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O Facebook como prova de vida.

por Fernando Lopes, 6 Ago 17

Não ligo nada para o facebook. Como qualquer fenómeno global, traz apenso uma enorme camada de pessoas desinteressantes e os seus pensamentos vazios, repetidos por outros seres igualmente desinteressantes até à náusea. Os que utilizam este rede de forma intensiva acham que nada mais existe. Já me convidaram para festas através do facebook – tãoooo estranho e despersonalizado –, já questionei se tinham chegado bem da viagem e recebi como resposta : «não viste no facebook?». Por acaso não, até tenho mais que fazer. Basicamente ignoro a coisa, não merece que se gaste cera com tão ruim defunto. Outro princípio é que aceito amizade de toda a gente. Custa apenas um clique fazer de conta que alguém tem importância para nós. Há um rapaz que conheço pessoalmente de quem tive de desligar as notificações, pois o marmanjo fazia check-in em tudo quanto era sítio. Manuel está a tomar um copo em Leça, está nos Passadiços do Paiva, na Piazza del Popolo em Roma, enfim, só não recebi notificações de que estava na casa de banho. Tudo acompanhado de bonitas fotografias. Não conheço bem a sua história, acho que a mulher lhe pôs os patins, a namorada fez o mesmo. Anda o pobre, quase cinquenta anos de vida, igualzinho às putas que chamavam clientes à porta de pensões de alta rotação. Uma tristeza profunda, ali à vista de toda a gente.

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