Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Oh pá, não é só contigo!

por Fernando Lopes, 14 Set 17

«Ao fim de 12 meses de vida em casal, as mulheres mostram quatro vezes menos interesse em ter uma noite escaldante de sexo com o parceiro do que as mulheres em relações mais recentes, segundo revela um novo estudo.»

 

Muito de nós, para não dizer todos, em algum momento nos deparamos com desinteresse sexual por parte das nossas companheiras. Como a sociedade nos condiciona para nos comportarmos como se fossemos touros reprodutores, questiona-mo-nos se o zézinho será suficiente grande, se seremos tão performantes como o amante anterior. Quem assim não pensou ou é muito seguro de si ou mentiroso. O estudo acima linkado não parece depender unicamente da qualidade do amante. Sonhamos com um pénis como o do John Holmes e em manter maratonas sexuais de envergonhar Sting. Parece que elas simplesmente ficam fartas de o fazer com o mesmo tipo. É a anedota dos homens que engordam virada do avesso.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Temas:

Camel Toe.

por Fernando Lopes, 13 Set 17

camel toe.jpg

 

Atenção, este é um post que pode ferir pessoas mais sensíveis. Se é o seu caso, abstenha-se.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Temas:

Pronto, está tudo esburacado.

por Fernando Lopes, 8 Set 17

obras.jpgAviso na Francisco Sanches, Porto. A intervenção foi de tal modo subtil que nem um grão de poeira levantou.

 

É já uma tradição, com a proximidade das autárquicas surgem buracos, avisos, obras por todo o lado. Uma série de ruas que percorro diariamente encontram-se ou com obras efectivas ou declaração de intenções das mesmas. Mas quem querem os autarcas enganar? Julgar-nos-ão tolos? Terão adoptado o keynesianismo de norte a sul deste país? É uma forma de demagogia tão vil que dói. Da esquerda à direita todos lêem pela mesma cartilha. E na tua aldeia, cidade ou vila? É a mesma coisa?

Autoria e outros dados (tags, etc)

Dava o mundo por um olhar assim.

por Fernando Lopes, 7 Set 17

Quando almoço mais rapidamente – afinal são só couves e carne ou peixe – dou um pequeno passeio a pé. Junto à churrasqueira da rotunda da Boavista está sempre um sem-abrigo e os seus cães. Talvez os cães sejam o seu diploma de humanidade, a sua companhia, um modo de comover os transeuntes. Não sei, nem interessa. Importa o carinho com que os trata – uma mantinha no chão, dois ou três brinquedos para a bicharada. Contrariamente ao habitual, desta vez foquei-me nos bichos. Olhavam para o homem, e os seus olhos transmitiam amor. Não era só amor, era um amor incondicional, inquestionável, quase asfixiante. Nunca senti sobre mim, de bicho ou humano, um olhar igual. É estúpido, bem sei, mas tive inveja daquele homem. Dava o mundo por um olhar assim, para que alguém me transmitisse tal enlevo nem que por um segundo fosse.

 

P.S. - Não, não desejo que alguém olhe para mim caninamente, apenas que exprimisse com os olhos amor de tal modo puro e sem filtro como o faziam os bichos.

Autoria e outros dados (tags, etc)

#debateporto

por Fernando Lopes, 6 Set 17

rui_moreira.PNGalvaro_almeida.PNG

 

 

#debateporto Um homem de 61 e outro de 52 exibiam belas cabeleiras de tom castanho com toques arroxeados. Fiquei na dúvida se foram ao mesmo cabeleireiro.  Veja a gama de castanhos da Garnier e decida qual deles merece o seu voto. Reparem no blazer azul, camisa branca e gravata igualmente azul. Separados à nascença?

