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Eterno retorno.

por Fernando Lopes, 14 Jun 17

Sabem os meus queridos leitores que a sopeira que existe em mim gosta de comédias românticas. São simples, acabam quase sempre em finais felizes, não te obrigam a questionar, pensar, apenas a fruir uma «estória» de cacaracá.

 

Ontem a emprega doméstica residente em Fernando pôs-se a ver um filme no AXN White. A historinha era sobre dois casais de namorados da faculdade que se (re)encontram uma década passada e inadvertidamente querem voltar ao passado em que já foram felizes.

 

Uma questão de treta que a todos assola. Fizemos bem em deixar a Maria e casar com a Carolina? Como teria sido? Somos felizes ou apenas conformados? E se? Perguntas sem resposta, as coisas mudam, as pessoas mudam, o tempo muda-nos. Ou talvez não. O que se busca neste reatar de relações passadas é a felicidade, a ingenuidade perdida, o verdadeiro amor? Incapaz de responder, deixo apenas questões à vossa consideração.

 

Como nota de rodapé, assumo que um dos meus livros favoritos é «O Amor nos Tempos de Cólera» a obra mais poética que conheço sobre a imutabilidade do amor e de como este nos pode salvar mesmo já quando nada o fazia prever.

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11 comentários

De Lucilia a 14.06.2017 às 23:03

Felicidade está sempre associada a uma relação (amorosa),mas será? Primeiro não deveriamos ser felizes sózinhos? E, não estará a.maior parte sózinha achando que está acompanhada? Digo eu porque isto cada um encontra o seu caminho, ou não! Nãa  sou "dada a conselhos nem "moralismos" cada um sabe de si mas parece.me que há muito ruido à volta para meditarmos sobre nós.um beijinho,Fernando

De Fernando Lopes a 14.06.2017 às 23:40

Dependerá de pessoa para pessoa, mas não consigo dissociar a felicidade do amor. 
Já dizia o Tom Jobim «é impossível ser feliz sozinho» 

De Lucilia a 15.06.2017 às 00:03

O Tom Jobim foi  generalista -um maravilhoso generalista!

De alexandra g.pt a 15.06.2017 às 02:35

Também é um livro que li e fiquei em espanto, daquele que perturba, em bom, muito bom. Pese a arrogância da rapariga, a verdade é que o espanto é inevitável, e o livro, já não sei quem o disse - às tantas, fui mesmo eu - alembra o Fausto. Cousas que alembram cousas são cousas importantes :)

De Fernando Lopes a 15.06.2017 às 12:33

Escrever bem sobre amor é difícil, normalmente as histórias de amor acabam por ser pirosas. Não é o caso, ou melhor, é um piroso com bom gosto. :)

De Anónimo a 16.06.2017 às 16:11

Um dos meus livros preferidos sem dúvida! E ainda hoje me pergunto porque não fiquei com o meu primeiro namorado com quem estive dez anos (comecei aos 16) e era uma espécie de alma gémea. Pergunto mas não sei responder mais do que "foram as circunstâncias". 
~CC~

De Fernando Lopes a 16.06.2017 às 16:17

Todos tomamos opções sobre as quais temos dúvidas. É "aquela certeza de não estar certo de nada".

De redonda a 20.06.2017 às 00:45

Também é um dos meus livros preferidos e o meu preferido do autor (muito mais do que Cem Anos de Solidão)
Como não deixei a Maria e não casei com a Carolina não faço ideia de como responder à questão, talvez faça parte de nós querermos simplesmente voltar a tempos em que fomos felizes, ainda que lá não estivesse Maria nenhuma

De Fernando Lopes a 20.06.2017 às 01:17

Éramos mesmo mais felizes ou apenas mais jovens e despreocupados? 

De redonda a 20.06.2017 às 02:02

olhando para trás, acho que sempre fui meio preocupada mesmo em criança (ainda que depois pareça que não eram preocupações sérias, para mim eram-o, cheguei a ter pesadelos uma ou duas vezes, o que comigo felizmente não é comum), mas lembro-me de uma altura em que fui mesmo muito feliz (pouco depois de ter começado a trabalhar e ter conhecido alguém muito especial)  e a essa altura gostaria de voltar

De Fernando Lopes a 20.06.2017 às 07:50

Compreendo-te, uma vez ou outra todos sentimos algo idêntico.

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