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A primeira vez nunca é como nos filmes.

por Fernando Lopes, 27 Ago 15

Quando um tipo de 52 anos que apenas dormiu com três mulheres se dispõe a falar de sexo, a coisa corre o risco de ser pouco credível. Um semi-virgem a perorar sobre a sua desértica vida sexual é o ideal para afastar os leitores. Como bem sabem, sou tipo de correr riscos. Ontem, no meio da insónia, fui parar a um site que aconselhava os jovens sobre «a primeira vez». Veio-me à memória a minha. Na época estávamos formatados por filmes e revistas. Na minha imaginação, o meu normal pénis era diminuto face às generosas mangueiras que apareciam nos filmes. As mulheres tinham todas seios de tamanho XXXL e gritavam histericamente perante a simples visão de um falo. Os amantes conseguiam estar horas «naquilo» sem se cansarem.

 

A realidade foi a de dois jovens atrapalhados e apaixonados, não muito seguros do que fazer. Em termos de performance não chegou aos calcanhares do que via dos profissionais da queca. No caso improvável de algum(a) adolescente ler isto, tenho apesar de tudo, alguns conselhos: é melhor quando se está verdadeiramente apaixonado; o prazer do outro é sempre mais importante que o nosso; estão a  fazer amor, não a concorrer a uma maratona.

 

Se a preocupação for mais com o parceiro e menos connosco estamos a meio caminho de transformar o acto sexual naquilo que verdadeiramente importa, dar. Fazer amor com quem amamos é escrever poesia com os corpos.

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16 comentários

De Ana A. a 27.08.2015 às 20:37

Sábias palavras...
(Ainda bem que em 1972 eu não tive acesso a revistas/filmes pornográficos, senão, acho que ficava aterrorizada e ia pensar duas vezes.)

De Fernando Lopes a 27.08.2015 às 21:08

Que me recorde esse tipo de material só apareceu depois do 25 de Abril, em 75, 76 e depois. Quando entrei na adolescência já era coisa mais ao menos comum, mas a minha geração cresceu a pensar que sexo era sinónimo de acrobacias, centrando-se muito mais na performance que no amor. Acredito que é precisamente ao contrário.

De henedina a 27.08.2015 às 22:12

Lindo.
Sera que ha uma parte de si ou dos leitores a fazer rsrsrsrsrs...

De Fernando Lopes a 27.08.2015 às 22:33

Sabe, não me importo de me expor. Quem não olha para o passado, quem não tenta (re)conhecer-se e conhecer os outros tem uma vida infinitamente mais pobre. 

De henedina a 27.08.2015 às 22:48

O rsrsrs era do meu lindo.

De Paulo Vasco Pereira a 27.08.2015 às 23:12

Gostei da observação.
Bem verdadeira!
Abraço

De Fernando Lopes a 27.08.2015 às 23:31

Obrigado, Paulo.

De henedina a 27.08.2015 às 23:14

Eu tenho uma amiga que diz que eles nunca tiram as meias da forma que nós tinhamos imaginado...é = a nunca é como nos filmes.

De Fernando Lopes a 27.08.2015 às 23:32

A maturidade também é um bocado aceitar que nunca, nada é exactamente como imaginamos e viver com isso.

De Suricate a 28.08.2015 às 11:41

A este tema, esta tipa de 45 perto dos 46 responde que dá tudo de si ao mesmo (e único) amor há 20 anos e por isso recebe sempre em dobro, sou uma felizarda portanto, generosa, sim, todavia generosamente recompensada por isso. E com esta minha resposta confirmo tudo o que diz:)

Suricate

De Fernando Lopes a 28.08.2015 às 12:32

È reconfortante quendo encontramos alguém que pensa e sente como nós. Obrigado.

De André Benjamim a 28.08.2015 às 16:33

«Fazer amor com quem amamos é escrever poesia com os corpos.»

Verdadeiramente poético :)

De Fernando Lopes a 28.08.2015 às 19:25

Poesia tosca, mas obrigado, André.

De Maria Alfacinha a 01.09.2015 às 14:07

Eu fui uma felizarda.
Foi melhor que nos filmes, que não eram pornográficos, note-se, que nem sabia que existiam  :-)

De Fernando Lopes a 01.09.2015 às 20:28

A primeira vez também depende da experiência de pelo menos um dos amantes. Na minha éramos os dois virgens.
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De Maria Alfacinha a 02.09.2015 às 07:04

Tens razão. E mesmo assim é preciso ter sorte :-)

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