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Da ignorância dos técnicos da Peugeot.

por Fernando Lopes, 15 Mar 16

Um diário não é composto de factos grandiosos, antes de pequenas observações e outros tantos nadas que nos espantam. O carro da minha mulher sofreu um ataque de nervos e de quando em vez, sem aviso prévio, desliga-se. Como isto é particularmente perigoso para quem anda na VCI, sujeitando-se ao esmagamento por camião TIR apressado, levámo-lo à Peugeot.

 

Três mil metros quadrados de oficina e nem um macacão, os funcionários da marca mais parecem os pilotos do Paris-Dakar com camisas azuis e brancas e logotipos à maneira.

 

Dois dias depois e face à ausência de contactos informaram-na que não sabem o que o carro tem. Dezenas de licenciados em engenharia mecânica, electricistas, recepcionistas – gosto do termo recepcionista nas oficinas, parece que levamos o chasso a um spa e não a arranjar – e ninguém sabe dizer de que mal padece o veículo. Meios de diagnóstico electrónico, maquinetas para tudo e para nada e o mistério permanece.

 

A minha mulher disse-lhes o óbvio: se não derem uma volta com ele não conseguem descobrir nada. Virá então um «experimentador» que mais não é que um funcionário que passeia os carros dos clientes a ver se descobre alguma anormalidade.

 

As oficinas reproduzem as empresas modernas; muito sainete, show-off à fartazana, mas ninguém percebe a ponta de um corno do que está a fazer, limitando-se a ler e actuar acriticamente perante os diagnósticos que aparecem no portátil.

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6 comentários

De Anónimo a 16.03.2016 às 10:47

Assemelha-se à minha consulta com duas cardiologistas que foram incapazes de descobrir o porquê de o meu coração dolorosamente apaixonado por vezes estagnar em assomos de tristeza...
Filipe da diástole

De Fernando Lopes a 16.03.2016 às 19:05

Filipe, todos temos os nossos momentos diastólicos seguidos do seu sistólico inverso. I'ts fucking life, man.

De Ana A. a 16.03.2016 às 11:15

É a nossa dependência tecnológica levada ao extremo: dispensarmo-nos de pensar!

De Fernando Lopes a 16.03.2016 às 19:08

Eu próprio sinto isso. Habituados a lidar com sistemas informáticos relativamente complexos, criamos hábitos de acriticidade no caso de alguma anormalidade. Depois respira-se, vai-se ver as mensagens de erro e só então se volta a reflectir. 

De Sandra a 29.03.2016 às 14:23

O meu Peugeot 206 da qual já não sou proprietária fazia isso. O mecânico (que não era da Peugeot, mas também nunca o vi de macacão) disse que era da centralina, Despachámo-lo antes que nos chateasse mais, mas informámos o novo comprador da "coisa"... Passados 3 anos com o novo dono nunca lhe deu a mosca... Nunca!! Acho que devíamos ter ido antes a um exorcista...

De Fernando Lopes a 31.03.2016 às 19:49

Era uma válvula de qualquer coisa... Custo total da reparação: 45 euros.

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