, por pouco que seja.

Abraço.

De Luke Skywalker a 11.02.2018 às 16:09

Boa tarde,


Tal como o Fernando, também eu tive de pedir para o meu Husky, de seu nome Rudy, ser eutanasiado em Março de 2011.


Também não tive coragem de assistir aos seu momentos finais e saí do veterinário lavado em lágrimas porque embora soubesse que era o melhor para ele, despedi-me olhando-o nos olhos e vi aquele olhar de quem continuava a acreditar no seu dono. Gastei mais de 2.500 euros com ele na doença que o afectou (contraiu um tumor maligno no baço, foi operado na Faculdade de Medicina Veterinária de Lisboa, fez quimioterapia, teve de levar transfusões de sangue e, mesmo assim o sofrimento por que passou, e os donos passaram, foi demais. Se soubesse o que sei hoje, teria solicitado logo que fosse eutanasiado pois poupar-lhe-ia o sofrimento por que teve de passar e a angústia que vivemos.


Boa tarde.

De Fernando Lopes a 11.02.2018 às 18:26

Não se culpe, fez o que achava correcto. Provavelmente havia uma hipótese pequena de o Rudy se safar, tentou, ninguém o pode acusar de nada.

Abraço.

De mANUEL FREITAS a 11.02.2018 às 18:30

Hà um mes atrás passei por uma situação semelhante das relatadas aqui, tendo sido obrigado a pedir a eutanásia para a minha querida NINA, cadela arraçada de chiuaua que viveu connosco durante 17 anos. Acompanhou a meninice da minha filha  que hoje tem 20 anos. Foi mais doloroso, para todos nós, do que a morte de ALGUMAS pessoas de família; e continua a ser doloroso chegar a casa e não a ver  não a ver fazer as malandrices dela, não a ver junto da mesa a pedir comida. Apesar de doer muito , hoje voltava a fazer o mesmo.  Ela mereceu não sofre  mais. Abraço.

De Fernando Lopes a 11.02.2018 às 22:38

Nada a acrescentar a não ser deixar-lhe a minha compreensão e um sentido abraço.

De Anónimo a 12.02.2018 às 08:23

Reconheci-me neste texto, também eu tive de fazer essa dolorosa escolha mas sei que foi a melhor. O Robi foi eutanasiado a 2 de março do ano passado, 2 dias antes de fazer 5 anos, tinha um grave problema no coração. Também não fui capaz de me despedir dele e fugi cobardamente do veterinário em lágrimas. Tive imensos cães ao longo da vida, vi-os todos desaparecer ou morrer em casa mas nunca tinha sentido essa tristeza, foi traumatizante. Penso que desta vez houve mais revolta e frustração porque compramos o Robi a um criador de cães de gado trasmontano e penso que a doença dele era com certeza genética e nasceu certamente com esse maldito problema. Foi uma lição e a verdade é que tão cedo não quero ter outro cão, foi uma experiência marcante.

De Fernando Lopes a 12.02.2018 às 19:19

Certas raças de cães são propensas a certos tipos de doenças - displasia da anca, entrópio, ectrópio, torsão de estômago, etc. etc. São doenças que fazem parte do património genético dos animais, nada a fazer.


Abraço.

De Anónimo a 12.02.2018 às 09:53

Tomara eu que, quando morrer, alguém me diga ao ouvido que sou linda e me faça festa no cabelo... Cão sortudo!
BJ 
MM

De Fernando Lopes a 12.02.2018 às 19:20

Tu és linda, e não vais morrer tão cedo.


Beijo.

De Helena a 12.02.2018 às 10:03

Há dois anos, por sugestão do veterinário, tive de mandar praticar eutanásia na minha cadela de 9 anos, a Flausina. Provavelmente era mais velha, fui busca-la a um canil e disseram-me que tinha 5 anos, mas dado começar com tantos problemas de saúde quatro anos depois, poderia ser mais velha. Era um membro da família, o animal mais doce e querido que eu já vi. Ficou paralisada, já não andava, não podia ir à rua (tumor na coluna...). Não consegui acompanhá-la nos seus momentos finais. Fiquei a chorar, à espera, na sala de espera do veterinário. Até hoje me arrependo de não ter estado com ela naquela altura, a segurar-lhe a patinha e a dizer-lhe as coisas que você disse ao seu cão. Sofremos mais por não os acompanharmos do que a fazê-lo. Se fosse hoje, não hesitaria. 

De Fernando Lopes a 12.02.2018 às 19:22

A vida é um processo, aprende-se. Se tiver de ser terá oportunidade de encarar as coisas de modo diferente. Sem remorsos.

De Anónimo a 12.02.2018 às 14:51

Os cães, como sempre na sua natureza, pedem inevitavelmte uma dolorosa atenção de quem os trata quando se aproxima a fatídica hora. Os gatos, por outro lado, aparecem mortos sem se despedirem.
Filipe que prefere os últimos.

De Fernando Lopes a 12.02.2018 às 19:23

Grande verdade, Filipe.
Fernando com saudades destes pensamentos filipianos. 

De Flor a 13.02.2018 às 08:44

Olha que não, Filipe. Recentemente, tive de passar pelo processo com o meu velho gato e acredita, foi idêntico ao que já me tinha sucedido com dois cães. Pedi tanto para que ele morresse de morte natural.... 

De Fernando Lopes a 13.02.2018 às 11:32

Nunca tive gatos, tinha a mesma sensação que o Filipe. Agora tenho uma gata branca, arraçada de Bosques da Noruega e resgatada da rua, confesso que estou a adorar.

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    E tenha...um bom dia!

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    pois conheço....devo-me ter distraído com a jane b...

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    Lavei-as com grande dignidade, de saia curta e a c...