O GPS transforma-me num pateta!
Raramente faço longas viagens de carro, muito menos para destinos que conheço mal. Não sou pois possuidor de um destes aparelhos, recorrendo sempre à técnica do crava cada vez que empreendo jornada mais longínqua.
Quando ligo o zingarelho e programo o local de destino, a minha vontade e discernimento esvaem-se. Sou uma espécie de zombie comandado por uma voz feminina que me diz evidências como:
- A seguir, saia na saída.
Onde é que tu querias que eu saísse Maria Amália, na entrada?
Preocupo-me com as indicações de um forma estranha.
- Na rotunda saia na segunda saída.
É o que faço, perdendo a capacidade de olhar para as tabuletas e seguindo as ordens da máquina como se esta fosse um Deus. Se o GPS me mandasse contra uma parede, fá-lo-ia convencido de estar a seguir o caminho correcto. Esta estranha dependência, quase transformada em fé, tornam-me num estranho condutor, comandado por superior voz emitida a partir da caixinha. Sou só eu que tenho este estranho comportamento face a esta tecnologia ou farei parte de algo mais global, uma espécie de discípulos do GPS?
