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Agora também deitas facas ao lixo?

por Fernando Lopes, 23 Set 15

7:20. Acordo e vou fumar um cigarro para o escritório. Cá em casa todos acordamos mal-dispostos, existe um acordo tácito para não trocarmos muitas palavras pela manhã. A minha mulher passa por mim com ar ensonado. Passado um minuto chama-me e diz-me a primeira frase do dia: Agora também deitas facas ao lixo? Assim, a  seco. Com as cascas de fruta tinha ido o utensílio. Estamos escravos de rotinas e tarefas. Certo é que saio às 7:55, vou levar a miúda ao colégio, regressando à escola às 18:45 para a trazer para casa. A minha mulher sai por volta das 8:00 e nunca regressa antes das 20:00. O escasso tempo que temos é para tratar de coisas práticas. Já compraste os cadernos da miúda? É preciso pagar o condomínio; Faltam-te medicamentos. Não sei quando é que nos deixamos aprisionar pelas grades da utilidade, certo é que tudo gira em torno do dia-a-dia. Não a culpo ou a mim, a culpa é de ambos e tem como madrinha a circunstância. Trabalha, paga as contas, toma conta da cria. Esta circularidade toma-me, toma-nos, conta do tempo e da vida. Provavelmente estaremos demasiado indiferentes ou demasiado velhos quando repararmos que este é um caminho sem retorno.

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40 comentários

De Anónimo a 28.09.2015 às 14:27

  Que tal ir fazer turismo rural?

De Fernando Lopes a 28.09.2015 às 19:04

Tenho a sorte de ter uma casita no campo. Vamos sempre com família e amigos, mas sempre se vivem alguns momentos de relax.

De José Gonçalves a 28.09.2015 às 15:22

As pessoas só têm o que merecem, fiz um contrato de trabalho de 160 h por mês. logo na segunda semana de serviço queriam que passa-se a trabalhar 12 h por dia , a razão é que havia muito serviço, perguntei durante quanto tempo, resposta até estar cá.
Como não estou na disposição e não fiz contrato para trabalhar de palhaço, resisti. Fui indemnizado e até agora os senhores não arranjaram palhaço.
Também, tenho filhos como os outros uns prestam-se outros lutam.

De Fernando Lopes a 28.09.2015 às 19:06

Meu amigo, já travei duras batalhas, fui único grevista de um departamento inteiro. O cinismo tomou conta de mim, não me apetece lutar sabendo que o resultado será sempre mais ao menos o mesmo.

De Anónimo a 28.09.2015 às 18:39

E porque não em vez de falar, escrever??? Deixe-lhe um bilhete romantico antes de sair de casa, pode ser que lhe coloque um sorriso nos lábios e mais tarde seja recompensado :D

 

De Fernando Lopes a 28.09.2015 às 19:07

Essa nunca me tinha ocorrido. Boa ideia!

De maria santos a 28.09.2015 às 19:22

Tenho tantas saudades de ter uma vida com problemas considerados normais, mas desde que se descobriu uma doença rara ao meu único filho à cerca de 10 anos atrás e que lhe fez perder a visão -quase toda- que a minha vida nunca mais foi a mesma.Tenho tanto para dizer mas vai-me faltando as forças.Hoje ao ler o seu blogue fez-me desabafar .A minha vida parece um traçado de um eletrocardiograma,com picos em cima e em baixo-mais em baixo-.É muito muito mau ter um filho com deficiências num Mundo que só olha para a perfeição.  

De Fernando Lopes a 28.09.2015 às 19:38

Eu, um pai babado, não consigo sequer imaginar o drama que carrega. Os filhos são o melhor de nós, e tê-los doentes gera sempre enorme ansiedade. Num caso tão dramático apenas me resta enviar um abraço aos dois e fazer saber que por entre as nuvens do desespero, há um raio de amor que ilumina o seu filho. É a melhor luz que lhe pode dar.

De Paulo Leal a 28.09.2015 às 21:40

ALEGRIA VERDADEIRA
"Em um mundo ainda repleto de tantas dores e de tantas injustiças, é comum escutar as pessoas se queixarem de tudo e de todos.

É habitual encontrar pessoas sisudas, nas ruas, que nem sequer se dignam responder a um cumprimento, ou a olhar os outros nos olhos.

Parecem estar sempre mal-humoradas e infelizes com a rotina, com a vida que levam.

São pessoas que não percebem a beleza do céu, a suavidade do vento a tocar-lhes a pele, a melodia do riso de uma criança.

Seus olhos parecem estar impossibilitados de notar as cores e as belezas do mundo.

Seus ouvidos captam apenas lamúrias e queixumes.

Seus corações só guardam mágoas e arrependimentos.

Passam os dias, os anos, a vida inteira sem aproveitar o que de bom lhes é, diária e continuamente, ofertado por Deus, pela natureza e pelos seres que os cercam.

São pessoas sem alegria, que transformam a própria existência em um tormento repleto de desprazer e melancolia.

Perdem a oportunidade abençoada de ser úteis e de crescer como seres humanos.

Adoecem em virtude da amargura que cultivaram por toda a vida em suas almas."

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