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Do exagero na disponibilidade.

por Fernando Lopes, 28 Mai 17

Em mais de trinta anos de trabalho passei por muitos episódios caricatos. Tive como chefias pessoas muito inteligentes, outras nem por isso. Faz parte. O início da minha vida profissional foi num projecto demasiado avançado para o seu tempo. Em 1989, através de um terminal específico já se podia encomendar do supermercado ou consultar saldos bancários. Sim, há vinte e sete anos, tal já era possível em Portugal. O projecto ainda hoje é um case study de como uma ideia brilhante implementada prematuramente pode fracassar. O homem que teve a ideia emigrou para onde os prados eram mais verdes e durante um ano tivemos um chefe que, boa pessoa, era um bocadinho bronco.



Numa reunião em que estava presente, diz a uns potenciais clientes:

 

- A [nome da empresa] está de pernas abertas!

 

Torci-me todo para não me desmanchar a rir na cara do homem, ainda hoje quando me falam de disponibilidade deixo escapar um sibilino «estou de pernas abertas».

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Hoje foi assim.

por Fernando Lopes, 28 Mai 17

Piquenique.jpg

 

Reuniram-se os amigos, a pretexto de celebrar 30 anos do calcanhar de Madjer. Qualquer motivo é bom para estarmos como aqueles de quem gostamos e gostam de nós. Sem preconceitos ou julgamentos, aceitam-nos inteiros. Piquenique no Jardim das Virtudes, um recanto escondido deste meu/nosso Porto. Beijos, abraços, recordações deste cidade que nos veste a alma e pinta o coração de azul e branco.

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casaChristinaFoto1.jpg

 

Talvez por estar a ficar entradote, recordo-me de algumas lojas e serviços que existiam na minha infância. Não sendo nostálgico, uma simples frase, publicidade, deixa, trazem-me à memória coisas de antanho e colocam-me um sorriso pateta na face. Falam na televisão de um serviço de entrega de pão ao domicílio e logo recordei a padeira que percorria Álvares Cabral com uma longa canastra em forma de piroga, deixando o pão aqui e ali num saquinhos de pano, quase todos eles com motivos regionais. Ainda hoje ocasionalmente faço compras na mercearia fina «O Pretinho do Japão», na Rua do Bonjardim, onde fui muitas vezes pela mão da avó. Recordo também que os avós encomendavam – e encomendar é o termo – os sapatos na «Sapataria Danilo». Quando miúdo já era um local para velhos, mas dizia-me o avô que os sapatos eram quase indestrutíveis Era só escolher o modelo, pois as medidas do pé estavam arquivadas na loja e os sapatos eram feitos à mão. Sorrio ao lembrar a «Casa Christina» e o café de diversas proveniências e em peso sempre igual, misturado, que era levado num cartucho de papel para fazermos um café de cafeteira e que tinha o melhor cheiro do mundo. Recordo todas estas coisas e tenho saudade de um tempo em que se consumia devagar, nos mesmos sítios, atendido por gente que nos conhecia. Parece ontem e tudo se passou há mais de 40 anos.

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Embora existam particularidades de género, nós homens, tendemos a ver mais o que une que o que separa. Inegável que o sexo com que nascemos nos marca alguns comportamentos, as hormonas outros, a educação outros tantos. Já não consigo é ouvir aquela generalização «as mulheres são todas iguais» ou a oposta. Existem mulheres guerreiras outras doces, inconformadas e comodistas, sensíveis e brutas que até dói. Como nos homens. O que nos define, além de traços de personalidade inatos e comuns a homens e mulheres, é o modo como fomos educados e os valores que partilhamos. O resto são tretas.

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Fomos comprar óculos à Zara.

por Fernando Lopes, 22 Mai 17

zara.jpg e eu estou a posar com um magníficos óculos rosa.

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«a Fábrica». Onde menos é mais.

por Fernando Lopes, 20 Mai 17

 

Fabrica1.jpgCopo de «Primavera», produzido in situ.

 

Nas minhas deambulações pelo centro da cidade passeio por uma das ruas que mais se transfigurou nos últimos anos, a da Picaria. Na era pré-Ikea era um bom local para se procurarem móveis baratos. Sobrevive apenas uma loja desses velhos tempos e toda a rua está ocupada por bares e restaurantes. Não tenho pachorra para multidões ou comportamentos de rebanho, pelo que tendo a fugir dos lugares da moda. Passou-se isso com o «Aduela», onde serviam umas magníficas tostas com pesto, invadido por hordas de candidatos a artista. O «Candelabro», no Largo de Mompilher, um alfarrabista dos meus tempos de infante hoje transformado em bar é um local agradável, mas já com excesso de gente. Também já por lá não anda a Mariana, uma jovem que servia canecos com a maior doçura do mundo.

 

Fabrica2.JPG Cubas, bancos, iluminação.

 

Fabrica3.jpgEsplanada para as traseiras da Rua do Almada.

