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Alice (III)

por Fernando Lopes, 25 Jul 12

Na caixa de correio, um daqueles folhetos de viagem. Um passeio pela Galiza, almoço no Grove, vista à ilha de La Toja, ou a Toxa como dizem e escrevem os galegos. Alice surpreendeu-se com a fábrica de sabonetes, a capela de conchas, o grande hotel. "Quieres pendientes?" interrogavam as vendedeiras. Passeamos entre  jovens, sorvendo a sua vida, alegria, vontade de viver. À noite, no hotel, remocei. No escuro, como ela gosta, fizemos amor.

 

No regresso paragem no El Corte Inglés. A ideia era perfumarmo-nos à borla, debicar fruta, experimentar roupa que nunca poderíamos comprar. À saída do autocarro, um ruído de travagem, um grito, um quebrar de ossos. Senti-me divido em dois, um boneco articulado. Uma enorme dor. Nada. Quando despertei um médico ou um anjo barbudo, não sei bem, disse-me: "- Su compañera murió. Lo siento." Deitado, no hospital, tenho tempo para pensar. A felicidade é sempre um estado transitório. Quando sair daqui vou beber um copo a isso.

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