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Mar pela frente, deserto nas costas.

por Fernando Lopes, 26 Mai 15

praia de chaves.jpg

 

A marcação das férias de família é sempre um momento de alguma fricção. Uns sentem-se mais atraídos por um destino que outros. Já corri dúzias de lugares, e nas férias de Verão prefiro sempre a praia. Paris, Barcelona, Londres, Madrid e outras cidades europeias não são o meu destino favorito. Sou por natureza um homem do sul. África, sempre África, o meu continente de eleição.

 

Há algo mágico que ainda e sempre exerce sobre mim enorme apelo. O sonho era Zanzibar, o destino possível a ilha da Boavista em Cabo Verde. Uma ilha minúscula, meia-dúzia de habitantes. A recente abertura ao turismo de massas possibilita uma viagem a preços «aceitáveis». Há muitos anos estive na Ilha do Sal, antes da explosão de resorts. Comi croquetes de atum e bebi cerveja na esplanada do Mateus. Vi os barcos de pesca chegarem com douradas de mais de meio metro. Apreciei a musicalidade dos locais, onde qualquer lugar é bom para tocar, em que a dificuldade faz com que quase tudo sirva para instrumento.

 

Quero sair do hotel, voltar a falar com os homens do mar, puxar conversa com as pessoas, brincar com as crianças, passear pelas dunas.

 

Muitos acham estranho, assim é o meu ideal de férias: mar pela frente, deserto nas costas.

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As mais belas férias.

por Fernando Lopes, 10 Jul 14

 (Vista do Ilhéu das Rolas para S. Tomé)

Fechado em casa, férias na praia adiadas sine die por bons motivos, pus-me a pensar qual teria sido a visita mais marcante. Embora conheça Londres, Paris, Barcelona e algumas outras cidades europeias, não sou turista de cidade. Já conheci o luxo e deslumbramento do Índico, vivi a alegria berbere do norte de África, saltei de ilha em ilha nas Caraíbas, dancei mornas e coladeiras em Cabo Verde, mas a terra que me vestiu o coração foi S. Tomé. Já passaram uns bons dez anos, confesso no entanto que não gostava de morrer sem voltar.

 

A única companhia que voa para S. Tomé é a TAP, na altura aproveitamos uma campanha da extinta Air Luxor e viajamos a preços bem em conta. À época não havia reabastecimento no aeroporto S. Tomense pelo que o avião saía de Lisboa com carga completa, isto é, metade dos passageiros e combustível suficiente para ir e voltar. Na volta todos os lugares podiam ser ocupados uma vez que a aeronave já só trazia metade do peso em combustível. Só havia um voo semanal à quarta-feira, localmente conhecido como «Dia de S. Avião».

 

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Isto de estar de férias é muito cansativo. Levantava-me às 9:00 da madrugada para tomar pequeno-almoço, tinha de me deslocar a pé para comprar o jornal, carregar o guarda-sol para ir até à praia, tomar banho de mar, fazer gestos frenéticos para chamar o homem das bolas de Berlim, regressar ao hotel para almoçar, dormir uma sesta retemperadora para, ao fim da tarde, dar umas braçadas na piscina. Tudo isto não contando com os passeios a pé, assistir a espectáculos, fazer de tradutor no bar da piscina e por aí fora. Se o mundo fosse perfeito devia haver umas férias para descansar das férias.

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Bimbus Tecnologicus.

por Fernando Lopes, 11 Jul 13

Como sabem, arrasto comigo ouvido atento, disponibilidade para observar e sentido crítico. Notei proliferação de nova espécie, que, à falta de designação adequada, nomearei de bimbus tecnologicus. Fazem-se acompanhar de toda a parafernália tecnológica possível. O  bimbus anda sempre de iPhone, iPad, android e máquinas fotográficas topo de gama. Para fotografar a senhora e os meninos, usa uma Canon xpto com várias objectivas que permitiriam captar um mosquito na lua. Fica com o lombo vergado pelo peso, mas consegue fotografar numa resolução que daria para um outdoor. Chegado à piscina, aproveita a rede Wi-Fi para partilhar com os restantes utentes os vídeos do YouTube favoritos. Distrai as criancinhas com uma série de músicas que parecem os Gipsy Kings em ritmo pastilha. Para o bimbus, o conceito de headphones é alienígena. Todo o seu som e vídeos devem ser distribuídos, quer queiramos, quer não. A fêmea caracteriza-se por um – não muito – disfarçado interesse pelos aparatos do macho. Tolera a exibição de masculinidade tecnológica como Cristo o calvário; está incluído no pacote sacrificial. Um aviso: se quiserem preservar a sanidade mental e passar umas férias tranquilas, o bimbus é animal a evitar a todo o custo.

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Cenas Na Rua.

por Fernando Lopes, 9 Jul 13

 

Poderão ser induzidos em engano ao ver a imagem que ilustra este post. Apesar de a política nacional ser conduzida por palhaços, não me vou referir a nenhum dos incríveis acontecimentos da passada semana nem à nova semântica da palavra irrevogável.