Autoria e outros dados (tags, etc)

Os pais dos outros meninos.

por Fernando Lopes, 3 Set 17

Uma das obrigações sociais que mais me incomoda é aquela de ser obrigado a trocar conversa com os pais dos rebentos com quem a filha partilha o estabelecimento de ensino. Nada tenho contra os pais dos outros meninos, com alguns até simpatizo, mas a maioria das vezes trata-se de um contacto que dispensaria de bom grado. Há uns tempos, numa dessas reuniões estava a mãe – e o pai – de um coleguinha da minha filha com quem nunca tinha trocado senão palavras de circunstância.

 

Tem aspecto de já bem para lá dos quarenta, tez morena e voz sonora. Por duas ou três vezes insinuou que eu já era velho. Tenho conhecimento do facto, embora também a interlocutora há várias décadas tenha passado a fase «flor viçosa». Respirei fundo mais que uma vez para não lhe dizer: – Já sei que estou um bocado velho, mas a senhora também tem um rabo 3XL e eu tive a educação de não mencionar esse facto. Para não responder a deselegância com deselegância, calei-me.

 

Olhei para o marido da dita e este estava longe de ser um Adónis. Para ser absolutamente sincero, para nove em cada dez mulheres eu seria bem mais papável que o cônjuge da dita. A sobejante era cega. Só um parêntesis para acabar com esse mito que os homens não se apreciam uns aos outros. É mentira. Talvez não utilizemos os mesmo parâmetros que as mulheres, mas todos nós sabemos muito bem o que é um tipo com bom aspecto.

 

A cereja do topo do bolo foi quando a criatura começou a queixar-se da vida, porque a mãe era rica e ela era tesa e renhónhó, renhónhó. Demonstrando um raciocínio próximo da amiba chega à conclusão que ser rico é que é, esse é o factor definidor do ser humano de qualidade. Apesar das cólicas, tentei explicar que o que define a qualidade de um ser humano é o que ele é e não o que tem. Duvido que a mensagem lhe tenha cegado aos neurónios.

 

Assim, agora que se aproxima um novo ano escolar em que estes convívios se tornarão quase inevitáveis, já fiz para comigo a promessa solene de só gastar a minha saliva com quem mereça. Para certas pessoas um bom dia ou boa tarde já é conversa mais que suficiente.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Sem deus nem mestre.

por Fernando Lopes, 31 Ago 17

Cinquenta e quatro anos feitos, quando me perguntam o que em mim mudou tenho de admitir que nada de essencial. Talvez tenha o coiro mais curtido, um pouco menos de impulsividade, maior capacidade em admitir que errei e pedir as respectivas desculpas. Continuo dominado por uma ética restritiva e uma certa inocência. Inocente no sentido de intocado, como uma gota de água que cai numa poça. Gera-se momentaneamente movimento, círculos concêntricos, mas logo tudo volta ao que era. Existe em mim uma profunda aversão a fazer o que é errado, a maltratar os outros, a enganar alguém mesmo que isso me traga proveito evidente. Não é auto-elogio, apenas a constatação de que uma educação rigorosa em termos morais me transformou em prisioneiro desse labirinto. Talvez por isso nada me faça feliz. Faço simplesmente o que tem de ser feito, e o facto é apenas uma nota de rodapé na minha estória. Será talvez essa a razão porque nunca roubei, tão-pouco traí. Sem deus nem mestre, vergam-se-me as costas sobre esta cruz moral que me puseram na infância, que não poucas vezes se me parece mais albarda que crucifixo.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Desculpe o Huawei (*) ou «Fare il portoghese»

por Fernando Lopes, 29 Ago 17

huawei.jpg

 

Políticos e altos dirigentes públicos viajaram a expensas de uma multinacional chinesa. Afinal, quem de nós não gostaria de visitar a velha China sem gastar um tostão? O caso demonstra a ingenuidade, melhor dizendo, a estupidez, destes senhores.

 

Os «nossos melhores» são tão, mas tão fraquinhos, que basta levá-los à bola a França ou num passeio mais longínquo para se esquecerem que desempenham funções de representação da nação portuguesa. Tal passa-se porque somos um país de pobrezinhos, os nossos dirigentes e quadros ganham mal – como aliás todos os portugueses, e qualquer presente faz perder a gravitas associada ao estado.