 

 

Tinha visto esta cervejaria artesanal, de seu nome «a Fábrica», e fiquei com vontade de experimentar. Fi-lo hoje. É um local recuperado com bom gosto. Um corredor, mesas encostadas à parede, simples, quente, acolhedor. Passando por onde a cerveja é tirada, existe uma sala mais ampla e uma belíssima esplanada, que dá para as traseiras da Rua do Almada. Um belo local para um fim de tarde com os amigos a beber um copos, deitar conversa ao vento, petiscar. Experimentei duas cervejas, uma produzida no local, de seu nome «Primavera» e a «Super Bock 1927 Bavaria Weiss». A «Primavera» é extremamente suave, com um ligeiro toque de limão. Uma boa cerveja, a um preço mais que módico. A Super Bock tinha um amargor que me pareceu excessivo, muito inferior a uma cerveja alemã comum do mesmo tipo, a Erdinger. Não vos vou falar do fim de boca ou de outras mariquices, o meu palato não é tão sofisticado como o dos que distinguem num cunnilingus entre a a Maria e a Fernanda.

fabrica4.jpgOlhá bela loura.

fabrica5.jpg Pormenor de um candeeiro.

 

Fabrica6.jpgA fábrica propriamente dita.

Fabrica9.jpgA mão que dá de beber a almas sedentas.

  

Uma particularidade da «Fábrica» é que é lá que se produz a cerveja que bebemos. No piso inferior existe uma sala e a fábrica propriamente dita. É depois transportada para duas cubas de mil litros e daí para a barriguinha do consumidor. Sem engarrafamentos, sem sofisticação da treta, sem merdas. A lista das cervejas e dos trincantes é também ela diferente. Duas cervejas produzidas localmente, cinco Super Bocks praemium, pregos, hambúrgueres e linguiça. Local a visitar neste tempo que se aproxima, em particular a esplanada. Quem quer uma lista de cem cervejas com apenas três sabores de base e comida a armar ao carapau deve abster-se. Para os simplórios como eu, consumir sem moderação.

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Sing it again, Chris.

por Fernando Lopes, 18 Mai 17

 Chris Cornell [1964-2017]

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Da hipocrisia.

por Fernando Lopes, 11 Mai 17

charlie_sempre.jpg

 

Interessa-me menos que pouco com quem o Sr. Macron dorme, se é homem ou mulher, se é vinte anos mais velha ou dez anos mais nova. Sendo uma relação consensual é tão boa como qualquer outra. Para as relações com pessoas mais velhas o povo português tem adágios como «homem velho e mulher nova, filhos até à cova» ou «galinha velha ainda faz boa canja». Trocado por miúdos, e na era pré-Viagra, isto significava tão simplesmente que a juventude do parceiro pode ser um poderoso afrodisíaco. O mulherio da minha idade veio histérico em defesa do deslavado Macron por ter casado com uma mulher mais velha. Quem disser uma piada, quem achar a opção do novo presidente francês invulgar, é logo apodado de misógino, machista, fora dos tempos, o que se quiser. Até essa luminária que é Judite de Sousa escreveu uma qualquer crónica, revoltadíssima, agastadísima, sobre quem estranha a bizarra escolha afectiva do jovem eleito. Não estaria a escrever este post se as senhoras que defendem uma mulher madura que conquistou o coração de um Macron adolescente não fossem as mesmas que em privado mandam piadas sobre as namoradas de Pinto da Costa ou que insinuam que uma rapariga nova não se pode apaixonar por um tipo mais velho. É a duplicidade de critérios que me chateia não o facto de UMA PESSOA poder gostar de OUTRA PESSOA, tenham elas a diferença de idade que tiverem. A ditadura do politicamente correcto tem destas coisas, volta e meia faz ricochete. Não podemos aceitar como bom o que ontem criticávamos só porque o sexo dos intervenientes mudou. São seres humanos, amam-se, e isso é tudo o que importa.

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A água que lava.

por Fernando Lopes, 10 Mai 17

Hoje logo pela manhã deliciei-me com um fenómeno com que todos nos cruzamos mas que não deixa de ser raro. Estava sol sobre a minha cabeça, dez metros à frente chovia intensamente. Não eram as bruxas a pentear-se, viúva a casar também não vi, mas fiquei uns segundos naquela zona de ninguém. Como na vida, havia sombra e claridade, seco e húmido, quente e frio, amor e ódio. Deixei a água molhar-me. Levou as minhas angústias, medos, erros, pecados. Poucas sensações serão tão libertadoras.

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Peregrinação.

por Fernando Lopes, 8 Mai 17

Não sendo um homem de fé, confesso uma pitada de inveja dos que a têm. Ter fé deve dar um sentido à bondade, à compaixão, que não tenho. Dá significado a esta vida sem ele. Coloca as coisas numa perspectiva diferente. Procuro ser bondoso, compassivo, apenas porque acho que é assim que deve ser, porque não saberia ser de outra forma. Não existe um objectivo nesta forma de actuar que não um imperativo ético. O sentido da vida, essa questão do milhão de dólares, para mim não existe. Apenas fazermos o melhor que nos for possível, connosco e com os outros. Porque sim. O fim é apenas isso, um fim, um apagar de luzes, fim de festa. Não acredito em céu, energias cósmicas, reencarnação. Acabou e pronto. Dito isto, não sou insensível aos milhares de pessoas que estarão neste momento na estrada, a caminhar para Fátima. Deve ser libertador, dar energia, coragem, ser movido pela fé. Nem que seja a fé num logro, com a participação de um idoso argentino como estrela convidada. Pensando melhor, não tenho inveja. Ser, enquanto o tempo o quiser, ficar em cinzas e fundir-se com a terra que nos gerou é recompensa mais que suficiente. A existência, é por si, a maior das dores e das recompensas.

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  • Fernando Lopes

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  • Fernando Lopes

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