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Saltimbancos nos semáforos.

por Fernando Lopes, 5 Set 15

IMG_1898.JPG

Saltibancos invadiram ontem os semáforos do Porto, da Praça da Galiza à da República.

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Cretinos à moda do Porto.

por Fernando Lopes, 5 Mai 15

Teve esta pobre cidade como autarca durante uma dúzia de anos um ser mesquinho, patético, bafiento, aspirante a salazarinho. Durante todo este tempo os peões que saíam da estação de metro da Av.ª de França e pretendiam atravessar a rotunda faziam uma espécie de toureio a pé com os carros que por ali circulam. Não teve o salazarinho um engenheiro que lhe sugerisse a colocação de uma divisória e passadeira, evitando atropelamentos e perigos.

 

Rui Moreira, tipo por quem não nutro especial simpatia, tem outro dinamismo, mundo, uma visão da urbe. Logo no início do seu mandato fizeram-se umas obras em dois ou três dias que evitaram(ão) imensos atropelamentos e sustos. Um separador central, uma passadeira, coisas simples e eficazes.

 

Ontem, com a ventania, algumas das vetustas árvores da rotunda caíram. A equipa que trata destas coisas cortou a árvores em pequenos troncos e colocou-os … em frente à passadeira. Os utentes do metro e peões em geral tinham duas hipóteses: ou ladeavam a passadeira ou praticavam «trepa o tronco», um desporto provavelmente interessante para os nórdicos mas impróprio para crianças, velhos e cidadãos em geral.

 

O cretino que coordenava o desmantelamento das árvores não teve a noção da barbaridade que estava a fazer e nenhum dos subordinados foi capaz de o alertar. Deve ser um engenheiro arbóreo, altamente inteligente. Cretinos, mas à moda do Porto.

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Um povo que põe a intimidade à janela.

por Fernando Lopes, 30 Mar 15

roupa_a_janela.jpgPijama, camisa de noite e a bela da cueca de gola alta. O país onde se põe a intimidade à janela.

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Pertença.

por Fernando Lopes, 28 Mar 15

Em conversa com a minha querida amiga Xana, alma mater deste blogue, falava sobre Cedofeita. Lamentava-se ela de não ter este sentido de pertença a um lugar. Como quando fazemos amor com uma mulher, unimo-nos pelo corpo e por momentos as almas confundem-se e passam a uma, assim é a minha relação com esta zona da minha cidade.

 

Sou a Farmácia Sampaio, alfarrabista Candelabro, tabacaria Princesinha, sou o café Bissau que agora mudou de nome, recordo com saudade o velho guarda soleiro da esquina com a Rua do Mirante, sou as mercearias, tascas e cafés, sapatarias e lojas de pronto-a-vestir. Sou a velha cerzideira, as lojas de botões e acessórios de costura. Sou também as gentes, bêbado fedorento, músico de rua, burguês barrigudo, matrona às compras, puto ranhoso, prostituta barata, dono de bar. Amo-os, porque eu sou eles, eles são eu.

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D.Quixote.jpgD. Quixote e Sancho Pança, num mural na Rua Diogo Brandão à Miguel Bombarda

Sozinho neste dia de anos, resolvi fazer algo diferente. Acordei às 11:00 e pedi à Isilda (a nossa ajuda cá de casa) para preparar um sopa com a «trounchuda» que a Tia Helena, minha vizinha de Arcos, nos tinha dado. Os vegetais rurais têm um sabor completamente diverso das espécies irmãs criadas industrialmente. E como gosto de uma boa sopa de couve. Fui almoçar e decidi-me por um cachorro especial, extra-picante. Meti pés ao caminho para fotografar este mural gigantesco de D. Quixote junto à Miguel Bombarda.

