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Dia 1- Chegada à ilha ocre.

por Fernando Lopes, 12 Jul 15

aviao.jpgAsa do velho A320 a iniciar a descida para a Boa Vista.

 

Feitas umas rápidas contas, chego à conclusão que mesmo não sendo o que pomposamente se designa por frequent flyer, já passei mais de duzentas horas da minha existência no ar. Poderia tal facto dar-me alguma descontracção relativamente ao acto de voar. Nada mais errado, tenho um medo quase irracional de me deslocar de avião, simplesmente, como em muitas coisas na vida, tento que o medo não me governe.

 

Escusado será dizer que me sinto mais seguro em aeroplanos novinhos em folha. Tal não aconteceu, e embarquei num A320-200 velhinho de trinta anos. Para aumentar a confiança, vejo umas palavras escritas numa mistura de caracteres latinos e cirílico que deduzo, e venho a confirmar mais tarde, pertencerem a um aparelho lituano.

 

Entretenimento a bordo é uma inexistência, nem sequer um daqueles monitores patetas que indicam o que sobrevoamos, velocidade e tempo estimado até à chegada. Surpreendentemente, dada a vetustez do aparelho, a viagem é de uma tranquilidade absoluta, sem sinal que se preze da famigerada turbulência.

 

Vista do ar, a Boa Vista é exactamente aquilo que imaginei e virei mais tarde a confirmar, um anacrónico pedaço de deserto, como que desprendido do Sahel, posto ali a flutuar, uns diriam por capricho da natureza, penso eu que por vontade dos deuses.

 

 

A cor dominante é o ocre, a cor do barro, pintalgado aqui e ali por esse monumento de resistência botânica que são as acácias. Cabras, mais que muitas, creio que vivem em estado semi-selvagem, sem dono ou obrigações outras que serem apanhadas e comidas de quando em vez.

 

O hotel tem inúmeros pequenos jardins, uma piscina debruçada sobre a magnífica praia de Chaves, é simpático, confortável, organizado em pequenas villas sem corresponder ao luxo de um verdadeiro cinco estrelas, mas ainda assim com qualidade mais que suficiente para umas férias descontraídas.

 

Damos um mergulho na piscina, jantamos e vamos para o quarto descansar. Tinha sido alertado por um site de viagens que, ocasionalmente, poderíamos repartir o quarto com uma ou outra aranha, mosquito e até uma espécie de baratas. O quarto estava rodeado por um enorme jardim, numa ilha deserta, pelo que, se é um paraíso para nós também o será para os insectos. Tivemos um visitante, que exterminei piedosamente com uma chinelada. Foi o único durante toda a semana. Porra, estamos em África, estes incidentes fazem parte do sal da viagem.

 

praia.jpgPraia de Chaves.

 

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14 comentários

De G. a 12.07.2015 às 09:04

Mataste o bichinho?!? :(


(Que mar maravilhoso. Dá umas braçadas por mim)
Continuação de boas férias!

De Fernando Lopes a 12.07.2015 às 11:20

G., regressei ontem ao final da tarde. Para lá não levei computador, tomei umas notas em papel ao final do dia, que irei reproduzindo. O bicho foi executado de modo indolor, nem soube o que lhe aconteceu. 

De golimix a 12.07.2015 às 09:51

Há anos que quero ir a Cabo Verde e nunca deu... Mas ainda há-de vir o dia! Image

Só essa areia da praia já abriu mais a vontade

De Fernando Lopes a 12.07.2015 às 11:25

Já tinha estado no Sal, há uns quinze anos. Este ano, Boa Vista. Tem muito mais que praia, mas para quem gosta de praia e mar, talvez a Boa Vista seja o ideal. Tem uma praia de 18 quilómetros sem um único hotel ou casa, só mar e dunas. Só lá chegas de 4x4, mas vale a pena.

De Maria Alfacinha a 12.07.2015 às 10:29

Ai que inveja! E que sôdade! Image
Aproveita para conhecer as gentes. É um povo fantástico.
E deixa-lhes um beijo meu Image

De Fernando Lopes a 12.07.2015 às 11:27

Já conhecia o Sal. Depois conto «estórias» sobre a gente e peripécias únicas.


Beijo.

De Alice Alfazema a 12.07.2015 às 13:44

Maravilha!Image

De Fernando Lopes a 12.07.2015 às 19:42

Iniciamos o modo resposta à Alice: Image

De redonda a 12.07.2015 às 20:33

Há anos estive no Sal, Santiago e S. Vicente e adorei.

De Fernando Lopes a 12.07.2015 às 21:27

Tinha gostado bastante do Sal, mas a Boa Vista é mais ao meu modo, deserto, mais deserto, mais deserto. ;)

De redonda a 12.07.2015 às 21:34

Parece mesmo muito deserto...
(quando em criança ia para a praia com as minhas irmãs - íamos de camionete com a minha mãe de manhã e voltávamos no final do dia) costumávamos brincar que estávamos no deserto à medida que a praia ficava vazia e parecia que o dia nunca mais acabava...)

De Fernando Lopes a 12.07.2015 às 22:07

Ainda vou publicar aqui na taberna imensas fotos da aridez da ilha, inclusive de um deserto de areia, o deserto de Viana. 

De Pedro a 13.07.2015 às 10:37

Bom dia Fernando,
parece ter sido uma bela viagem, a perceber pelas crónicas iniciais. Sugestão: colocar a tag "Cabo Verde" nos restantes posts, para podermos destacá-las em série :)

De Fernando Lopes a 13.07.2015 às 12:11

Ouço e obedeço, caro «Lord of The Blogs». ;)

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