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Dava o mundo por um olhar assim.

por Fernando Lopes, 7 Set 17

Quando almoço mais rapidamente – afinal são só couves e carne ou peixe – dou um pequeno passeio a pé. Junto à churrasqueira da rotunda da Boavista está sempre um sem-abrigo e os seus cães. Talvez os cães sejam o seu diploma de humanidade, a sua companhia, um modo de comover os transeuntes. Não sei, nem interessa. Importa o carinho com que os trata – uma mantinha no chão, dois ou três brinquedos para a bicharada. Contrariamente ao habitual, desta vez foquei-me nos bichos. Olhavam para o homem, e os seus olhos transmitiam amor. Não era só amor, era um amor incondicional, inquestionável, quase asfixiante. Nunca senti sobre mim, de bicho ou humano, um olhar igual. É estúpido, bem sei, mas tive inveja daquele homem. Dava o mundo por um olhar assim, para que alguém me transmitisse tal enlevo nem que por um segundo fosse.

 

P.S. - Não, não desejo que alguém olhe para mim caninamente, apenas que exprimisse com os olhos amor de tal modo puro e sem filtro como o faziam os bichos.

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