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Desrespeito pelos desempregados.

por Fernando Lopes, 20 Mar 14

Embora aqui e ali surja um lampejo de esperança, quem está desempregado, independentemente das qualificações, raramente vê luz ao fundo do túnel. Hoje em dia a maior parte das ofertas de emprego surgem não através dos media convencionais, mas da internet. Pedem o envio de um curriculum via email. Tudo normal, a rapidez e simplicidade do meio, para ambas as partes, justifica-o plenamente. Mas empregadores ou empresas de RH adoptaram uma prática desrespeitosa para quem procura trabalho. Não enviam uma resposta. Seria expectável que fizessem uma mailing list e agradecessem, dizendo que às pessoas não tinham sido seleccionadas. Nada. Em cada cem empresas, uma tem essa delicadeza. E isso também diz muito sobre a sensibilidade de quem contrata e o apoio que irá prestar aos futuros colaboradores.

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13 comentários

De Ernesto a 21.03.2014 às 09:25

Não é bem assim. Já enviei dezenas de cv, e obtive duas respostas (ainda que negativas). Foram as únicas duas empresas para onde enviei cv que eram estrangeiras. Não partilho daquele sentimento de dizer mal de tudo que é português, e não quer dizer que não existam empresas portuguesas que enviem resposta, mas o facto é que: duas respostas = duas empresas estrangeiras; dezenas de cv enviados para empresas portuguesas = zero respostas.

De Fernando Lopes a 21.03.2014 às 11:02

Na minha modesta opinião, responder devia ser a norma, não a execpção, por questões de cortesia básica.

De Anónimo a 21.03.2014 às 15:22

Pois devia. Mas infelizmente não é. Só quis realçar que, se as empresas "de fora" respondem, talvez no futuro as nossas o façam.

De Ana A. a 22.03.2014 às 10:59

Fernando,

esses procedimentos estão em linha com a religião economicista vigente, que venera as deusas Produtividade e Competitividade. Assim, em nome delas, não se pode/deve perder tempo nem recursos com candidatos que não têm o perfil desejado. Não se trata de pessoas. Trata-se tão somente de resíduos, que por não terem as características convenientes, são tratadas, adequadamente, como lixo!

Precisamos urgentemente de nos descolarmos da era da robótica e regressar à Humanidade!

Abraço

De Fernando Lopes a 22.03.2014 às 11:51

Ana,

Infelizmente, assim é. Vivemos numa sociedade que por força da utilização das pessoas como matéria-prima as torna descartáveis. Não é novo, é aliás muito velho, perdeu-se foi um certo pudor que impedia que isto fosse tão óbvio.

Abraço.

De golimix a 25.03.2014 às 08:01

Falta uma dose de civismo, humanidade e cortesia.

De Fernando Lopes a 25.03.2014 às 18:57

Sem dúvida.

De JF a 26.03.2014 às 14:20

Haverá por aqui alguém que me possa dizer como é que se cria essa mailing list de forma automática, com as devidas excepções?

De JF a 27.03.2014 às 08:59

Tanto o primeiro link como o segundo, pressupõe adicionar manualmente os emails a um grupo e depois seleccioná-lo para enviar o email de agradecimento. Não era isso que pretendia. Perante, literalmente, centenas de cvs esta alternativa não é viável.

De Fernando Lopes a 27.03.2014 às 19:56

A única forma alternativa é colocar os emails num Excel e importar para uma mailing list.
Talvez isto possa ajudar.
http://office.microsoft.com/en-us/outlook-help/create-a-contact-group-from-a-list-of-contacts-in-excel-HA103145839.aspx

De alexandra a 26.03.2014 às 17:07

Também acho esses procedimentos intrínsecos ao fundamento mesmo do sistema. Somos mercancia que enquanto descartada, não merece qualquer vínculo de consideração. A consideração perde-se no ritual mercantil da pura circulação utilitarista de bens levando pelo caminho o correspondente envilecimento das pessoas. Estes dias lia um artigo bem substancioso em luzes, "A religião capitalista e o inferno" no que o autor, Francisco Pereña expressa assim:

Lo que provocaba nuestra ignorancia era, paradójicamente, el argumento de una cierta
sabiduría adquirida, entendida como progreso tecnológico, a la que llamamos
racionalidad. Por “racionalidad” se entendía ante todo el no cuestionamiento del
sistema, el egoísmo más torpe, la exaltación del interés mercantil, de las leyes del
mercado confundidas con la expresión misma de la razón y de la libertad. Confundimos
libertad y “libre mercado”. Así desconocíamos nuestra implacable condena como
mercancías. La mercancía era, como ya lo dijera Marx, el fetiche: lo que ignora la
servidumbre que encarna y que se exalta como ideal de la libertad y de la satisfacción
asegurada, del mismo modo que el fetichista cree tener asegurado su objeto de
satisfacción. Sin embargo, el fetiche carece de tiempo, es un ideal suspendido en un
instante eterno, expuesto a la mirada que no encuentra el hueco de la indigencia, una
mirada ciega que no admite otro entusiasmo que el fanatismo. El fetichismo de la
mercancía es el infierno, un sistema cerrado, global y totalitario que oculta el conflicto
psíquico y social que supone que quien produce la mercancía sea a su vez mercancía,
del mismo modo que el fetichista se sostiene en la ignorancia de que el objeto “total” de
la satisfacción esté escindido por el sujeto de esa “satisfacción”. Nada escapa al opaco e
insensible anonimato de la mercancía pero nadie se “siente” mercancía. Hasta ese punto
su supuesta racionalidad no es más que ceguera. El sistema capitalista empuja a un
comportamiento voraz que es pura y simple autofagia. Por eso cada vez que me refiero
al consumidor digo “consumidor-consumido”. Esta evidencia debe ser, sin embargo,
ignorada. Noam Chomsky lo llamó el “problema de Orwell”. Ningún sistema, ninguna
institución, podrían sostenerse si no es en la medida en que se elude su cuestionamiento.

O artigo é na íntegra interessante, não o colo todo por longo.

Um abraço e que assente bem a primavera.

De Fernando Lopes a 26.03.2014 às 19:15

"Confundimos libertad y “libre mercado”. Así desconocíamos nuestra implacable condena como mercancías." Uma síntese perfeita.

Obrigado, Alexandra.

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