Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Agora também deitas facas ao lixo?

por Fernando Lopes, 23 Set 15

7:20. Acordo e vou fumar um cigarro para o escritório. Cá em casa todos acordamos mal-dispostos, existe um acordo tácito para não trocarmos muitas palavras pela manhã. A minha mulher passa por mim com ar ensonado. Passado um minuto chama-me e diz-me a primeira frase do dia: Agora também deitas facas ao lixo? Assim, a  seco. Com as cascas de fruta tinha ido o utensílio. Estamos escravos de rotinas e tarefas. Certo é que saio às 7:55, vou levar a miúda ao colégio, regressando à escola às 18:45 para a trazer para casa. A minha mulher sai por volta das 8:00 e nunca regressa antes das 20:00. O escasso tempo que temos é para tratar de coisas práticas. Já compraste os cadernos da miúda? É preciso pagar o condomínio; Faltam-te medicamentos. Não sei quando é que nos deixamos aprisionar pelas grades da utilidade, certo é que tudo gira em torno do dia-a-dia. Não a culpo ou a mim, a culpa é de ambos e tem como madrinha a circunstância. Trabalha, paga as contas, toma conta da cria. Esta circularidade toma-me, toma-nos, conta do tempo e da vida. Provavelmente estaremos demasiado indiferentes ou demasiado velhos quando repararmos que este é um caminho sem retorno.

Autoria e outros dados (tags, etc)

40 comentários

De pimentaeouro a 23.09.2015 às 22:38

É o caminho sem retorna da maioria dos portugueses, e noutros países também.

De Fernando Lopes a 23.09.2015 às 23:56

Ser esmagado pela rotina parece-me um fim inglório para tão grande esforço. Mas a vida é sempre mais sofrimento que prazer...

De João Gonçalves a 07.10.2015 às 15:45

Assino por baixo.

De Ana A. a 23.09.2015 às 23:32

Ou isso, ou viver alegremente sem compromissos, encontros ocasionais, "sex appeal" a rodos, e no final do dia, talvez, uma enorme solidão...

De Fernando Lopes a 23.09.2015 às 23:59

Porque é que tem de ser e/ou e não e/e? A culpa do aprisionamento no quotidiano não será também nossa, por ambição escassa? Talvez puerilmente ainda quero «querer tudo».

De Bruninho a 28.09.2015 às 21:01

E não é que assim é quando nos sentimos mais vivos?

De Fernando Lopes a 28.09.2015 às 21:49

Esse desejo de ter tudo, ambicionar o impossível, sonhar o inimaginável, é a quimera que qualquer ser humano persegue. Estamos vivos enquanto mantivermos esse sonho. 

De Henedina a 24.09.2015 às 05:58

Seu kalimero. Porque não respondeu " tens razão miúda...não sirvo para nada...só para te amar". E punha os olhos e o sorriso...conforme a reacao tentava um abraço e um beijo...ou não.
Aprenda que eu não duro sempre ;)

De Alice Alfazema a 24.09.2015 às 07:22

De Fernando Lopes a 24.09.2015 às 07:26

De manhã? Com a sra. Séria? O mais certo era ser vítima da faca. :)

De Ana a 24.09.2015 às 09:51

:) Fantastica resposta ,,!! A melhor..

Fernando..acho que devia seguir esta sugestao..Mesmo..!!


 

De Fernando Lopes a 24.09.2015 às 10:21

Mais fácil de dizer que de fazer. :)

De Maria Silva a 28.09.2015 às 14:18

Ora aí está a verdade! porque não usar e abusar do vocabulário...dos amantes e dos amores, para dar resposta às perguntas ou aos comentários de circunstância. A prática leva à perfeição e a vida deixava de ser aquela rotina banal.
Bora lá tomar a iniciativa  

De Suricate a 24.09.2015 às 09:02

A rotina mata tens de ser tu a sabê-la sacudir! Digo eu que também tenho dias em que me sinto uma Luísa desgraçada, desgrenhada e mal amada, http://www.citador.pt/poemas/calcada-de-carriche-antonio-gedeao (http://www.citador.pt/poemas/calcada-de-carriche-antonio-gedeao), curiosamente e por grande coincidência ainda ontem à noite nem as miúdas podia ouvir, os mimos dele afastei-os, queria estar só. E sabes o que conseguiu mudar o meu estado de espirito? Ler-te agora. Verdade. Toca a afastar o cabelo, respirar fundo e enfrentar o dia, logo compenso-os aos 3 em dobro. Agora vamos ao puxa que puxa, larga que larga. Logo, logo mais à noitinha faço diferente:)

De Fernando Lopes a 24.09.2015 às 09:36

Admiro essa força de vontade, garra. Infelizmente é coisa que me falta. E obrigado pelas tuas palavras, são importantes para quem está do lado de cá a escrevinhar coisas aparentemente sem sentido.

De Luís Coelho a 24.09.2015 às 10:01

e num repente passaram 30 anos, as crianças bateram a asa, e o que é que sobrou para além da solidão?
a vida é um milagre tão injusto


Pink Floyd
(And then one day you find ten years have got behind you. 
No one told you when to run, you missed the starting gun. )

De Fernando Lopes a 24.09.2015 às 10:35

Os Pink Floyd têm sempre um modo poético de pensar nas questões.


P.S- É bom tê-lo de volta.

