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Estupor da gaiata!

por Fernando Lopes, 27 Jan 16

No aniversário recente de um amigo, jornalista de méritos reconhecidos e acima de tudo uma excelente pessoa, tive o prazer de travar conhecimento com o Gonçalo Cadilhe. Para um turista com ambições a viajante é o mesmo que um muçulmano dar de caras com o profeta. O Gonçalo é um tipo discreto, com uma voz baixa, todo ele calma e suavidade. O meu oposto, já se percebeu.

 

Tendo-o ali à mão de semear, bombardeei-o com uma série de perguntas parvas a que já deve ter respondido um milhão de vezes. Em vez de me mandar bugiar foi extraordinariamente simpático e respondeu a todas as dúvidas. Já era admirador do viajante, fiquei também a sê-lo do homem.

 

Descobri nas redes sociais que será o guia de uma viagem à Namíbia. Parafraseando o saudoso Carlos Pinto Coelho, África- mãe, mãe-ventre, ventre-sonho, sonho-África. Por algo inconsciente, o meu fascínio por este continente parece interminável.

 

Cheguei à sala triunfante:

 

- Se o pai ganhar o euromilhões vai à Namíbia com o Gonçalo Cadilhe. Expliquei que era uma viagem de sonho, iria sozinho durante esses 15 dias.

 

- E tu aguentavas lá quinze dias sem ver a tua filha, ripostou a fedelha.

 

Sei que temos uma relação fortíssima, muitas vezes me senti um pinguim imperador, mas aquela autoconfiança excessiva caiu mal. Cortar um sonho ao pai? Achar que não sobreviveria sem ela uma quinzena? A Matilde é minha filha numa certa fragilidade e insegurança que partilhamos, raras vezes a vi tão afirmativa e segura do seu nariz.

 

Dei por mim a pensar que provavelmente estou a fazer um trabalho bom demais ao incutir-lhe autoestima, tanta que acha que não posso viver distante por um curto período.

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8 comentários

De Inês a 27.01.2016 às 19:43

Mas não é bom essa relação de cumplicidade em que não se acanha para dizer nada? Eu adorei!

De Fernando Lopes a 27.01.2016 às 20:34

Nesse aspecto é bom, mas tenho de trabalhar no sentido de lhe ensinar que devemos deixar os outros seguirem os seus sonhos, por muito disparatados ou impossíveis que nos pareçam. A paternidade como auto-aprendizagem. :)

De Fatia Mor a 27.01.2016 às 20:30

Não sei se será isso. Arrisco-me a fazer uma interpretação contrária. Ela é que ainda não sabe se consegue viver sem o pai durante 15 dias. Essa é apenas uma forma de lhe dizer isso, fazendo um processo de projeção da sua própria ansiedade. Dessa forma não tem que a reconhecer nem tem que lidar com a mesma...
Mas incutir autoestima num filho é sempre um bom trabalho e nunca será demais. A vida encarrega-se sempre de nos dar as nossas inseguranças. Precisamos de saber que há alguém que nos ama incondicionalmente, tal como somos, e que nos relembra das nossas capacidades. Orgulho e narcisismo não são autoestima... Essa reconhece sempre as fragilidades e faz-nos gostar de nós mesmos (passo a redundância) à mesma!

De Fernando Lopes a 27.01.2016 às 20:38

O teu ponto de análise é muito bem pensado. Muito provavelmente será um «não consigo estar 15 dias sem ti» encapotado. Acho que há coisas que são genéticas, sou inseguro, sempre fui, e involuntariamente transmiti-lhe isso. Mas estamos a trabalhar para melhorar. 
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De redonda a 28.01.2016 às 00:49

Pensei o que a FatiaMor escreveu tão bem (amanhã vou tentar descobrir mais sobre o blogue dela) que seria uma forma da filha revelar que ela é que iria sentir a falta do pai e que será um trabalho muito bom e não bom demais incutir-lhe autoestima e também fiquei a pensar como seria fazer essa viagem à Namíbia :) se eu ganhar o euromilhões também quero ir, mas antes gostava de ir ao Brasil, a Macau, a Goa, a Timor  e a Moçambique...a seguir podia ser a Namíbia...

De Fernando Lopes a 28.01.2016 às 19:02

Tenho uma fixação em relação a paisagens áridas. Consigo estar tanto a olhar para as dunas como para o mar, são faces opostas de uma mesma moeda. Ando a ver se consigo convencer a chefa a ir ao Sri Lanka, mas o tempo de voo e o pilim não ajudam. 

De Anónimo a 28.01.2016 às 11:22

Agora percebi quem manda nesse lar...
Filipe de certas e determinadas coisas...

De Fernando Lopes a 28.01.2016 às 19:03

A baixinha é a minha dona desde que nasceu, Filipe. Como nenhuma mulher foi e nenhuma outra o será. 

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    Esta não é totalmente surda, ouve muito mal mas re...

  • alexandra g.

    Uma bela albina, poderia ser gémea da gata da minh...

  • Fernando Lopes

    Tu és de pouco alimento, a despesa suporta-se bem....

  • Anónimo

    Com a poupança que tens tido nos almoços comigo e ...