Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Murro em ponta de faca

por Fernando Lopes, 23 Jun 12

O que todos sabiam, foi finalmente admitido pelo visionário Gaspar. Chegamos a um momento em que, por mais que se aumentem os impostos, as receitas diminuirão. É o excesso fiscal a gerar o efeito contrário ao pretendido. A política deve ser dos políticos, não dos tecnocratas, que baseados em modelos teóricos de fiabilidade duvidosa, insistem, como num passe de mágica, na austeridade regeneradora. Não é. É um modelo falhado. E para isso não é preciso ser economista, basta ter senso comum. As famílias portuguesas receberão nos próximos meses um balão de oxigénio com os subsídios de férias. Meio milhão de funcionários públicos estão excluídos. Os outros utilizarão o dinheiro para pagar contas. Em Setembro surgirão novas medidas de austeridade, numa espiral que tudo suga. E Gaspar, atafulhado em "curvas de Laffer", em baixa de receita, em aumento substancial do desemprego, continuará a dar murros em pontas de faca. E nós a sangrar por ele.

Autoria e outros dados (tags, etc)

4 comentários

De Horizonte XXI a 23.06.2012 às 16:06

Calma amigo,
é que ainda vai ficar pior.
Está tudo à vista dos nossos olhos.

Abraço livre
(na reconstrução de um mundo novo).

De Fernando Lopes a 23.06.2012 às 16:26

A coerência só é uma qualidade até ao momento em que se prova que estamos errados. A partir desse momento, é teimosia, burrice. Como sabes sou um moderado. Acho que se deve pagar a dívida. Não faz sentido pagar em 3 anos um défice que demorou 20 a construir. Para evitar a falência do estado, dêem-nos 10 ou 15 anos, taxas indexadas à inflacção do EUROSTAT. Tenho a ideia peregrina, que a economia deve servir os cidadãos e só posteriormente os credores. A Alemanha está com taxas negativas na venda de OTs. Afinal está a ganhar com tudo isto. Devia ser de sua iniciativa, e para garantir o pagamento e a sua própria economia, propor novos prazos e taxas de juro. A cegueira luterana, não permite tal e é pena. Os cães de fila como Gaspar não são patriotas, são traidores.

Abraço livre
(por um mundo mais justo)

De Tó Zé a 24.06.2012 às 09:30

Concordo consigo em todos os pontos sobre a economia, mas há um ponto em que penso que não tem razão.
Quando diz "A política deve ser dos políticos, não dos tecnocratas" acho que algo está errado. Ao votar numas legislativas leva-se duas votações reais. A primeira, mais importante, a votação legislativa propriamente dita, aquela onde são eleitos os deputados, esses sim devem fazer política. Quanto ao governo, deve apenas governar, baseando-se nas leis dos políticos. O governo não é um órgão político, é simplesmente um governo, um mero conjunto de pessoas cuja função é executar da melhor forma possível o que é decidido pelos políticos.
Assim, apesar de abominar este governo, compreendo aquilo que eles estão a fazer, que é, simplesmente governar de acordo com aquilo para que foram eleitos (porque eu duvido que os portugueses não soubessem que o PSD ia impôr muito mais austeridade).

De Fernando Lopes a 24.06.2012 às 12:40

António,

Talvez me tenha expressado mal. O que eu quis dizer, é que um ministro, além dos óbvios conhecimentos técnicos, têm também de ter uma ideia de futuro, um projecto e deve conhecer os cidadãos que governa, não sendo um mero executor de políticas impostas. É esse conhecimento da pólis que acho que falta a Vítor Gaspar.
Acho também que os portugueses foram enganados quando elegeram este governo. Se se recorda a crise não era sistémica e a promessa foi de cortes na despesa, não aumento na receita.

Comentar post

Pesquisar

Pesquisar no Blog

Feedback