De Inês a 24.09.2015 às 10:55

Quebrar rotinas só depende de nós. Vivemos literalmente afogados nelas. Muitas vezes nem damos conta e temos sempre coisas para tratar, para fazer, para... só depende de nós parar e dizer "que se lixe". E em vez de ir passar a ferro, ir namorar. Aproveitar a ida ao multibanco, para dar um mini passeio com o nosso par (se for preciso vai-se a um mais longe para prolongar a passeata). Parece tão fácil. Pergunto-me muitas vezes porque não conseguimos. Se por falta de vontade, se por estarmos acomodados, se é por achar que dá muito trabalho. Mas que só depende de nós, não tenho dúvidas.
Beijinhos
Inês

De Fernando Lopes a 24.09.2015 às 11:27

Inês, são precisos dois para dançar o tango. Sou o palhaço lá de casa, mas até um palhaço precisa de público para actuar. É verdade que se devem quebrar rotinas, é também verdade que trabalhando 12 horas por dia, compreendo que a minha mulher não tenha pica para grandes brincadeiras. É mais dormir e voltar às feras.


Beijo.

De Sandra a 25.09.2015 às 15:00

Ainda ontem na hora do jantar eu e o meu marido estávamos a discutir, melhor, eu estava a discutir e ele escutava com a santa paciência que tem, essas rotinas que não nos deixam ter tempo para nós. A cria é pequena e quer muita atenção. Os meus pais já são idosos e precisam de ajuda, mesmo não sendo acamados. Saímos ambos de casa às 08:00, ele segue para o trabalho, eu vou levar o filhote ao J.Inf. e depois sigo também para o trabalho. Eu chego a casa com o pequeno às 18:30 e ele só chega às 19:30. Se for um dia em que tenha de ir às compras, ou que os meus pais precisem que os leve a algum lado também não chego a casa antes das 21:00 com o miúdo. É muito cansativo e acaba com o romantismo de qualquer um!!

De Fernando Lopes a 25.09.2015 às 19:16

Entendo isso perfeitamente, acho que a maioria de nós não tem tempo para se dar ao luxo de ter tempo. 

De Morango Azul a 28.09.2015 às 15:25


Pensei que era só na minha casa...

De S.o.l. a 28.09.2015 às 09:51

Ter a noção disso é o primeiro passo. O segundo, e mais difícil no meu caso, é conseguir transmitir a mensagem sem a receberem como uma agressão ou um atirar de culpas que não existem nem se procuram sequer... 
Há que tentar sobreviver no meio das rotinas diárias, chegar ao fim do dia e saber que houve uns minutos de "nós mesmos". Uns minutos em que não se foi pai/mãe, nem motorista, nem empregado/a, cozinheiro/a ou faxineiro/a. Uns minutos em que se foi marido/mulher, amante, amigo/a. 
;)

De Fernando Lopes a 28.09.2015 às 10:22

Plenamente de acordo. O «segredo» é esse, impor-se um tempo para a relação. Tenho para mim que nem sempre é fácil, tal a quantidade de rotinas e minudências que nos são impostas.

De Berto das iscas a 28.09.2015 às 11:45


Cuidado com essa faca . Ontem servia para descascar fruta, com a rotina à vista, amanhã nunca se sabe .... CUIDADO !

De Fernando Lopes a 28.09.2015 às 11:55

Não é algo em que não tenha pensado. Deixava uma viúva de 40 anos provida de uma pensão simpática. Uma tentação. ;)

De Berto das iscas a 28.09.2015 às 12:14

Ora nem mais .... Se as facas começarem a aparecer em demasia , desconfie !

De Catarina a 28.09.2015 às 12:13

Estava a ler o seu texto e cheguei à conclusão que poderia ter sido escrito por mim. De facto levamos uma vida tão stressas e corrida que não nos sobra muito tempo para o essencial . Por aqui somos dois adultos e quarto crianças o que significa que entre banhos, jantares, mudas de fralda não temos tempo para mais nada. Em tom de brincadeira chamo o marido de estranho e ele trata-me por desconhecida mas a brincar se dizem as verdades.
Este mês fizemos uma escapadinha os dois e foi o melhor que fizemos porque também precisamos de tempo para nós como casal. Felizmente tivemos quem nos ficasse com os meninos e se tudo correr bem vamos fazer mais vezes. Não quero correr o risco de acordar um dia e perceber que a nossa relação acabou porque não cuidamos dela.

De Fernando Lopes a 28.09.2015 às 12:40

A rotina faz parte da «normalidade» de uma relação. Quando não se passa nada é sinal que tudo corre nos eixos, e seria pueril querer excitação permanente. Mas, se nos deixarmos subjugar pelo dia-a-dia estamos a descuidar a experiência enquanto casal. Nem que seja esporadicamente, esses pontapés no habitual são essenciais para que a relação se revigore. Nada fácil nestes tempos em que o trabalho se tornou monopolizador do nosso tempo.

De Anónimo a 28.09.2015 às 17:07

Pois eu levanto-me todos os dias ás 06h30, sempre com um sorriso para o meu gato, o meu peixe e os meus dois cães, há o meu filho e marido. A vida pode ser bela, se optarmos por vivê-la com alegria e com vontade de a viver. Dou graças a Deus por ter a casa cheia, também há muito mais para limpar, mas é confortante se estamos com as pessoas e (animais) que adoramos, no final do dia sabe bem tê-los todos comigo.....

De Fernando Lopes a 28.09.2015 às 19:03

Uma casa cheia. 

Comentar post

Pág. 1/2

Pesquisar

Pesquisar no Blog

Feedback