 

Há também uma questão cultural e histórica, os portugueses pelam-se por uma pechincha ou borla. Este atavismo tem séculos. Em Itália os que entram à borla em qualquer sítio são portoghese. Reza a lenda que em 1514 o Papa deu uma espécie de livre trânsito não pagante aos portugueses e todos, incluindo os romanos, declaravam «io sono portoghese».

 

Estes senhores cumprem apenas uma velha tradição nacional, aproveitar as borlas. Claro que a Huawei faz isto com o objectivo de impressionar pessoas que podem influenciar decisões, mas não é culpa deles que existam quadros portugueses e até um deputado que arrisque(m) a sua já fraca credibilidade por uma passeata grátis. É pouco, muito pouco, mas o velho regime, que conhecia esta portugalidade rural, saloia, e chico-esperta como ninguém, não mandou edificar o «Portugal dos Pequenitos» à toa. É todo um modo de ser.

 

(*) De uma música velha da Rita Lee.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Aventurar-se a amar.

por Fernando Lopes, 28 Ago 17

Noto imensas mulheres e homens solitários. Construiram uma carreira, uma vida, mas não têm com quem a partilhar. Baseado unicamente na minha observação diria que em muitos casos o foco no sucesso académico e profissional transforma essas pessoas em gente que se sublima pelo trabalho esquecendo que a vida tem muito mais que isso. Para mim sucesso é ser amado, ser pai, pessoa. Quem me adiantaria ser um profissional de elite se ninguém me amasse? Fechados neste seu labirinto, esta imensa multidão de gente só, tende a ter medo da rejeição, a não ser tolerante com o outro, a quedar-se pelo seu pequeno mundo. Tenho amigos e amigas assim, à espera de um príncipe ou princesa perfeitos que não chegarão nunca, que não arriscam apaixonar-se, não estão prontos a ceder, a ser tolerantes, a aceitar que esse conceito infantil da pessoa bela, inteligente, sexy, sensível, toda ela só qualidades, mais não é que um sonho pueril. Escrevo isto com a experiência de uma partilha de vida longa de vinte e quatro anos. Nunca nada foi exactamente como idealizei. Existiram zangas, dúvidas, desentendimentos profundos. Ainda hoje subsistem, mas já sabemos que não existem relações ideais, apenas pessoas que através de um longo processo de adaptação, sucessos e fracassos, altos e baixos, superam as dificuldades através da vontade e do amor. Não estar disposto a arriscar, não ser capaz de abrir o coração, de exibir despudoradamente as suas fragilidades, agarrar-se a uma quimera, é uma espécie de morte em vida. Aventurar-se a amar, tropeçar, cair, voltar a levantar-se, e tentar de novo com o mesmo entusiasmo, é a essência da vida. Pobres dos que ficam sentados, tristes e impotentes, à espera de algo que não virá nunca, tão-somente porque não existe.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Temas:

Ignorando um mundo perfeito.

por Fernando Lopes, 27 Ago 17

Publicidade, media, comunicação, impingem-nos constantemente um mundo perfeito, de imagens perfeitas, casas perfeitas, pessoas perfeitas, comidas perfeitas, como se a perfeição não fosse apenas a excepcionalidade que define o comum. Essas imagens de laboratório, de gente bonita, perfeita, não existiam à minha volta. Sentei-me na areia, observando quem passava. Vi miúdos gorduchos a rebolarem felizes na areia, pais ventrudos, carecas, sorridentes. Mães com celulite, rabos enormes, que quando se sentavam a construir castelos na areia faziam regueifas na barriga. Casais de idade que caminhavam lado a lado. Eles com os calções demasiado subidos, a tapar o umbigo, as senhoras com fatos de banho comprados nos anos 80. Gente normal, imperfeita. Ri-me deles, de mim, e com esse riso fiquei estranhamente apaziguado. Era apenas um tipo normal entre gente normal.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Pesquisar

Pesquisar no Blog

Feedback

subscrever feeds