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Pílulas de alho Rogoff.

por Fernando Lopes, 25 Dez 13

 

Utilizo a tagCoisas de Antanho” quando me recordo de algo que me transporta à infância, ou se caracteriza por ser geracionalmente comum. Hoje, não sei porquê, lembrei-me das pílulas de alho Rogoff, o anti-oxidante da minha infância. Num mundo em que todos procuram retardar o envelhecimento por todos os meios e tal facto se tornou quase numa obsessão colectiva, penso ter descoberto o segredo do Sr. Rogoff.

 

Em primeiro lugar nunca quis vencer o tempo, contenta-se em ser um velhinho saudável, de barba branca, com rugas que atestam a vida. Tem ar que quem não sabe o que é um facelift, e a sua elegância deve-se ao trabalho duro no campo, que enrijece os músculos e o torna uma espécie de oliveira humana, respeitável e firme.

 

O Sr. Rogoff, devido à sua fixação por alho, tinha uma vida social muito limitada. Poucos amigos suportavam o seu hálito, mulher e filhos nunca os teve. Ora todos sabemos que o stress causado pelas relações sociais e familiares, envelhece. Livres destes dois factores, este celibatário manteve-se na excelente forma que a imagem retrata por muitos e bons anos.

 

Na farmácia que existe entre a Livraria do Estado e o Largo do Moinho de Vento, havia um Rogoff de madeira que dava repetitivas piruetas sobre uma barra fixa de madeira, rodeado das pílulas com o seu nome. Esta publicidade artesanal ficou na memória do então infante, até hoje. Um sinal da beleza das coisas simples, perdido nesta sofisticação de pechisbeque em que vivemos.

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7 comentários

De henedina a 26.12.2013 às 23:33

"Ora todos sabemos que o stress causado pelas relações sociais e familiares, envelhece". Se isto fosse verdade a maioria da população estava em risco. Na realdade toda a população envelhece, estou a falar do ritmo de envelhecimento.
"sofisticação de pechisbeque" concordo. As pessoas vivem de aparências e a imagem é cada vez mais importante. Confesso que me cansa. E, se são fúteis como é que conseguem viver uma vida inteira de pequenos interesses, que conversa podem ter?

De Fernando Lopes a 27.12.2013 às 00:51

“O Antunes vive num quarto andar, um T3 de 100 m2 sem elevador, com a mulher, três filhas e a sogra. Sapateiro de profissão, quando chega a casa tem uma tagarelice interminável como som de fundo. Nunca pode ver a bola, mas aí o carago se abre o bico durante a novela. O raio da velha, além de não contribuir para o orçamento, desdentada, come como um magala. Tem como vizinho o Tavares, proprietário de um café só para se embebedar a preço mais em conta. O seu filho único, Cajó passa a vida a fumar berlites e a tentar pôr-se na mais velha, que anda sempre com uns calções que lhe deixam metade das bochechas do rabo de fora, sem soutien de verão e de inverno e só pensa em ir para as discotecas. Um dia apanhou a moça com a mão na braguilha do Cajó e ele quase a pôr-se nela. Correu-os dali para fora ao cinto e à biqueirada. O Tavares acorda-o todas as noites quando cambaleante vai contra todas as portas, do rés-do-chão ao quarto andar.
- Um dia mato o bêbado e capo o filho da puta do rapaz, jura o Antunes.”
E acha a dra. Henedina que as “ralações” sociais e familiares não dão cabo de um homem?!

De henedina a 27.12.2013 às 13:50

Não sei quem é a Dra. E, esta descrição de "Brutti, sporchi e cattivi", não acontece a todos os homens.
Esta parte é um clássico: "anda sempre com uns calções que lhe deixam metade das bochechas do rabo de fora, sem soutien de verão e de inverno", e, eles, coitadinhos não resistem.
Gosto das seus texto são plásticos.

De Fernando Lopes a 27.12.2013 às 14:45

Numa infinidade de clichés porque é que se fixou na rapariga?

De henedina a 27.12.2013 às 15:38

everything but the girl

De henedina a 27.12.2013 às 16:20

Deixe-me ver. Será por ser rapariga? Será porque...não sei. Julgo que não gosto da frase estava de mini-saia, estava de transparência, etc, e o mal aconteceu pq se pôs a jeito (neste caso, calções, sem...). Confundo o escritor com aquele que escreve.

De Fernando Lopes a 27.12.2013 às 18:43

Aqui não há escritores, só escreventes. Aprendi a expensas próprias que os significados não nos pertencem. Apenas queria descrever uma adolescente, um bocado vaidosa, um bocado exibicionista como muitas. Sem juízos machistas.

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