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Carochinha do Séc. XXI.

por Fernando Lopes, 8 Ago 16

Li num blogue feminino brasileiro a conversa da carochinha contemporânea. Constatava a jovem moça que tinha sido criada em igualdade com os homens, que prezava a sua autonomia, que saía quando lhe apetecia, com quem queria, tinha uma vida profissional de sucesso, carreira académica sem mácula, que via os homens como iguais. Tudo isto seria normal se não terminasse com algo do género «ninguém quer casar comigo porque sou independente e liberada». Não estando habilitado a falar por homens mais novos, constato a contradição de discurso entre a mulher livre e independente, que em simultâneo não abdica do jogo tradicional de papéis. O mundo mudou, a sociedade mudou, também os homens são mais independentes. Qualquer jovem macho é autónomo na sua vida profissional, sexual, doméstica. Muitos vivem vidas que se caracterizam pela prevalência do individual sobre o familiar. Não precisam, não sentem necessidade de uma família tradicional, de filhos. O mundo transformou-se numa procura de satisfação imediata, o investimento numa relação e posteriormente numa família é uma aposta de longo prazo que não motiva a maioria. Uma família significa abdicar do «eu» para pensar no «nós», e esse conceito de colectivo é cada vez mais frágil. Um tempo de individualismo gera pessoas individualistas. É pueril constatar que a sociedade mudou, os papéis de género também, e, no entanto, aspirar a um modelo de família tradicional.

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6 comentários

De Fatia Mor a 08.08.2016 às 19:15

Ora aqui está uma boa análise. Insistimos na transformação dos papéis e estatutos de género na sociedade, especialmente no tocante à mulher, mas esquecemo-nos que essa transformação implica, necessariamente, uma mudança no papel do homem, da estrutura familiar e da forma como vivenciamos as relações.
Não somos estanques, não vivemos isolados... Mas temos muito que caminhar até sermos capazes de viver com as consequências da mudança (mesmo que seja para melhor).

De Fernando Lopes a 08.08.2016 às 19:24

Não é preciso ser nenhum Durkheim para entender que a alteração de papel de um género tem impacto no outro. Há apenas trinta anos o número actual de famílias monoparentais, ou a adopção por homossexuais seriam impensáveis. As coisas mudam e nós mudamos com elas. Ou ao contrário. 


Beijo.


P.S. - Bom ter-te de volta.

De redonda a 09.08.2016 às 16:02

Parece-me estranho que possa haver por aí homens à procura de mulheres dependentes e não liberadas para se casarem com elas...

De Fernando Lopes a 09.08.2016 às 18:53

Existem pessoas que se sentem mais «confortáveis» quando têm algum tipo de prevalência (financeira, académica, etc) sobre as outras. E aplica-se tanto a homens como a mulheres. 

De Rita a 11.08.2016 às 08:56

Concordo com o texto, e espero que a longo prazo a evolução da espécie não ponha em causa a sua sobrevivência. A curto prazo não me choca muito, porque a "abundância" da nossa espécie está a pôr em causa a sobrevivência de todas as outras.

De Fernando Lopes a 11.08.2016 às 12:58

A adaptabilidade da espécie humana foi o que lhe garantiu a prevalência sobre as outras, não creio que corramos perigo de extinção. 

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    Esta não é totalmente surda, ouve muito mal mas re...

  • alexandra g.

    Uma bela albina, poderia ser gémea da gata da minh...

  • Fernando Lopes

    Tu és de pouco alimento, a despesa suporta-se bem....

  • Anónimo

    Com a poupança que tens tido nos almoços comigo e ...