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Prazeres solitários

por Fernando Lopes, 25 Mar 12

Escrevo antes de tudo para mim. Porque este acto solitário me dá prazer. Não me parece que, qual Messias, tenha alguma boa nova a comunicar ao mundo. Faço-o após 9 horas diárias de trabalho, normalmente depois do jantar, baseado em pequenas notas que vou deixando no telemóvel. Não tenho tempo nem saber para apurar os textos, não uso os magníficos dicionários de sinónimos incluídos no Word, corrector ortográfico nem vê-lo. O facto de ter um blogue prende-se com a necessidade de me exprimir. Para sofrimento dos incautos que me lêem, este é o meu meio. As tintas e pincéis feririam menos sensibilidades, mas faltam-me os conhecimentos para me expressar em tela. Ao fim de semana, quando tenho tempo para incomodar com mais frequência a minha meia dúzia de leitores e ler com calma o que os outros escrevem deparo-me com um deserto na blogosfera. Ou existem magníficos empregos, em que não se tem a ponta de um corno para fazer e que possibilitam devaneios critico-literários, ou muitos bloggers menosprezam os dias descanso semanal porque têm menos leitores. Existe em muitos a febre do "publicozinho", como se alguma da treta que escrevemos tivesse importância. Reality check! Não tem. Lemo-nos uns aos outros, numa espécie de círculo fechado sem impacto ou notoriedade. Experimentem ir ao Bolhão e inquirir quais os blogues favoritos. O mais provável é levarem com um "Vai chamar blogue a outro, seu ordinarão!". Agradeço a quem aqui vem e participa, mas padeço do mal de conhecer as pessoas e de ter a noção da minha [e da nossa] insignificância. Seria bom que alguns pavões que não resistem a exibir lustrosa plumagem tivessem a noção de que tal não resulta na cópula ou  no reconhecimento esperado, pois lá no fim do mundo nada existe excepto o divertimento ou reflexão que tiramos das nossas palavras.

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2 comentários

De Ana A. a 28.03.2012 às 21:57

Fernando,

Sempre oportuno e mordaz! :-)

Só quero dizer-lhe que o leio com todo o gosto e a maior parte dos seus textos gostava de ter sido eu a escrevê-los, mas decididamente não estou talhada para a perseverança e cheguei àquela fase da vida, em que me apetecendo "saltar para a margem", fiquei a ver a corrente e a vida (dos outros) a passar!

Abraço
Ana

De Fernando Lopes a 28.03.2012 às 22:56

Querida Ana e permita-me que a trate assim,

Por muitos que alguns julguem, isto não é literatura, nem sequer diarística no sentido pleno do termo. Embora haja gente admirável, que se articula muito bem, presumem que fazem alguma diferença ou que escrevem para a posteridade. Pelo contrário, não existe nada mais efémero do que os meios tecnológicos.

Agradeço-lhe sensibilizado que me acompanhe há tanto tempo, que me tenha dado tantas dicas e tenho pena que não escreva mais. Quanto mais não seja como exercício catártico já vale a pena!

Abraço,
Fernando

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