 

Vou falar de palhaços que merecem respeito, profissionais estimados e respeitados, que não actuam no mundo da política, mas do espectáculo em senso estrito.

 

Deparei-me com um espectáculo de Niño Costrini, um performer argentino do mais completo a que tenho assistido. Integrado no programa “Cenas na Rua”, o argentino exibiu durante mais de uma hora um verdadeiro one-man-show. Costrini é um palhaço/humorista/malabarista/entretainer/mimo que consegui prender uma plateia de largas centenas com um espectáculo divertido e ao mesmo tempo crítico. Se estiver pelas vossas bandas, é obrigatório.

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Tavira à noite.

por Fernando Lopes, 7 Jul 13

 

O hotel que escolhemos é conhecido de há mais de uma década. Um quatro estrelas normal, confortável, com um staff jovem e dedicado, sem requinte, mas aprazível e, de certo modo, familiar, característica que me agrada sobremaneira. Fica no centro da cidade, o que obriga a usar o carro para uma deslocação à praia. Como está na zona alta da cidade, os seus cinco andares tornam-no um ponto privilegiado de observação.

 

No último  andar está um bar panorâmico. Suba e esqueça o bar, as criancinhas a correr, os sempre deprimentes músicos de hotel. Disfrute da magnífica vista sobre a cidade. Isto foi o que consegui com telemóvel e sem talento. Não faz justiça à beleza da envolvente, mas dá para ficar com uma ideia.

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Como instalar o caos num hotel.

por Fernando Lopes, 6 Jul 13

Ser-se espanhol. Fazer-se acompanhar de uma trupe. Trazer toda a fome do mundo como se o facto de serem todos umas lontras fosse coisas de somenos. Servir-se de quatro pratos de cada vez, todos como uma pirâmide e deixar os restantes hóspedes e cozinheiro à beira de um ataque de nervos. Ao lanche, pedir dois hambúrgueres por pessoa e causar o caos no bar. Gritar muito e muito alto, como se o interlocutor não estivesse mesmo à nossa frente. Fazer bombas na piscina, mesmo para cima de idosos ingleses que nada mais pretendem que sossego e refrescar-se. Gritar pela Carmen para que todos fiquem a saber como se chama a matriarca. Fazer com que o proprietário do hotel tenha prejuízo com o regime tudo-incluído. Da próxima vez que me disserem que os portugueses são broncos, obrigo-vos a gramar com estes galegos durante uma hora. O maior dos pategos parecerá da nobreza inglesa.

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Bola de Berlim.

por Fernando Lopes, 4 Jul 13

O sol, a água tépida, o ronronar das ondas. Ouvir o homem das bolas de Berlim e ter outra vez 8 anos, correr a comprar sonhos doirados envoltos em açúcar. Achar aquela pausa um momento de felicidade pura, prazer simples. Nada nos faz regressar à infância com tanta rapidez como o pregão: “ Olhá bolinha de Berlim!”

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A Alice, uma querida amiga cibernética, está sempre a dar-me na cabeça por causa do meu “machismo” e aselhice. E eu gosto. Desta vez, Alice, prometo que não passo dos 200 kmh. A maior parte dos gajos não compra um carro, compra status. Como bem me conhecem, sou um bruto desbocado, absolutamente a cagar para o que parece bem. Quando tive essa possibilidade, comprei um carro, ou melhor um motor com carro à volta. O veiculus familiaris chega com facilidade aos 210, 220. Vai um gajo do norte, calmamente a 180 e vê sinais de luzes desesperados. Encosta-se à direita e vê os patos bravos dos BMW e Mercedes a pensar que vão muito depressa. Zézinho deixa-os vir até seu lado e depois acelera. 210, 220, 230, 240, 250 e já chega que aquela merda é um carro, não um fórmula 1. Fico a rir-me com o ar surpreso dos candidatos a Schumacher. Prometo, querida Alice, não repetir essa parvoíce este ano.

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O mundo político vai a banhos

por Fernando Lopes, 29 Jul 12

Num país onde, metade dos portugueses não vai fazer férias e da metade restante, só um quarto vai para fora de casa, a política e o comentário político vão a banhos. Não é difícil entender que são pequenas notas de rodapé como esta que fazem os portugueses afastarem-se da coisa pública como o diabo da cruz. O mundo político continua a dissociar-se do comum dos portugueses e perceber as suas dificuldades num plano puramente teórico. É o grau zero da coerência e da consequência. "Que se lixem os portugueses, que eu vou de férias". E recordo-me de uma velha frase de Galeano que sintetiza o que penso sobre o sistema - "A liberdade de eleição permite que você escolha o molho com o qual será devorado".

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  • Anónimo

    Tenho é que me manter nova:)~CC~

  • Fernando Lopes

    Isto era eu... :)

  • Anónimo

    Venha e será recebida de braços abertos. Vamos com...

  • Anónimo

    Plantei uma árvore, tive uma filha e escrevi um li...

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