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Faça férias ... em casa

por Fernando Lopes, 5 Mar 12

Holidays at Home

Desde sempre a família passou uns dias de férias fora de casa. As primeiras férias de praia de que tenho memória foram em 1972, num aldeamento chamado Golférias, encravado entre Vilamoura e Quarteira. Era um tempo em que o Algarve não tinha sido atacado pelo vírus do cimento, acordávamos com o zurrar de um burro, havia lugares de sobra para estacionar o pequeno Mini, faziam-se compras para o jantar em mercados, lotas e mercearias. Estivemos em locais modestos e noutros confortáveis.

Vieram tempos mais abastados em que, sempre com a praia como pano de fundo, fizemos algumas extravagâncias. Porto Santo, Madeira, Caraíbas, São Tomé, Cabo Verde, Marrocos, Tunísia e blasfémia das blasfémias, estivemos no Índico, nesse fantástico melting-pot que são as Maurícias. Nunca pedi crédito para viajar, escolhíamos os destinos em função da gordura [ou magreza] da carteira. Temos escolhido destinos cada vez mais próximos e mais baratos. Este ano temo bem que seja diferente.

As palavras de Passos Coelho, na Bolsa de Turismo de Lisboa, suscitam-me uma pequena reflexão. Vá-se foder. Poucos são os que, vivendo de salários, dispõe de margem para poupar para férias. Além disso, exceptuando os locais de grande concentração de massas, como Quarteira ou Portimão, o preço de um alojamento confortável (4 estrelas), que nada tem de luxo, é [era] mais caro do que um congénere na maior parte do mundo. O local onde fizemos férias o ano passado, passava de 110€ por dia em Junho, para uns incomportáveis 300€/dia em Agosto. A função pública vê-se privada do subsídio de férias, quem ainda tem trabalho sabe que o mês é cada vez mais comprido e o dinheiro mais curto. Ou os hoteleiros algarvios perdem a ganância ou a maioria não vai poder fazer férias fora de casa. Não vou morrer por causa disso. Paciência. Mas alguém perspectivou o desastre que se aproxima a passos largos da indústria hoteleira nacional, e em particular da algarvia?

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14 comentários

De Ana A. a 05.03.2012 às 17:21

Fernando,

Se não forem os turistas nacionais a salvar a hotelaria algarvia, serão os chineses ou os angolanos... e se ainda assim não se salvar, pois temos pena!! Que saiam da zona de conforto e emigrem para o Dubai!!

Isto se não quiserem tomar medidas mais drásticas, como: deixar de comer; de tomar os medicamentos...

E assim, se fará o saneamento de um povo piegas e preguiçoso rumo a uma nova era: onde sobrevirão os inteligentes e os ricos!

Abraço
Ana

De Fernando Lopes a 05.03.2012 às 17:44

Ana,

O turismo que nós fazemos não é igual ao dos russos, chineses ou angolanos. Esses só vão para o luxo. Compreendo a sua ironia, mas numa região já deprimida como é o algarve, e dependente do turismo sazonal, este empobrecimento forçado pode ser catastrófico. Parece-me que nem o lagomorfo, nem os algarvios deram ainda fé da pancada que aí vem.

Abraço,
Fernando

De Xana a 05.03.2012 às 20:38

Caríssimo Fernando,
a "pequena reflexão" que fizeste a partir das palavras do Rabbit é exatamente (eu sei que parece, mas não é erro: ando a tentar habituar-me ao (des)acordo)a mesma que eu faço. Só que eu não sou modesta: é uma grande reflexão e a única possível.
Dassssseeee!!!!!
Beijo,
Xana

De Fernando Lopes a 05.03.2012 às 20:46

Xana, tágide minha,

É bom ter-te de volta a este local de purificação das almas. Afinal depois de tanta mente brilhante para dissecar deve ser relaxante mandar o nosso brilhante PM para o lugar onde ele merece. Só tenho uma duvida: estará ele a caminhar para um estado de alheamento demencial ou é mesmo parvo?

Beijo,
Fernando

De bibónorte a 05.03.2012 às 23:33

Caro Fernando
Concordo: QUE SE VÁ FODER!
Abraço

De Fernando Lopes a 05.03.2012 às 23:43

A coisa é tal, que até nós, pessoas cordatas e de bom feitio, começamos a fazer uso indiscriminado do vernáculo. :)

grande abraço, bibónorte!

De Maria Alfacinha a 06.03.2012 às 10:55

Ele é ignorante mesmo, não faz a mínima ideia de como os portugueses estão a viver. Quando lhe falam em pobres pensa que se trata dos sem-abrigo e esses já não faziam férias. Não sabe é que a classe que fazia férias também está a empobrecer e nem consegue poupar seja para o que for porque o dinheiro nem chega para o dia-a-dia. Não sabe ele, nem sabe a classe que nos governa que vive num mundo diferente do nosso, comuns mortais...

De Fernando Lopes a 06.03.2012 às 11:12

Maria, o meu medo é que esteja cheia de razão e que o "alheamento demencial" de que falo seja mesmo uma condição de que o homem padece.

Abraço,

De Maria Alfacinha a 06.03.2012 às 11:30

Eu já estou convencida, infelizmente.
Cada vez que qualquer um deles abre a boca eu fico sempre a pensar se eles estão a falar do mesmo país que eu conheço. Lembre-se que eles não andam sozinhos na rua, não ouvem as conversas, não perdem empregos, não têm que entregar a casa aos bancos. Os pais têm assistência médica regular, os filhos têm sapatos que lhes servem e todos sabem que quando chegam a casa têm comida na mesa.
Para eles sacrifícios é não irem tanto ao cinema ou jantar fora apenas ao Domingo. Estava rica se me pagassem por cada vez que ouvi este tipo de comentários.
Desculpe a invasão :-))))
Abraço para si tb

De Fernando Lopes a 06.03.2012 às 11:36

Apareça sempre! "Mi casa es su casa" :)

De na primeira pessoa do singular a 06.03.2012 às 14:54

Já tinha pensado nisso, há uns dias atrás..aqui
http://naprimeirapessoa.blogs.sapo.pt/104585.html

De Fernando Lopes a 06.03.2012 às 16:55

Algarvios, resistam ainda e sempre ao invasor! :)

Abraço.
Fernandp

De helenarosa a 06.03.2012 às 15:57

A ganância das gentes do reino dos algarves está por todo o lado: pedem 1000.00€ de renda mensal por uma loja no Alvor. Agora digam-me: o que se poderá vender para pagar esta renda, todas as outras despesas e tirar ainda um pequeno lucro?
É completamente utópico. Desconfio que vai ficar deserto. Os centros das cidades estão degradados e vazios, pela fuga das grandes marcas para os grandes locais de comércio.
Por favor, alguém pode travar isto?

De Fernando Lopes a 06.03.2012 às 17:00

Helena,

A ganância é autofágica, só termina quando não é possível de se realizar. Temo bem que seja da natureza do ser humano, de alguns pelo menos. Fica o seu grito.

Abraço,
Fernando

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