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A filha da putice como modo de vida.

por Fernando Lopes, 6 Set 16

Portugal é local onde a filha da putice prospera. Provavelmente assim será noutros pontos do globo, parte intrínseca da natureza humana. De alguma, pelo menos. Sou um tipo relativamente tolerante, aceito que se tente tramar o outro se estamos apaixonados pela mulher dele, se isso significa uma enorme progressão profissional, se existe fabulosa herança no horizonte. O problema é que a filha da putice por causas, digamos, «aceitáveis», é uma raridade, cada vez mais há filhos da puta por vocação ou desporto. No meio amoroso, académico, profissional, a sociedade está cheia de pequenos seres, de carácter ainda mais diminuto, que por prazer sádico, se dedicam a lixar a vida do vizinho. A filha da putice tornou-se um atributo socialmente aceite, ocasionalmente valorizado, como as boas maneiras à mesa, saber cozinhar, falar inglês. Um dos motores da filha da putice é o medo. Medo de não ser amado, de não conseguir a única vaga para efectivo do departamento, de fazer má figura, de ser despedido, do outro. Será que os fins justificam os meios? Duvido. A filha da putice tornou-se coisa corriqueira, aceitámo-la com normalidade, como se fosse uma característica inerente a todos os humanos. Não é, não a devemos encarar como tal, sob risco de estamos a ser colaboracionistas com este ocupante silencioso e corrosivo. Como combatemos a propagação desta praga? Com a única coisa que estes seres abjectos realmente temem: carácter, honestidade, frontalidade.

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16 comentários

De Mulher de saia a 06.09.2016 às 19:10

Desesperada com a filha da putice e o chico-espertismo. Não me agrada. Vejo-a nos familiares e apetece-me trucidá-los. Sinto-me impotente até para mudar os meus. Farta deste país.

De Fernando Lopes a 06.09.2016 às 19:32

Dos seus, do país, ou da humanidade em geral? A filha da putice é socialmente transversal, e não olha a credo, cor política ou nacionalidade. 

De fashion a 06.09.2016 às 20:29

Concordo e partilho o mesmo sentimento!

De fashion a 06.09.2016 às 20:28

Partilho o seu "fartanço" pela filha da putice. Que mundo este! Excelente Post!

De Fernando Lopes a 06.09.2016 às 21:00

Sempre existiram filhos da puta e filha da putice. Era no entanto algo que envergonhava os próprios filhos da puta. O que me entristece é a normalização de comportamentos doentios e repulsivos.

De fashion a 06.09.2016 às 21:15

Pois o grande problema é mesmo o da normalização...

De Carlos A. de Carvalho a 06.09.2016 às 21:48

Sempre pensei que , ser filho da puta , maldoso , sem caráter, é muito fácil  e está ao alcance de qualquer mortal ( filho da puta ) o difícil é ser correto ( ou correcto ? ) Como tu , existem poucos e não demora muito vão estar no museu . 

De Fernando Lopes a 06.09.2016 às 22:00

Não sou melhor nem pior que ninguém, tive a sorte de ser educado por gente de bem, com valores, mas mesmo isso não vale nada. Imagina quanto sacana foi criado por boa gente, trabalhadora, honesta. Talvez seja mais uma questão de sorte que outra coisa. 

De pimentaeouro a 06.09.2016 às 22:15

Assino por baixo com uma dúvida, será o medo?

De Fernando Lopes a 06.09.2016 às 22:33

O medo é o motor de muita fraqueza humana, João. Permita-me que lhe recomende um excelente livro sobre os tempos que correm, «A Instalação do Medo» de Rui Zink. 

De Genny a 06.09.2016 às 22:21

Excelente texto! 

De Fernando Lopes a 06.09.2016 às 22:33

Obrigado, Genny.

De Anónimo a 07.09.2016 às 07:16

Temem mas aumenta a filha da putice por, precisamente, terem inveja do carácter, honestidade e frontalidade.
Recentemente, estive a fazer preparação cólica, sem comer 1 dia e a ver o dobro de doentes que devia ver. De tarde, quando enchia o recipiente de água passou "chefe", e estupidamente, disse-lhe, então sabes que estou a fazer isto mais o dobro dos doentes e nem um interno do ano comum a acompanhar (mais que um com os outros)...estava esgotada, pq não costumo dar assim o flanco. Sorriu e respondeu tens a casa de banho em frente...

De Fernando Lopes a 07.09.2016 às 07:28

Profissionalmente vivemos tempos complicados, com muita competição apenas por instinto de sobrevivência. É assim em todo o lado segundo me dizem.

De Anónimo a 07.09.2016 às 12:12

Porrada neles, caralho. Ando cá com umas ganas que o Raskolnikov à minha beira assemelhasse a um idoso cego e maneta.
Filipe sanguinolento. 

De Fernando Lopes a 07.09.2016 às 18:32

Olha que há crime sem castigo. :)

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