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Sem deus nem mestre.

por Fernando Lopes, 31 Ago 17

Cinquenta e quatro anos feitos, quando me perguntam o que em mim mudou tenho de admitir que nada de essencial. Talvez tenha o coiro mais curtido, um pouco menos de impulsividade, maior capacidade em admitir que errei e pedir as respectivas desculpas. Continuo dominado por uma ética restritiva e uma certa inocência. Inocente no sentido de intocado, como uma gota de água que cai numa poça. Gera-se momentaneamente movimento, círculos concêntricos, mas logo tudo volta ao que era. Existe em mim uma profunda aversão a fazer o que é errado, a maltratar os outros, a enganar alguém mesmo que isso me traga proveito evidente. Não é auto-elogio, apenas a constatação de que uma educação rigorosa em termos morais me transformou em prisioneiro desse labirinto. Talvez por isso nada me faça feliz. Faço simplesmente o que tem de ser feito, e o facto é apenas uma nota de rodapé na minha estória. Será talvez essa a razão porque nunca roubei, tão-pouco traí. Sem deus nem mestre, vergam-se-me as costas sobre esta cruz moral que me puseram na infância, que não poucas vezes se me parece mais albarda que crucifixo.

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