 

 

 

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Porto adentro.

por Fernando Lopes, 18 Out 14

abelhas_cedofeita.jpgPorta da abandonada esquadra de polícia, Cedofeita

rua do mirante.jpgRua do Mirante

leoes.jpg«From The Lions Mouth»

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Quando o Ganges não correu para o mar.

por Fernando Lopes, 21 Set 14

Iluminação de um relâmpago sobre Cedofeita

Involuntariamente coloca-se o escriba em cima do acontecimento, ou o acontecimento lhe cai, como mosca em mel, rigorosamente em cima. Caminhada com paragem em esplanada de Cedofeita, junto à esquina com a Rua do Mirante, frente a loja onde outrora se estabeleceu saudoso guarda-soleiro. De vizinhança duas dengosas jovens brasileiras e casal galego consumidor de mais «porros» diários que mandaria o bom senso.

 

À minha frente espanta-me esquadria de porta, uns bons graus desnivelada, tombando ostensivamente para a direita. Num nicho da sapataria Teresinha um casal sem-abrigo monta nocturno abrigo.

 

Deve este vosso servo ter ar próspero ou otário carimbado na fronte. Um cigarro para misturar com o haxixe galego, um café para o sem-abrigo, S. Pedro a escoar o excesso de água, deixando-a cair toda sobre esta cidade. Conceder a chuva e trovoada, a água limpa a alma, pecados, omissões, culpas minhas e alheias, ali fico como que purificado por um Ganges que não corre para o mar, mas contra a ordem das coisas, cai impiedosamente. 

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Palácio de Cristal.

por Fernando Lopes, 7 Set 14

Imagem roubada ao facebook de «Porto Desaparecido»

 

Para a minha geração, Palácio de Cristal, ou simplesmente Palácio, será sempre sinónimo de Feira Popular. Entrando pela Rua D. Manuel II, percorrida a pequena recta ladeada de árvores, estávamos perante dois clássicos de sempre, o martelo para testar as forças e um homem muito velho com um carrinho de ferro. O carrinho tinha uma pega, devia-se empurrar com a máxima força por um emaranhado de curvas e contra curvas. Se chegasse ao cimo, batesse na porta, saltava um cabeçudo a fazer um manguito. Um prémio estranho para os dias de hoje, mas que nos enchia da satisfação do dever cumprido.

 

Havia aviões de sobe-e-desce, barracas de tiro, carrinhos de choque, umas cadeiras que andavam em círculo presas por cadeados numa espécie de desafio radical, barracas de chocolates em que se fazia um furo. Conforme a cor da bola que nos calhasse em sorte, um chocolate diferente.

 

Tínhamos as esplanadas da avenida das Tílias, onde lanchávamos tostas mistas e leite chocolatado UCAL, o lago, onde consoante a bolsa, se podia andar de barco a remos ou a motor.

 

Mais abaixo o «zoológico» com o chimpanzé Chico, o leão Sofala, pavões, aves exóticas e galinhas de Angola a cacarejar «Tou fraca». Restaurantes onde se comia sardinha e frango assado, azeitonas e broa, coisas simples, num tempo simples.

 

Planeei ir à Feira do Livro, apoio a revitalização deste espaço da cidade, mas Palácio será sempre a alegria infantil de uma Feira Popular. 

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Porto antigo.

por Fernando Lopes, 31 Ago 14

Batente de porta, Rua da Fábrica, Porto

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Banksy no Porto.

por Fernando Lopes, 27 Ago 14

«Big Kids Forever», Travessa da Figueirôa, Cedofeita, Porto

 

Gosto de Banksy porque é, antes de mais, subversivo. Porque há sempre uma mensagem política ou poética nos seus stencils. Porque brinca com o valor da arte, vendendo-a a preço de saldo. Porque disponibiliza cópias gratuitas, baralhando o «mercado». Porque sim.  

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  • redonda

    Talvez ajude ir com alguém muito próximo, com quem...

  • Fernando Lopes

    Olhar fixamente pode ser intimidante, mas não é is...

  • Anónimo

    Mas olhar directamente pode ser muito intimidante ...

  • Fernando Lopes

    Agradeço o abraço e retribuo ainda com mais vigor....