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Bom povo português.

por Fernando Lopes, 14 Jun 16

Hora de almoço. Desloco-me ao restaurante do costume, onde servem comida honesta a preço módico. Sozinho, sento-me numa das mesas mais pequenas e peço à Taís – tenho a mania de conhecer as pessoas pelo nome – um strudel de alheira acompanhado de legumes cozidos.

 

À minha frente uma senhora vestida de modo simples, quase humilde, de cerca de 60 anos. Toca na garrafa plástica de água e esta tomba ao seu lado. Espero 5, 10, 15 segundos, depois levanto-me e volto a colocá-la ostensivamente na mesa. Como estava de preto suponho que pensou que era um dos empregados. Não me dirigiu um olhar, quanto mais um obrigado.

 

Pensei com os meus botões que poderia ter problemas de locomoção. Qual quê! Levanta-se lampeira e dirige-se à caixa para pagar.

 

É este o bom povo português, endémica falta de educação, nem a mínima noção de urbanidade. Ansiar por um país europeu, moderno, quando as gentes que o povoam assim são é utopia inalcançável.

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25 comentários

De alexandra g. a 14.06.2016 às 20:15

O "strudel" também não ajuda :)

De Fernando Lopes a 14.06.2016 às 20:17

Oh pá se soubesses como esta falta de educação básica me irrita!

De alexandra g. a 14.06.2016 às 21:12

Mas, Fernando, essa ausência de civismo, elegância no trato, delicadeza, reconhecimento, etc., é tão, mas tão internacional (bom, dos poucos lugares que conheço, Cabo Verde não entra no cômputo, até hoje: em regra, são de uma gentileza superior, digna, acolhedora, sem qualquer espécie de servilismo).


E têm uma sopa de peixe que ai, ai! :)

De Fernando Lopes a 14.06.2016 às 21:30

Sabes, sou meio africano por coração. Citando o MST «nem sempre viajei para sul, mas nada vi como o sul».

De alexandra g. a 14.06.2016 às 21:43

Gostei supinamente do MST quando laborava na Grande Reportagem. Depois, foi como se se tivesse apropriado do Sul... (tem esse lado agiota, se observares bem o seu percurso; nunca o conheci, mas sei de quem, e confirma-se).


Mas pronto, eu perdoo-te, és do Puarto e, se há coisa que adoro são os falares diferentes, ainda que digam/precisamente por dizerem rigorosamente o mesmo :)


Deixa que te deixe um a beijoca amiga (acho que nunca deixei).

De Fernando Lopes a 14.06.2016 às 21:49

Aceite e retribuída. Com gosto. 

De Ana A. a 14.06.2016 às 20:46

"É este o bom povo português, endémica falta de educação..."
...e o que é português é bom! ;)

De Fernando Lopes a 14.06.2016 às 21:05

Tão, mas tão bom. que até dá cólicas.


P.S. - Bom tê-la de volta.

De Carlos A. de Carvalho a 14.06.2016 às 21:22

Educação "depende" em que país moramos . Eu que moro no Brasil há mais de 30 anos , quando vou a Portugal acho tudo educado , limpo e cívico . Para mim , Portugal é o paraíso . Será que Freud explica ?

De Fernando Lopes a 14.06.2016 às 21:28

Compreendo o seu ponto de vista Carlos, não somos mais incivilizados que muitos. Porém, da minha gente esperaria o melhor, não o pior.

De Carlos Azevedo a 15.06.2016 às 00:39

Fernando, isso não sucede apenas com portugueses, longe disso. E eu não generalizaria do mesmo modo, embora já tenha visto situações semelhantes mais vezes do que gostaria. 

De alexandra g. a 15.06.2016 às 00:48

Carlos, repetes-me, e sem ser à Puarto.
Está mal :)

De Fernando Lopes a 16.06.2016 às 00:26

Eu sei, e isso desculpabiliza? Um grunho é um grunho, há-os em toda a parte. O que me entristece é o nosso IGP - Índice de Grunhos Per Capita - ser muito superior ao que seria desejável. 


P.S. - Não me digas que Inglaterra tem o mesmo IGP. Pelo pouco que conheço custa-me a crer.

De Carlos Azevedo a 16.06.2016 às 02:43

Fernando, eu não estou a tentar desculpabilizar o que quer que seja. Limitei-me a dizer que não é algo exclusivamente português. Quanto à Inglaterra, não sei se tem mais ou menos pessoas mal-educadas do que Portugal, mas tem muitíssimas. Sinceramente, nesse aspecto, não notei qualquer diferença. 

De Anónimo a 15.06.2016 às 11:31

Para rematar, tu não viste e eu estava a distância segura de ambos, expeliu uma escarradela para um canteiro com a frenética energia de um vesúvio em dia de não senhores.
Filipe observador de maus-costumes

De Fernando Lopes a 15.06.2016 às 19:07

Não sei porquê, mas não me surpreende por aí além. Uma boa escarreta coaduna-se com a personagem.

De redonda a 15.06.2016 às 14:29

Ela pode ser míope ou
estar afónica, ou
ter ficado envergonhada por um jovem atraente estar a apanhar-lhe a garrafa e não ter sido capaz de dizer nada, mas agora mesmo neste momento acalenta a memória do sucedido...

De Fernando Lopes a 15.06.2016 às 19:09

Gábi, minha querida, já não atraio ninguém desde os inícios dos anos 90. Nem míope, nem afónica, nem envergonhada, só mesmo mal-educada. 

De redonda a 15.06.2016 às 22:56

Não acredito! 
(gostei da resposta, está com piada e até rima :)


De Fernando Lopes a 15.06.2016 às 23:21

Diz o povo: «Quem rima sem querer é burro sem saber». :)

De alexandra g. a 15.06.2016 às 23:49

Ora bem, estamos muito mal, que temos na soma do teu post + recente teu comentário à redonda (nick tão giro :) uma valente escarradela no canteiro, a mesma que foi vista pelo teu filipe-companheiro-de-refeições...


Pá, a malta gosta de uma boa contradição, de um belo paradoxo, mas caneco, tem vezes quenãosefazsenãose!

De Fernando Lopes a 16.06.2016 às 00:31

Um grunho pode acumular sabedoria por via da cultura popular. Basta analisares clinicamente o meu caso. :)

De alexandra g. a 16.06.2016 às 00:45

ora, ora, pareceria uma daquelas séries made in the US of A, intermináveis, repetitivas, a psi de trazer por casa (bah, certo?)


e moi não vê tv, já viu q.b. (e, depois, quantas abordagens psi existem? hem , duh, hum?)


:)

De belitaarainhadoscouratos a 21.06.2016 às 09:25

Do resto não sei mas sei que li este post na passada sexta feira e tive que fazer strudel de alheira para o jantar! Juntei maçã, espinafres e pinhões e podes ver a receita num 'blogue perto de si' um dia destes :)

De Fernando Lopes a 21.06.2016 às 19:09

O que comi não tinha essa sofisticação. Grelos, alheira e folhado. Mas a tua mestria não está ao alcance de qualquer um. Até eu, que não sei estrelar um ovo, de vez em quando vou ao teu restaurante virtual. 
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